Edição 1899 . 6 de abril de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
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Veja essa
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Datas
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Cartas

 
"O milagre aconteceu: o povo libanês, que vem sofrendo há trinta anos, presenciou esse milagre que todos nós esperávamos."
Rima Rabahi
Por e-mail

Líbano

A reportagem de capa da edição 1 898 ("O despertar árabe" e "A maré da democracia", 30 de março), assinada pela editora executiva Vilma Gryzinski, é o tipo de texto jornalístico para ser devorado com os olhos mas também para ser lido com o coração. Filho de libanês, orgulhoso descendente dessa gente de fibra e de coragem, eu me comovi com a rica, precisa e calorosa descrição deste momento em que o povo do Líbano retoma em suas mãos, com bravura histórica, o próprio destino.
Roger Abdelmassih
São Paulo, SP  

Desde a guerra civil, tropas sírias ocupam o solo libanês e usurpam seu patrimônio e seus habitantes. É muito provável que o governo ditatorial da Síria esteja por trás do assassinato de Rafik Al Hariri, como também pode estar por trás das bombas que têm explodido em Beirute. A intenção do governo sírio é desestabilizar o Líbano e assim justificar sua permanência no país mais plural do Oriente Médio e um dos poucos, se não o único da região, que tem consciência do respeito às liberdades civis. A soberania libanesa deve ser respeitada. Matéria lúcida e esclarecedora, a revista descreveu com precisão a realidade política e social do Líbano para o público brasileiro.
Muna Omran
Rio de Janeiro, RJ  

Tudo leva a crer que nas mil e uma noites não existirão mais pesadelos. O bicho-papão da intolerância e do fanatismo está sendo expulso pela luz da mãe liberdade. O Líbano, que sempre foi o maior amigo do povo de Israel, passou a reconhecer na intolerância dos próprios irmãos árabes a principal fonte de suas mazelas. Seja bem-vinda, liberdade!
Ahmed Youssef Abdallah Dib
São Paulo, SP  

Nada melhor para realçar quanto é bonita a luta da liberdade, tentando vencer a opressão, do que a beleza da jovem libanesa de braços erguidos protestando contra a ocupação em seu país.
Cesar H.A. Carvalho
Brasília, DF  

Quem se propõe a cultivar um jornalismo sério e compromissado com a realidade não deve teimosa e inexplicavelmente insistir na abordagem fútil, mencionando que "damas da sociedade desfilam roupas e acessórios das grifes mais finas" ou que "é a própria imagem do muçulmano moderno: jovem, bonito, rico". Acredito que a informação sem discurso dispensável fica muito mais atraente. Pretendo ler VEJA por muitas e muitas edições, mesmo tendo o trabalho de filtrar do texto tudo o que foi acrescentado, na minha opinião, artificialmente às matérias.
Rubens Cláudio Rocha do Carmo
São Paulo, SP  

Quebrando tabus da ignorância humana, destituindo ordens famigeradas contra o direito da livre opinião. Assim caminha a humanidade em sua luta cada vez mais edificante contra a tirania e as desigualdades. VEJA faz uma inesquecível matéria contra idéias retrógradas que marginalizam povos. Difícil acreditar que ainda haja nações no planeta que vivem e lutam pela soberania de suas idéias.
Júnior Chisté
Xaxim, SC  

Finalmente o Líbano pôde mostrar sua força e começar a respirar aliviado. Cresci vendo meus pais e avós sufocados por uma guerra civil baseada em interesses de grupos que nunca falaram a mesma língua. Mas agora é diferente. Quando deparo com milhares de jovens que incansavelmente, diariamente, manifestam sua vontade – independentemente de religião –, fico feliz por ver que deve haver luz no fim do túnel.
Patrícia Wassaf Salhab
Campinas, SP  

Só de ver mulheres nas costas de homens, com a barriga de fora, protestando a favor ou contra a Síria no Líbano, já dá para sentir o cheiro de democracia por lá. Veja as fotos da edição de 16 de março na manifestação do Hezbollah e a capa da edição de 30 de março de 2005 contra a Síria.
Tulio R.P. Couceiro
Recife, PE  

A reportagem "A maré da democracia" (30 de março), sintetizada e ornada com fotos sugestivas, conta o amargo episódio de ingerência síria na outrora conhecida como "Suíça árabe" que é o Líbano, dando uma idéia das intrínsecas e paradoxais misturas de política com as religiões cristã, muçulmana e suas várias vertentes, trabalho que só dignifica e enobrece publicações como VEJA.
Modesto Laruccia
Por e-mail  

