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VEJA Recomenda CINEMA
ALEXANDRA (Aleksandra, Rússia/França, 2007. Desde sexta-feira em cartaz) A ideia em si já é belíssima: uma avó pega carona em trens militares e tanques para ir visitar o neto, capitão do Exército russo estacionado em um acampamento na Chechênia rebelde. E a execução do grande diretor Aleksandr Sokurov, então, é superlativa. Filmando em locação, numa caserna caindo aos pedaços onde mal há o que comer e em uma cidade chechena semidestruída e dependente do comércio miúdo com seus invasores para sobreviver, Sokurov mostra imensa compaixão para com os dois lados. Os soldados russos, na maioria ainda quase meninos, cercam a velha Alexandra como abelhas meio tontas carentes, sofridos e sem nada que alivie sua rotina massacrante, eles tocam Alexandra a cada oportunidade, arrumam flores na mesa do seu almoço, cercam-na de atenções e se deleitam com suas broncas. Na cidade chechena, onde Alexandra vai fazer compras, a experiência é outra: hostilidade por parte dos homens, humilhados pela ocupação, e comunhão com as mulheres, para quem a guerra é só mais uma entre tantas penúrias. Interpretada pela soprano Galina Vishnevskaya, um ícone da ópera, a protagonista é uma personagem rica e repleta, que simboliza também um desamparo extremo aquele deixado pelo colapso da "Mãe Rússia" e a falta de qualquer coisa mais sólida que possa tomar o seu lugar.
Video
DVD
LIVE AT LAST: A WONDER SUMMER NIGHT, Stevie Wonder (Universal) Ícone da Motown, gravadora que abrigou os maiores astros da soul music, Stevie Wonder sempre foi um extraordinário entertainer. Canta divinamente, toca vários instrumentos e conhece a difícil arte de conquistar as plateias. É de surpreender, portanto, que os registros de suas apresentações ao vivo tenham sido tão raros em mais de quarenta anos de carreira. Gravado em 2008, no 02 Arena, em Londres, durante a turnê do disco A Time to Love, o DVD Live at Last corrige essa falha. O repertório abrange todas as fases da carreira de Wonder com destaque para canções da década de 70, auge criativo do compositor, como You Are the Sunshine of My Life e Sir Duke e uma bela surpresa: All Blues, de Miles Davis.
DISCO
TOGETHER THROUGH LIFE, Bob Dylan (Sony) Em entrevista publicada em seu site oficial, o cantor e compositor americano Bob Dylan disse que Together Through Life teria como inspiração "os discos da Sun e da Chess", gravadoras que propagaram o rock e o blues da década de 50. Falava sério. O novo trabalho tem uma pegada mais roqueira que seu antecessor, Modern Times. As dez faixas do álbum se alternam entre o blues acelerado e o honky tonk (um parente country do rocknroll). As letras de Dylan seguem misturando dramas pessoais e considerações políticas vão do romance à crise econômica. Os entusiastas do blues vão reconhecer citações que Dylan fez de alguns clássicos do gênero, como I Just Want to Make Love to You, de Willie Dixon (em My Wifes Home Town).
LIVRO
VIDA CONJUGAL, de Sergio Pitol (tradução de Bernardo Ajzenberg; Companhia das Letras; 112 páginas; 32 reais) Nascido em 1933, Sergio Pitol é um dos maiores nomes da literatura mexicana contemporânea. Ganhador do Prêmio Cervantes a mais prestigiosa distinção para escritores de língua espanhola de 2005, é contista, ensaísta e romancista, além de um reputado tradutor, especialmente de autores do Leste Europeu (onde ele serviu como diplomata) como o polonês Witold Gombrowicz. Publicado em espanhol em 1991 e só agora lançado no Brasil, Vida Conjugal revela um agudo satirista social. O livro acompanha o desventurado casamento de Jacqueline Cascorro e Nicolás Lobato, dupla de arrivistas da Cidade do México. Eles vivem um relacionamento frustrante e medíocre, pontuado pela infidelidade. Jacqueline pede a seus amantes que matem o marido mas, bem de acordo com o divertido tom de farsa do romance, seus enredos assassinos sempre falham. Leia trecho.
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