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6 de junho de 2007
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Comportamento
Sem roupa no campus

Criar revistas de sexo vira moda entre estudantes
americanos – e algumas universidades os apóiam


Marcio Orsolini

 
Fotos Jennifer Karrady
Ming, editora da H-Bomb, de Harvard: "Os jovens de hoje já se expõem tanto nos sites de relacionamento que tirar a roupa se torna natural"

Nos Estados Unidos, uma das obsessões do governo Bush são as campanhas pela abstinência sexual dos jovens. Neste ano, a verba destinada a elas alcança 191 milhões de dólares, um salto de 18% em relação a 2006. Diante disso, é provável que cause calafrios no presidente a mais recente mania surgida entre os universitários americanos. Em universidades de prestígio, como Harvard e Yale, alunos passaram a publicar revistas com conteúdo sexual explícito. Os modelos são os próprios estudantes, em poses totalmente desinibidas, seja sozinhos, seja protagonizando cenas eróticas a dois ou em grupo. Em meio às fotos, há desde reportagens sobre a história dos preservativos até artigos de ambições intelectuais elevadas sobre as diferenças e similaridades entre os sexos. Como as universidades enxergam essa iniciativa de seus alunos? Surpresa: algumas apóiam a idéia, e chegam a contribuir para o orçamento da revista. A Universidade Harvard destina 2.000 dólares mensais para ajudar na publicação da H-Bomb, que tem como subtítulo "Uma revista literária sobre sexo e assuntos sexuais". Já a Universidade de Boston condena a publicação da Boink. Revistas similares circulam em outras cinco universidades de elite, entre elas Yale (Sway), Chicago (Vita Excolatur) e Vassar (Squirm).

Diante dessas publicações inesperadas, a questão que surge é: por que jovens da elite americana expõem sua reputação numa atividade quase sempre associada à vulgaridade como a pornografia? A estudante Alecia Oleyourryk, fundadora da Boink, diz que a questão não é por que posar sem roupa – mas por que não fazê-lo. Ela argumenta que sua geração cresceu absorvendo as lições eróticas da cantora Madonna, acompanhando os detalhes íntimos do caso do presidente Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinsky e sendo advertida desde a pré-adolescência sobre a importância da camisinha. "Aprendemos que é maravilhoso proporcionar prazer aos outros. Por que não fazê-lo numa revista elaborada por estudantes para os próprios estudantes?", disse ela a VEJA. Os alunos que publicam as revistas de sexo fazem tudo para que elas circulem o menos possível fora dos campi – na versão on-line, por exemplo, só a Boink mostra fotos picantes. "Os jovens hoje se expõem tanto entre si nos sites de relacionamento que posar sem roupa se torna um passo natural", diz a estudante Ming Vandenberg, editora da H-Bomb. Diante de argumentos como esse, haja verbas para as campanhas de Bush pela abstinência sexual.

 
Alecia, editora da Boink, da Universidade de Boston: "Minha geração aprendeu com Madonna que é maravilhoso proporcionar prazer aos outros"

 

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