A democracia no Oriente Médio só será possível depois que aquele povo se livrar de dois ranços históricos: o machismo exacerbado e o fanatismo religioso.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT  

Enquanto perdurar o ódio e o espírito de vingança no coração do povo do Oriente Médio, a democracia jamais será restabelecida.
Sergio Dias Nunes
São Caetano do Sul, SP

 

Reforma ministerial

VEJA coloca o dedo na ferida ao mostrar que as forças do atraso estão mais presentes do que nunca. Toda a atual geração de políticos, sem exceção, já entrou para a história pelos absurdos e descalabros que vêm se reproduzindo no país ultimamente. Pergunto aos partidos ditos sérios, e à esquerda em geral, até quando vamos continuar tolerando essa política de quinto mundo? Reforma política já ("O lixo que assustou Lula", 30 de março)!
Simon Podolsky Sala
Araraquara, SP

 

A angústia de Lula

Como médica veterinária e especialista em genética de suínos, gostaria de fazer uma pequena correção quanto ao conteúdo da reportagem "O peso do poder" (30 de março). A carne suína não é mais uma "bomba calórica"; ela o foi há umas três décadas, mas, a partir de então, com os ganhos genéticos advindos de programas de melhoramento, somados a ganhos expressivos na ciência da nutrição dos animais domésticos, os suínos têm hoje uma carne tão magra quanto a de frango, por exemplo, chegando em alguns cortes a ter gordura inferior à carne de bovinos.
Professora Simone E.F. Guimarães
Departamento de zootecnia
Universidade Federal de Viçosa (MG)

 

O direito de morrer

Em seu mais recente livro, Memory and Identity, o papa João Paulo II diz que a crise de nossos dias está na presunção de que podemos decidir o que é bom e o que é ruim para nós mesmos sem levarmos em consideração Deus e os Seus desígnios. Enquanto Terri Schiavo sofre uma morte lenta e talvez dolorosa, ela, mesmo sem voz, parece dizer, como Jesus também disse, "Tenho sede" ("Um debate sobre a vida", 30 de março).
Adriana Cunha Costa
Washington, DC, EUA  

VEJA errou ao dizer o que aconteceria com Terri Schiavo depois da retirada da sonda que a alimentava: "Ela morrerá de fome e sede em uma ou duas semanas, segundo os médicos que a acompanham". A frase é tendenciosa, favorável ao argumento daqueles que são contra a retirada da tal sonda, porque implica que haverá na paciente sensação de necessidade de alimentos e líquidos (fome e sede), quando os médicos e o próprio artigo já afirmaram que ela é absolutamente incapaz de ter qualquer tipo de sensação.
Andre Gouvea
Los Angeles, CA, EUA

 

Medicina

Com relação à reportagem "Um arsenal elétrico" (23 de março), gostaria de elogiar a forma sucinta como os vários aspectos da neuromodulação e seu lugar na medicina moderna foram mostrados. No entanto, com relação à epilepsia, é importante esclarecer que pesquisas feitas na América do Norte, em milhares de pacientes que receberam o estimulador de nervo vago, mostram que esse tratamento reduz de 30% a 50% o número de crises em apenas um terço dos pacientes. Portanto, ainda temos muito trabalho pela frente. Continuamos buscando outros alvos (diferentes partes do cérebro) para neuromodulação em epilépticos e pesquisando por que alguns pacientes respondem ao tratamento enquanto outros não, inclusive o papel que o código genético exerce na resposta ao tratamento. Enquanto isso, é importante que o público se mantenha informado dos avanços médicos e da ciência, como foi mostrado por VEJA nesse artigo.
Danielle Molinari Andrade, neurologista, epileptologista e neurogeneticista do Toronto Western Hospital
Toronto, Ontario, Canadá

 

Pensamentos paralisantes

Ótima a reportagem "Idéias que paralisam" (30 de março). Tenho certeza de que essa matéria abrirá a mente de muitas pessoas que se sentem frustradas por não ascender na vida, tanto profissional como pessoalmente, por causa de idéias paralisantes que fecham todas as portas para possíveis caminhos alternativos para alcançar determinado objetivo. Espero também que abra a mente de todos os políticos brasileiros que têm idéias paralisantes do tipo: "Investimento de longo prazo, como o feito em educação, só para citar um exemplo, não vale a pena porque quem ficará com os méritos será aquele que estiver no cargo daqui a dez ou quinze anos".
Antonio Carlos de Sousa Cabral
Rio de Janeiro, RJ

