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Vergonha pública

Criminosos sexuais têm suas
casas marcadas por juiz no Texas

 

AP

Placa afixada em catorze casas na cidade de Corpus Christi, no Texas: "Perigo. Aqui vive um molestador sexual"

Nos primórdios da colonização americana as mulheres acusadas de infidelidade eram condenadas pelos religiosos a usar costurado em tecido vermelho em suas roupas um "A", de adúltera. Era a letra escarlate, título do famoso romance de Nathaniel Hawthorne (1804-1864). Mais de três séculos depois, um juiz da pequena cidade americana de Corpus Christi, no Texas, reviveu a prática de tornar pública a condenação por desvio de conduta sexual. O juiz estadual Manuel Banales mandou afixar placas nos jardins e nas portas de entrada de catorze casas onde moram comprovados molestadores sexuais. As placas dizem "Perigo. Aqui vive um molestador sexual". Todos já estão devidamente fichados, com foto, nome, endereço e crimes divulgados na internet e publicados nos jornais locais, mas o juiz achou que deveria ser ainda mais incisivo."Sei que as placas podem incitar a violência contra esses homens, mas proteger nossas crianças é uma questão mais importante", diz.

As providências tomadas por Banales provocaram fortes reações no Texas. "Estão marcando esses homens a ferro", diz Gerald Rogen, presidente da associação local dos advogados de defesa. Segundo ele, nenhum dos catorze condenados chegou a ser preso. Entre os marcados estão adultos acusados de molestar adolescentes e rapazes de 18 ou 20 anos que transaram com suas namoradas de 14 ou 16. Seus crimes sexuais foram considerados leves. Um dos marcados, por exemplo, é James Williams, de 43 anos, acusado de ter apalpado a filha de 15 anos de sua namorada. "Não consigo mais ir trabalhar e só saio de casa para comprar comida", diz Williams. Além da placa no jardim, o juiz mandou produzir um adesivo de identificação de molestadores de crianças e adolescentes para ser fixado no pára-choque dos carros. Para evitar que usem outro veículo sem a marca escarlate, eles são obrigados a levar consigo uma pequena placa com ventosas, como aquela com os dizeres "bebê a bordo", para ser pendurada na janela de qualquer automóvel que os conduza. "Sei que as pessoas olham para mim como se eu fosse um lixo humano", diz Williams. A decisão do juiz ainda será avaliada por um tribunal superior e pode ser revertida. A tendência é que seja – ou que tenha sua aplicação apenas contra pedófilos reincidentes que tenham obtido liberdade condicional.

   
 
   
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