Criar revistas
de sexo vira moda entre estudantes americanos e algumas universidades
os apóiam
Marcio
Orsolini
Fotos
Jennifer Karrady
Ming,
editora da H-Bomb, de Harvard: "Os jovens de hoje já se expõem
tanto nos sites de relacionamento que tirar a roupa se torna natural"
Nos
Estados Unidos, uma das obsessões do governo Bush são as campanhas
pela abstinência sexual dos jovens. Neste ano, a verba destinada a elas
alcança 191 milhões de dólares, um salto de 18% em relação
a 2006. Diante disso, é provável que cause calafrios no presidente
a mais recente mania surgida entre os universitários americanos. Em universidades
de prestígio, como Harvard e Yale, alunos passaram a publicar revistas
com conteúdo sexual explícito. Os modelos são os próprios
estudantes, em poses totalmente desinibidas, seja sozinhos, seja protagonizando
cenas eróticas a dois ou em grupo. Em meio às fotos, há desde
reportagens sobre a história dos preservativos até artigos de ambições
intelectuais elevadas sobre as diferenças e similaridades entre os sexos.
Como as universidades enxergam essa iniciativa de seus alunos? Surpresa: algumas
apóiam a idéia, e chegam a contribuir para o orçamento da
revista. A Universidade Harvard destina 2.000 dólares mensais para ajudar
na publicação da H-Bomb, que tem como subtítulo "Uma
revista literária sobre sexo e assuntos sexuais". Já a Universidade
de Boston condena a publicação da Boink. Revistas similares
circulam em outras cinco universidades de elite, entre elas Yale (Sway),
Chicago (Vita Excolatur) e Vassar (Squirm).
Diante dessas publicações inesperadas, a questão que surge
é: por que jovens da elite americana expõem sua reputação
numa atividade quase sempre associada à vulgaridade como a pornografia?
A estudante Alecia Oleyourryk, fundadora da Boink, diz que a questão
não é por que posar sem roupa mas por que não fazê-lo.
Ela argumenta que sua geração cresceu absorvendo as lições
eróticas da cantora Madonna, acompanhando os detalhes íntimos do
caso do presidente Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinsky e sendo
advertida desde a pré-adolescência sobre a importância da camisinha.
"Aprendemos que é maravilhoso proporcionar prazer aos outros. Por que não
fazê-lo numa revista elaborada por estudantes para os próprios estudantes?",
disse ela a VEJA. Os alunos que publicam as revistas de sexo fazem tudo para que
elas circulem o menos possível fora dos campi na versão on-line,
por exemplo, só a Boink mostra fotos picantes. "Os jovens hoje se
expõem tanto entre si nos sites de relacionamento que posar sem roupa se
torna um passo natural", diz a estudante Ming Vandenberg, editora da H-Bomb.
Diante de argumentos como esse, haja verbas para as campanhas de Bush pela abstinência
sexual.
Alecia,
editora da Boink, da Universidade de Boston: "Minha geração
aprendeu com Madonna que é maravilhoso proporcionar prazer aos outros"