Submundo (Edmond, Estados
Unidos, 2005. Imagem) Funcionário de escritório, homem de
meia-idade e marido descontente, Edmond Burke (William H. Macy) leva a sério
aquilo que uma cartomante lhe diz: que ele está vivendo uma vida que não
é a sua. Ele larga então a mulher e sai pela noite em busca de sexo.
Acontece que Edmond é um sovina: regateia com prostitutas e com cafetões,
e a cada vez perde um pouco mais de dinheiro, sem conseguir o que quer. A raiva
vai aumentando, e Edmond acaba por perder totalmente o controle. Baseado na peça
de David Mamet, com roteiro de sua própria autoria, Submundo acabará
por dar razão à cartomante mas por motivos com que nem o
protagonista nem o espectador sonham. Veja
cenas.
LIVROS
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César: duas visões clássicas
sobre o líder romano
Vidas de César, de
Suetônio e Plutarco (tradução de Antonio da Silveira Mendonça
e Ísis Borges Belchior da Fonseca; Estação Liberdade; 270
páginas; 41 reais) Conquistador da Gália, Júlio César
(100-44 a.C.) tornou-se ditador de Roma em 46 a.C. e foi assassinado dois anos
depois. Esse livro reúne, em edição bilíngüe,
os dois textos biográficos clássicos sobre César: O Divino
Júlio, do romano Suetônio (70-122 d.C.), autor de Vidas dos
Césares, e César, do grego Plutarco (46-119 d.C.), autor
de Vidas Paralelas. Suetônio é um biógrafo mais bisbilhoteiro,
que escava detalhes mundanos da vida de seus personagens. Plutarco dá um
tom mais dramático à vida do líder romano. Juntas, as duas
biografias compõem um painel fascinante de uma das figuras mais importantes
da Antiguidade. Leia
trecho.
Homens
e Não, de Elio Vittorini (tradução de Maria Helena
Arrigucci; Cosac Naify; 264 páginas; 40 reais) O siciliano Elio
Vittorini (1908-1966) foi militante do Partido Comunista e lutou com os partigiani,
a resistência ao nazifascismo na Itália. Sua experiência na
guerra foi fundamental na composição de Homens e Não.
A história tem lugar na Milão ocupada pelos nazistas, em 1944. Ene
2 é um líder partigiano que trava violentos combates com
os alemães, enquanto vive um romance difícil com Berta. A despeito
de sua filiação comunista, Vittorini não fazia proselitismo
fácil nem atrelava sua literatura aos ditames partidários. Não
há exaltação heróica em Homens e Não:
com uma narrativa descontínua, esse é um romance pessimista, que
retrata com crueza a tragédia moral da Europa em guerra. Leia
trecho.
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Calvino: lembranças do Big Bang
Todas as Cosmicômicas,
de Italo Calvino (tradução de Ivo Barroso e Roberta Barni; Companhia
das Letras; 368 páginas; 46 reais) Mestre em jogos literários
que colocam em questão a natureza da realidade, o italiano Italo Calvino
(1923-1985) brincou com a narrativa científica em coletâneas de contos
publicadas na década de 60. O presente volume reúne o primeiro livro
da série, As Cosmicômicas, já conhecido no Brasil,
e sua continuação, T = 0. As duas coletâneas trazem
contos estrelados por Qfwfq, personagem de nome impronunciável que faz
uma espécie de crônica da evolução do universo enquanto
elucubra sobre teorias científicas (verdadeiras ou fajutas, não
importa). Sempre com o humor e a inteligência próprios de Calvino,
essa figura curiosa é capaz de recordar o Big Bang ou o tempo em que foi
um dinossauro. Leia
trecho.
DISCOS
Guarnieri: sinfonias em execução impecável
Camargo
Guarnieri: Sinfonias, Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo (Biscoito Fino) Seis anos atrás, a Osesp assinou contrato
com o selo sueco Bis e deu início à gravação de um
ciclo de sinfonias do compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993).
Um dos autores mais prolíficos do cenário erudito brasileiro, ele
era adepto da escola nacionalista. Tal característica pode ser percebida
pelo título das sinfonias (Brasília, Uirapuru etc.) e pela
influência da música folclórica. Cinco anos depois de seu
lançamento, os álbuns contendo seis sinfonias de Guarnieri finalmente
estão chegando ao mercado brasileiro, a um preço promocional. Além
da qualidade da música do compositor, é uma boa chance para conferir
a execução primorosa da Osesp algo que a orquestra raramente
tem atingido nos dias de hoje.
Have
a Little Faith, The BellRays (Gabeira Records) O quarteto surgido
na Califórnia no início da década passada tem uma sonoridade
muito distinta daquela das bandas do rock atual. Robert Vennum (baixo), Tony Fate
(guitarra) e Craig Waters (bateria) são adeptos do rock de garagem (leia-se:
um estilo em que as músicas são executadas com muita garra e pouco
virtuosismo). Por outro lado, a vocalista Lisa Kekaula é uma soul woman
de primeira grandeza, dona de uma extensão de voz que lhe permite arriscar-se
nas searas do funk e da dance music. Have a Litte Faith, o mais recente
CD do BellRays, acrescenta outros instrumentos e gêneros musicais à
receita. A faixa Third Time's the Charm, por exemplo, ganhou um belo arranjo
de metais, enquanto Lost Disciples traz um acento oriental.