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6 de junho de 2007
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Celebridades
Operação imagem

Insultou, bebeu, cheirou, deu vexame?
Famosos correm para a clínica de recuperação


Bel Moherdaui

Quem acompanha o mundo das celebridades e vê a atriz americana Lindsay Lohan desmaiada de tanto beber, sente pena e constrangimento diante do espetáculo de autodestruição de mais uma jovem famosa. Mas também não pode evitar a pergunta: quando ela vai se internar na clínica de recuperação? Não é excesso de cinismo. Nos Estados Unidos em especial, já virou uma espécie de ritual contemporâneo de expiação pública. Diante de um flagrante com drogas ou bebida, insultos a minorias e surtos em geral, o caminho mais rápido para recuperar a imagem abalada é fazer uma temporada na clínica – prática tão comum que já é chamada em inglês pela forma simplificada, rehab, de reabilitação. Foi exatamente o que aconteceu com Lindsay, que baixou na clínica Promises, em Malibu, a praia dos famosos em Los Angeles, para a segunda internação de sua precoce carreira – em janeiro, passou um mês na Wonderland, em Hollywood, e ao sair espalhou que estava freqüentando os Alcoólicos Anônimos. "Essa estratégia tem sido adotada há décadas como forma de tirar uma celebridade do centro das atenções. Funcionava porque, com a pessoa inacessível, a história sumia da imprensa. A diferença é que hoje, com a internet, blogs e afins, as histórias parecem não sair da pauta nunca", disse, em entrevista a VEJA, James Lukaszewski, professor de estratégia de comunicação de crise da Universidade de Nova York.

Lindsay foi parar na Promises depois de um feriadão em que, alta madrugada, bateu o carro, no qual a polícia encontrou cocaína – em agosto, enfrentará uma audiência na Justiça por dirigir embriagada. Liberada, caiu na noite novamente, apagou na calçada ao deixar uma boate e teve de ser carregada até o carro. Na mesma Promises, outra estrelinha da pá virada, Britney Spears, passou 29 dias no começo do ano, expiando uma seqüência de altas farras e o bizarro episódio da máquina zero. Antes delas, o ator Mel Gibson, pego dirigindo bêbado, disparou memorável tirada anti-semita, pediu desculpas e foi para a clínica. Flagrada por um tablóide inglês no ano passado cheirando cocaína, a modelo Kate Moss refugiou-se por um mês na The Meadows, no Arizona. Em dezembro, a então miss Estados Unidos Tara Conner, ameaçada de perder a coroa por "mau comportamento", pediu desculpas públicas e internou-se por um mês. Preventivamente, a cantora inglesa Amy Winehouse, que se encaixa no perfil, fez até ironia, em forma de música, com a tentativa de enquadramento feita por seu empresário: "They tried to make me go to rehab, I said no, no, no" (Quiseram me pôr na clínica, eu disse não, não, não).

Para agradar e atrair os clientes ("paciente" é termo malvisto) famosos, as clínicas oferecem instalações de luxo e tratamentos a jato – bastam uns poucos dias para o pecador sair de lá com a alma lavada e a imagem supostamente recuperada. "Eu sou contra internações longas, mas menos de quinze dias não adianta nada. Procurar uma clínica de reabilitação para dar uma relaxada ou por ter cometido um ato impróprio é puro teatro, do ponto de vista médico", critica o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo. Clínicas para viciados não precisam ser monásticas ou excessivamente severas. Fundada pelo músico Eric Clapton, que conseguiu se livrar da maldição da heroína, a clínica Crossroads, em Antígua, oferece tratamento sério, massagens e exercícios na praia. Tudo num cenário deslumbrante, ao preço de 19.000 dólares pelo pacote de 29 dias. Na concorrida Promises, em Malibu, onde já se hospedaram Ben Affleck, Charlie Sheen, Diana Ross e Matthew Perry, o site anuncia "luxo excepcional" e infra-estrutura para quem procura "o mais refinado programa de recuperação do mundo". "Essas clínicas investem pesado em marketing. Se antigamente internar-se era motivo de vergonha, hoje se chega ao outro extremo, que é a glamourização", avalia o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Universidade Federal de São Paulo, especializado em dependentes químicos.

No Brasil, o episódio mais conhecido de salvação pela clínica foi o da atriz Vera Fischer, e o mais recente, o do policial Marcelo Silva, marido da atriz Susana Vieira e protagonista de notório episódio de quebra-quebra num motel. "Estava bebendo demais, me sentindo deprimido", conta Silva, que passou quarenta dias na Clínica Jorge Jaber, no Rio de Janeiro. Desde então, faz terapia e diz que não bebe mais. Já Lindsay Lohan até agora mantém de pé a festa de 21 anos em Las Vegas, no dia 2 de julho, embora o principal patrocinador – uma marca de vodca – tenha optado por sair de cena. É difícil não perguntar: quando será a próxima internação?

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