Edição 1899 . 6 de abril de 2005

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DVDs

O Pântano (La Ciénaga, Argentina/França/Espanha, 2001. Videofilmes) – Numa casa de campo que é uma ruína de dias melhores, uma família está também ela se decompondo – em todos os sentidos. Quando a matriarca tropeça à beira da piscina pútrida e cai sobre um amontoado de cacos de vidros, no acontecimento que dá início ao filme, ninguém, nem mesmo ela, é capaz de sair de seu estupor alcoólico para reagir. No longa-metragem de estréia da talentosa diretora argentina Lucrecia Martel, até uma cadeira sendo arrastada parece prenunciar o destino nefasto que irá despencar sobre os personagens. Não por acaso, não erra quem enxergar na cacofonia de infelicidades e rancores de O Pântano também uma alegoria da Argentina dos dias de hoje. Veja cenas.

Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing, Inglaterra/Estados Unidos, 1993. PlayArte) – Em seguida ao dramático Henrique V, lançado quatro anos antes, o diretor e ator irlandês Kenneth Branagh decidiu partir para o modo "Shakespeare light" com essa deliciosa comédia sobre desentendimentos amorosos variados. A encenação (toda ela ambientada nas paisagens ensolaradas da Toscana) é das mais inspiradas, e a escalação do elenco é em si uma brincadeira: de Keanu Reeves a Denzel Washington e Michael Keaton, aqui há atores de todas as estirpes. O destaque, porém, vai mesmo para Emma Thompson (então casada com Branagh), luminosa como nunca.

 

DISCOS

Everything's OK, Al Green (EMI) – Um dos grandes nomes do soul, o americano Al Green é um cantor dividido entre a música e a religião. Na adolescência, foi expulso de casa por ouvir discos do gênero em que viria a cantar – a "música do diabo", no entender de seu pai. Ficaria famoso por apimentar ainda mais o soul, ao injetar-lhe doses maciças de libido. Mas, depois que uma namorada o queimou com mingau fervente e se suicidou, em 1975, Green abandonou a vida de esbórnia, tornou-se pastor e passou a cantar gospel. Afora gravações esparsas, só retomou sua carreira em 2002, e em grande estilo, com o CD I Can't Stop. Mais um disco dessa nova fase, Everything's OK não fica a dever ao antecessor. As letras do cantor estão menos abusadas do que nos anos 70, mas seu vozeirão continua sensual.

 
Divulgação
Kings of Leon: a boa farra do rock  

Aha Shake Heartbreak, Kings of Leon (Sony/BMG) – O Kings of Leon é formado por três irmãos e um primo oriundos de uma família ultra-religiosa do sul dos Estados Unidos. Isso não significa, em absoluto, que sejam uma "banda família". Em seu cruzamento do estilo caipira de um Creedence Clearwater Revival com a sonoridade crua do punk, eles renovam aquele espírito farrista e insolente que sempre foi a marca do rock. Depois da celebrada estréia com Youth & Young Manhood, eles chegam ao segundo álbum com a reputação consolidada de festeiros quase selvagens, com as guitarras ainda mais afiadas e letras que celebram os amores de uma noite só.

 

LIVROS

Revolução Difícil, de George Pelecanos (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 416 páginas; 41 reais) – Ao lado de Dennis Lehane, George Pelecanos é o mais aclamado escritor da literatura policial contemporânea nos Estados Unidos. Revolução Difícil, seu 12º livro – e o primeiro publicado no Brasil –, é um exemplo de sua habilidade em cruzar enredos criminais com temas políticos e sociais. O livro se centra nos distúrbios que se seguiram ao assassinato do líder negro Martin Luther King, em 1968. O policial negro Derek Strange, o herói da história, caça um assassino ligado a uma gangue e enfrenta, ao mesmo tempo, o preconceito racial de seus colegas e o repúdio de sua comunidade, que o vê como traidor. Leia trecho.

Balada Russa, de Wladimir Kaminer (tradução de Claudia Abeling; Globo; 192 páginas; 32 reais) – Kaminer é um judeu russo que emigrou para Berlim com 22 anos. Hoje, mais de uma década depois, ele é um exemplo de imigrante bem-sucedido: tem um programa de TV, trabalha como DJ, colabora com a imprensa e o teatro alemães. Não bastasse isso, sua estréia como escritor transformou-o num fenômeno editorial. Balada Russa, o livro em questão, é uma coletânea de contos sobre a vida dos imigrantes russos na agitada Berlim. Trata-se de uma visão bem-humorada – e às vezes pitoresca – das dificuldades desses personagens no dia-a-dia. O título original, Russendisko, é o nome das noitadas que Kaminer comanda como DJ numa boate berlinense.

O General do Exército Morto, de Ismail Kadaré (tradução de Rejane Janowitzer; Objetiva; 312 páginas; 44,90 reais) – O albanês Kadaré colocou seu país natal no mapa da literatura contemporânea. Mas a Albânia não ganha um retrato lisonjeiro nesse livro de 1970, só agora lançado no Brasil. O general referido no título é um italiano que recebe a missão de rastrear o território albanês em busca dos restos de seus compatriotas mortos durante a II Guerra Mundial. A guerra, porém, acabou há mais de vinte anos, e a tarefa é árdua, quase impossível. Munido de mapas e registros e acompanhado de um padre, o general enfrenta o tempo permanentemente ruim e a resistência da população. Seu fracasso é uma poderosa alegoria da violência e da futilidade da guerra. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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