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Edição 2011

6 de junho de 2007
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Carta ao leitor
Lição de liberdade

Jorge Silva/Reuters
Protesto contra o fechamento da RCTV: a situação na Venezuela inquieta os democratas da América Latina

A escalada totalitária na Venezuela não é motivo de preocupação apenas para os venezuelanos. É também fonte de inquietação para todos aqueles que, na América Latina, defendem a democracia e seus pilares: a liberdade de opinião, de expressão e de associação e a livre-iniciativa. Tais pilares estão sendo gradativamente destruídos no país vizinho pelo presidente Hugo Chávez. Na semana passada, ele desferiu mais um golpe contra a democracia, ao cumprir a sua ameaça de fechar a emissora RCTV, a de maior audiência da Venezuela. Chávez o fez simplesmente porque em seus telejornais a RCTV não seguia à risca a cartilha de louvação a tudo o que Chávez faz ou diz. Nas páginas amarelas desta edição, o proprietário da RCTV, Marcel Granier, fala ao repórter Fábio Portela sobre o cerco chavista que acabou por levar ao fechamento da emissora. Granier é um homem de coragem. Na derradeira transmissão da RCTV, que será substituída no ar por um canal dirigido por comparsas de Chávez, ele fez um discurso memorável: "De que nos acusam? De pensar com independência, de exercer um jornalismo crítico, de levar à tela da televisão, com sentido democrático e venezuelano, visões e opiniões distintas das do governo nacional. De rechaçar o sectarismo e a exclusão. De ser dignos como sabemos que são dignos os venezuelanos que lutam pela liberdade". Uma bela lição.

Hugo Chávez quer ser Fidel Castro, mas a Venezuela não quer ser Cuba. Na semana de fechamento da RCTV, uma onda de protestos tomou conta das ruas de Caracas. Seus protagonistas são estudantes que, ao defender a liberdade de expressão e opinião, enfrentam os cassetetes e as bombas da polícia chavista. Essa juventude, escarnecida pelo tirano, é a prova de que ele não conseguiu abolir todos os sinais de vida inteligente no país, como mostra o repórter Duda Teixeira, enviado por VEJA à Venezuela. Os estudantes daquele país deveriam servir de exemplo aos jovens da América Latina, na luta contra o populismo que lhes ameaça o futuro e o de suas nações.

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