 

Racismo no futebol

Com relação às manifestações de racismo nos campos de futebol, nossos jogadores têm apresentado uma atitude errada. Nessa hora deveriam agir como brasileiros, e não como europeus ou americanos. Melhor fariam se fundassem uma irmandade dos jogadores símios, aparecessem em uma revista fantasiados de macacos ou comemorassem cada gol imitando um chimpanzé. O racismo é uma farsa, e a atitude dos jogadores, que se mostram ofendidos, tem o efeito contrário. Faz do racismo uma verdade possível ("Os craques chutam o racismo", 30 de março).
Márlio Vilela Nunes
São Paulo, SP

 

Tecnologia

Em relação à matéria "Menos stress no ar" (30 de março), gostaria de acrescentar que o plano da Iata se concentra em cinco projetos, que são: o E-ticketing e o Bar-Coded Boarding Pass (já bastante difundidos), o Common Use Self-Service (em que os clientes podem fazer check-in em diferentes empresas aéreas utilizando um só terminal), as bagagens com as etiquetas por radiofreqüência e a carga sem papel, que visa a eliminar documentos impressos, reduzindo tempo e aumentando qualidade. Esse plano, chamado Simplificando o Negócio, com certeza eliminará o stress em terra em breve.
Roberto Alfredo Pereira Gomes
São Paulo, SP

 

Gravidez

A gravidez, como toda fase de transição, favorece a adoção de novos hábitos, e exercícios bem orientados contribuem para melhorar a qualidade de vida pessoal, social e profissional. Os benefícios adquiridos nessa fase repercutem positivamente após a gravidez e em outras situações de vida. O site www.volutah.com.br apresenta as relações entre fases de transição e aprimoramento das posturas, dos gestos e dos movimentos ("Gravidez: o que pode e o que não pode", Guia, 30 de março).
Márcia Martins
Por e-mail

 

Música sertaneja

Muito boa a matéria "A reinvenção sertaneja" (30 de março), mas acho que os repórteres cometeram uma grave injustiça ao falar que a carreira de Chitãozinho & Xororó está em ritmo lento, pois a dupla continua sendo a melhor e a de maior sucesso em todo o Brasil.
Mariangela Zan
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

A música popular brasileira, tão apreciada no Japão e em diversos pontos do planeta, fica ruborizada ante os hits xuxescos. Lutamos com dificuldade para produzir DVDs de qualidade com temas brasileiros. Atualmente, estamos envolvidos em três projetos (um musical, um infantil e um documentário) de cunho cultural, e exatamente por isso estamos viabilizando-os com recursos próprios, pois o patrocínio contempla apenas os projetos de retorno fácil e imediato. Um de nossos projetos deverá ficar restrito à exibição no exterior, onde nossa arte e cultura são mais valorizadas do que aqui. Infelizmente, em nossa balança cultural, importamos lixo e exportamos arte ("Não tente inventar", 30 de março).
Paulo Roscio
Diretor – Business Telecom
Rio de Janeiro, RJ  

Surpreendeu-me, por vários motivos, o artigo de Diogo Mainardi. Primeiro foi seu julgamento em relação à "meia dúzia de sexagenários que continua a se arrastar pelos palcos". É evidente que o país não vive seu ápice da boa música. No entanto, não é justo enquadrar todos os artistas nacionais nesse conceito. Não passamos de uma nação colonizada, ou melhor, totalmente contida e cordata, mas acreditar que não somos musicais é até blasfêmia. O que dizer a respeito dos poemas musicais de Chico Buarque? Do ritmo encantador de Tom Jobim e Vinicius de Moraes? Das músicas de importância histórica de Gilberto Gil e Caetano Veloso?
Thessika Hialla Almeida Araújo
Araci, BA

 

Stephen Covey

Stephen Covey (Amarelas, 30 de março) sugere que não devemos pedir aumento. Discordo, pois há um ditado que diz: "Quem não chora não mama". Covey argumenta que o aumento do salário vem com o tempo, e que o funcionário precisa ser proativo e conhecedor do ambiente em que está inserido, para que esse aumento venha. Ora, ser proativo ou conhecedor de seu ambiente não garante aumento de salário. Quantas vezes acumulamos funções, cargos e novas responsabilidades e não temos aumento?
Aleky Augusto Franco
Brasília, DF

