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Edição 2011

6 de junho de 2007
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Cinema
O dia da caça

Em Extermínio 2, tropas americanas tentam
refazer uma Inglaterra devastada por zumbis.
Uma péssima idéia – e um ótimo filme


Isabela Boscov

Divulgação

Zumbis infectados pela fúria perseguem um grupo de sobreviventes: das melhores intenções nascem os piores erros



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Trailer do filme

Em Extermínio, de 2002, Cillian Murphy acordava de um coma de quatro semanas em uma Londres deserta e devastada: durante sua ausência, um vírus capaz de infectar instantaneamente os seres humanos com raiva (não hidrofobia, mas raiva mesmo) escapara de um laboratório e transformara a todos em zumbis devoradores de homens. Murphy se juntava a alguns dos poucos sobreviventes do surto, mas o desfecho acenava com um futuro incerto: por um lado, havia a sorte de a Inglaterra ser uma ilha, o que impedira a disseminação da doença pelo mundo; por outro lado, as condições extremas em que Murphy e seus companheiros se encontravam haviam trazido à tona tudo o que a espécie tem de pior, o que não prometia um recomeço dos mais auspiciosos. Dirigido por Danny Boyle (de Trainspotting), Extermínio e um punhado de outros filmes, como Todo Mundo Quase Morto e Madrugada dos Mortos, trouxeram de volta à cena os zumbis num desses momentos em que eles tipicamente reaparecem no cinema – momentos de crise, instabilidade e mal-estar, como o foi a fase que se seguiu aos atentados de 11 de setembro. Em Extermínio 2 (28 Weeks Later..., Inglaterra, 2007), desde sexta-feira em cartaz no país, o inglês Boyle assume o papel de produtor, troca todo o elenco (Robert Carlyle é o mais conhecido da leva) e cede a direção ao espanhol Juan Carlos Fresnadillo. Mas o contexto dessa continuação excelente é ainda mais claro: passados cerca de seis meses, tropas americanas ocupam a Inglaterra e iniciam o penoso processo de reconstrução, juntando os sobreviventes numa ilha no Rio Tâmisa – de novo, uma tentativa de conter os riscos – e trazendo de volta cidadãos ingleses que estavam fora do país durante a eclosão da epidemia.

O paralelo com a presença americana no Iraque é evidente, mas Boyle e Fresnadillo não estão para exercícios pueris de pichação. Os americanos, pelo menos os que foram enviados à ilha, têm aqui a melhor das intenções. E estão também mortos de medo, encarando uma ameaça que não conhecem por completo e lidando com uma população que tem tantas razões para acolhê-los quanto para se ressentir de sua autoridade. O que interessa à dupla, enfim, não é tomar partido, mas investigar a natureza dessa criatura por si só aberrante – a força de ocupação – e imaginar o que pode dar errado quando ela se instala num território.

Dizer que as coisas dão errado em Extermínio 2 é um eufemismo. Fresnadillo, um nome a ser acompanhado de muito perto, pega pesadíssimo, e o filme não é programa indicado para espectadores de estômago delicado – ou os de pouco fôlego, já que a sensação que se tem é a de passar uma hora e meia sem respirar. Se possível, o espanhol é ainda mais pessimista que Boyle também. Da metade para a frente, o filme se ocupa do salvamento de uma menina e um garoto, irmãos, que por uma questão de hereditariedade podem carregar a chave para uma vacina contra essa fúria que se alastra. Um fuzileiro e uma médica farão de tudo para pô-los fora de risco, submetendo a própria vida à missão. Nada poderia ser mais nobre do que isso – e, como mostra Fresnadillo, criando a deixa para um desde já muito esperado Extermínio 3, nada poderia ser mais equivocado também.

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