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VEJA Recomenda DVDs
O Pântano (La Ciénaga, Argentina/França/Espanha,
2001. Videofilmes) Numa casa de campo que é uma ruína de
dias melhores, uma família está também ela se decompondo
em todos os sentidos. Quando a matriarca tropeça à beira
da piscina pútrida e cai sobre um amontoado de cacos de vidros, no acontecimento
que dá início ao filme, ninguém, nem mesmo ela, é
capaz de sair de seu estupor alcoólico para reagir. No longa-metragem de
estréia da talentosa diretora argentina Lucrecia Martel, até uma
cadeira sendo arrastada parece prenunciar o destino nefasto que irá despencar
sobre os personagens. Não por acaso, não erra quem enxergar na cacofonia
de infelicidades e rancores de O Pântano também uma alegoria
da Argentina dos dias de hoje. Veja
cenas. Muito Barulho por Nada
(Much Ado About Nothing, Inglaterra/Estados Unidos, 1993. PlayArte)
Em seguida ao dramático Henrique V, lançado quatro anos antes,
o diretor e ator irlandês Kenneth Branagh decidiu partir para o modo "Shakespeare
light" com essa deliciosa comédia sobre desentendimentos amorosos variados.
A encenação (toda ela ambientada nas paisagens ensolaradas da Toscana)
é das mais inspiradas, e a escalação do elenco é em
si uma brincadeira: de Keanu Reeves a Denzel Washington e Michael Keaton, aqui
há atores de todas as estirpes. O destaque, porém, vai mesmo para
Emma Thompson (então casada com Branagh), luminosa como nunca. DISCOS
Everything's
OK, Al Green (EMI) Um dos grandes nomes do soul, o americano Al
Green é um cantor dividido entre a música e a religião. Na
adolescência, foi expulso de casa por ouvir discos do gênero em que
viria a cantar a "música do diabo", no entender de seu pai. Ficaria
famoso por apimentar ainda mais o soul, ao injetar-lhe doses maciças de
libido. Mas, depois que uma namorada o queimou com mingau fervente e se suicidou,
em 1975, Green abandonou a vida de esbórnia, tornou-se pastor e passou
a cantar gospel. Afora gravações esparsas, só retomou sua
carreira em 2002, e em grande estilo, com o CD I Can't Stop. Mais um disco
dessa nova fase, Everything's OK não fica a dever ao antecessor.
As letras do cantor estão menos abusadas do que nos anos 70, mas seu vozeirão
continua sensual. Divulgação
 |  | | Kings
of Leon: a boa farra do rock | |
Aha
Shake Heartbreak, Kings of Leon (Sony/BMG) O Kings of Leon é
formado por três irmãos e um primo oriundos de uma família
ultra-religiosa do sul dos Estados Unidos. Isso não significa, em absoluto,
que sejam uma "banda família". Em seu cruzamento do estilo caipira de um
Creedence Clearwater Revival com a sonoridade crua do punk, eles renovam aquele
espírito farrista e insolente que sempre foi a marca do rock. Depois da
celebrada estréia com Youth & Young Manhood, eles chegam ao
segundo álbum com a reputação consolidada de festeiros quase
selvagens, com as guitarras ainda mais afiadas e letras que celebram os amores
de uma noite só. LIVROS Revolução
Difícil, de George Pelecanos (tradução de Beth Vieira;
Companhia das Letras; 416 páginas; 41 reais) Ao lado de Dennis Lehane,
George Pelecanos é o mais aclamado escritor da literatura policial contemporânea
nos Estados Unidos. Revolução Difícil, seu 12º
livro e o primeiro publicado no Brasil , é um exemplo de sua
habilidade em cruzar enredos criminais com temas políticos e sociais. O
livro se centra nos distúrbios que se seguiram ao assassinato do líder
negro Martin Luther King, em 1968. O policial negro Derek Strange, o herói
da história, caça um assassino ligado a uma gangue e enfrenta, ao
mesmo tempo, o preconceito racial de seus colegas e o repúdio de sua comunidade,
que o vê como traidor. Leia
trecho. Balada
Russa, de Wladimir Kaminer (tradução de Claudia Abeling;
Globo; 192 páginas; 32 reais) Kaminer é um judeu russo que
emigrou para Berlim com 22 anos. Hoje, mais de uma década depois, ele é
um exemplo de imigrante bem-sucedido: tem um programa de TV, trabalha como DJ,
colabora com a imprensa e o teatro alemães. Não bastasse isso, sua
estréia como escritor transformou-o num fenômeno editorial. Balada
Russa, o livro em questão, é uma coletânea de contos sobre
a vida dos imigrantes russos na agitada Berlim. Trata-se de uma visão bem-humorada
e às vezes pitoresca das dificuldades desses personagens
no dia-a-dia. O título original, Russendisko, é o nome das
noitadas que Kaminer comanda como DJ numa boate berlinense.
O
General do Exército Morto, de Ismail Kadaré (tradução
de Rejane Janowitzer; Objetiva; 312 páginas; 44,90 reais) O albanês
Kadaré colocou seu país natal no mapa da literatura contemporânea.
Mas a Albânia não ganha um retrato lisonjeiro nesse livro de 1970,
só agora lançado no Brasil. O general referido no título
é um italiano que recebe a missão de rastrear o território
albanês em busca dos restos de seus compatriotas mortos durante a II Guerra
Mundial. A guerra, porém, acabou há mais de vinte anos, e a tarefa
é árdua, quase impossível. Munido de mapas e registros e
acompanhado de um padre, o general enfrenta o tempo permanentemente ruim e a resistência
da população. Seu fracasso é uma poderosa alegoria da violência
e da futilidade da guerra. Leia
trecho. |