 

Stephen Kanitz

As colocações do professor Stephen Kanitz são parte do conteúdo de uma cartilha da administração privada e um tapa nos burocratas do setor público, que querem respostas prontas para tudo, nem sequer sabendo das verdadeiras perguntas ("Qual é o problema?", Ponto de vista, 30 de março).
Antonio Benda da Rocha
Caçador, SC  

Nunca concordei com nosso atual sistema de ensino, que realmente não instiga os estudantes a pensar, mas, sim, a decorar e dar respostas óbvias. Os alunos deveriam ser mais instigados a ler livros, participar mais ativamente das aulas, e não simplesmente passar como membros passivos pelo ensino.
Guilherme Bento Radominski,
estudante de administração
Curitiba, PR

 

 

CORREÇÕES: Maria Ângela Leal, curadora interina da Biblioteca Oliveira Lima, da Universidade Católica da América, não é cubana, mas americana ("O baú do diplomata", 9 de março). Na reportagem "Inclusão vertical e digital" (30 de março) há um erro na sigla da tecnologia Power Line Communication; o correto é PLC, e não PCL.

 

Nova bandeira nacional?

Depois de ver a nota "A troca das bandeiras" (16 de fevereiro), sobre algumas nações que discutem alterações em seu pavilhão, o leitor Fernando Antônio Magalhaes, de Muzambinho, em Minas Gerais, informou que lidera no Brasil um movimento por esse tipo de mudança. "A nova bandeira permanece idêntica à atual no desenho, alterando-se apenas a mensagem na faixa branca, que passa a ter inscrito em vermelho o lema: 'Amor, Ordem e Progresso'. A mudança visa a restabelecer a origem do lema positivista: 'O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim'", diz Magalhaes, coordenador da campanha "Nova Bandeira para o Brasil", que aceita sugestões pelo e-mail fernandomzb@hotmail.com.

 

William Blake e Paulo Coelho

O leitor Ivan Alex Negretti, da cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, tem uma dúvida: "Will Smith (Amarelas, 16 de março) citou a frase do livro O Alquimista 'Todo o universo está contido num grão de areia'. Segundo VEJA de 23 de março, a frase na verdade é do poeta britânico Willian Blake (1757-1827). Gostaria que fosse esclarecido de quem realmente é a citação". Na verdade, a frase que aparece no livro de Paulo Coelho encerra uma idéia poética presente na obra de diversos autores, desde a Antiguidade clássica, que ficou mais conhecida a partir de versos do poema Augúrios de Inocência, de Blake, que dizem: "To see a World in a Grain of Sand / And a Heaven in a Wild Flower / Hold Infinity in the palm of your hand / And Eternity in an hour" (numa tradução literal: Ver um Mundo num Grão de Areia / E um Céu numa Flor Selvagem / É ter o Infinito na palma da mão / E a Eternidade numa hora).

 

Muros da vergonha

O leitor Milton Guedes Guimarães, de João Pessoa, na Paraíba, leu o quadro "Os muros que dividem nações" (Veja essa, 30 de março) e acrescentou à lista mais um obstáculo separando nações: "Os muros apresentados por VEJA dividem nações com sérias divergências militares, étnicas, geográficas, ideológicas. Existem tensão e conflitos militares nas fronteiras. Já o muro que separa os EUA e o México é inusitado, uma vez que há um tratado mútuo de cooperação econômico-financeira, um tratado de livre-comércio e as relações diplomáticas e culturais são de completa identidade entre aquelas duas nações. Com altura de 4,5 metros, extensão de 606 quilômetros, sensores de movimento e infravermelho, o muro possui 400 holofotes especiais e cercas eletrificadas de alta voltagem. Recentemente criou-se um grupo constituído por 1 000 'voluntários', chamado oficialmente de MMP, Minuteman Project. No dia 1º de abril ele se reuniu na cidade de Tombstone, no Arizona, para iniciar o planejamento da operação Caça Emigrante". Na verdade os americanos recebem todo ano 1 milhão de imigrantes legais, e o caso da fronteira México–Estados Unidos é mais um problema econômico, muito diferente dos casos citados por VEJA.

 
 
 
 
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