A grande
promessa dos raios ultracurtos, tão rápidos que não esquentam
a pele
Carlos
Rydlewski
Richard
Morgenstein
A
máquina da Raydiance: novas aplicações em 2007
As
tatuagens estão na moda, e ao menos uma pequenina se tornou adorno quase
obrigatório entre os jovens. O problema é que elas são para
sempre. A remoção desses desenhos, mesmo quando realizada com técnicas
avançadas, deixa vestígios. Pelo menos é assim agora. Uma
esperança de tratamento eficiente, capaz de apagar o mais relutante traço
de tinta, surgiu com o desenvolvimento de novas aplicações de um
tipo específico de laser. Não se trata do raio convencional, que
emite um feixe contínuo de luz, mas do que os técnicos chamam de
pulsos ultracurtos (USP, na sigla em inglês) de laser. Eles são tão
rápidos que podem durar milésimos de bilionésimos de segundo.
Essa velocidade não permite a condução de calor. Os jatos
de energia nem sequer esquentam a superfície da pele. Tal peculiaridade
não apenas torna os pulsos ultracurtos eficazes para a remoção
de tatuagens, como também permite a realização de cirurgias
mais precisas, com menor risco de seqüelas. Há várias outras
aplicações para a tecnologia: englobam desde a pesquisa em biologia
molecular até a localização de armas atômicas (veja
quadro ao lado).
Os pulsos
ultracurtos de laser são conhecidos desde o fim da década de 70.
O uso prático desse recurso nunca se tornou viável pelo custo altíssimo,
pela dificuldade de manipulá-lo restrita a um punhado de PhDs
e pelo grande tamanho das máquinas de laboratório. A Raydiance,
uma empresa da Flórida, tem planos de mudar isso. Uma entre meia dúzia
de empresas que conseguiram reduzir os emissores de USP ao tamanho de máquinas
de lavar roupa, ela foi a que empacotou a tecnologia de maneira mais simples e
econômica. No ano passado, a Raydiance enviou um protótipo de equipamento
de laser ultracurto para ser analisado pelo FDA, a agência regulatória
americana. Avaliações da máquina também estão
sendo realizadas em universidades, centros de pesquisa de empresas e hospitais,
bem como na Marinha e no Exército americanos. "Com essas análises,
vamos confirmar novos usos e desenvolver outras aplicações para
a tecnologia. Elas devem estar disponíveis no máximo até
o próximo ano", disse a VEJA Scott Davison, presidente da Raydiance.