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Cartas  | "O
milagre aconteceu: o povo libanês, que vem sofrendo há trinta anos,
presenciou esse milagre que todos nós esperávamos." Rima
Rabahi Por e-mail |
Líbano
A reportagem de capa da edição
1 898 ("O despertar árabe" e "A maré da democracia", 30 de março),
assinada pela editora executiva Vilma Gryzinski, é o tipo de texto jornalístico
para ser devorado com os olhos mas também para ser lido com o coração.
Filho de libanês, orgulhoso descendente dessa gente de fibra e de coragem,
eu me comovi com a rica, precisa e calorosa descrição deste momento
em que o povo do Líbano retoma em suas mãos, com bravura histórica,
o próprio destino. Roger Abdelmassih São Paulo, SP
Desde a guerra civil, tropas
sírias ocupam o solo libanês e usurpam seu patrimônio e seus
habitantes. É muito provável que o governo ditatorial da Síria
esteja por trás do assassinato de Rafik Al Hariri, como também pode
estar por trás das bombas que têm explodido em Beirute. A intenção
do governo sírio é desestabilizar o Líbano e assim justificar
sua permanência no país mais plural do Oriente Médio e um
dos poucos, se não o único da região, que tem consciência
do respeito às liberdades civis. A soberania libanesa deve ser respeitada.
Matéria lúcida e esclarecedora, a revista descreveu com precisão
a realidade política e social do Líbano para o público brasileiro. Muna
Omran Rio de Janeiro, RJ
Tudo leva a crer que nas mil e uma noites não existirão mais pesadelos.
O bicho-papão da intolerância e do fanatismo está sendo expulso
pela luz da mãe liberdade. O Líbano, que sempre foi o maior amigo
do povo de Israel, passou a reconhecer na intolerância dos próprios
irmãos árabes a principal fonte de suas mazelas. Seja bem-vinda,
liberdade! Ahmed Youssef Abdallah Dib São Paulo, SP
Nada melhor para realçar quanto
é bonita a luta da liberdade, tentando vencer a opressão, do que
a beleza da jovem libanesa de braços erguidos protestando contra a ocupação
em seu país. Cesar H.A. Carvalho Brasília, DF
Quem se propõe a cultivar um
jornalismo sério e compromissado com a realidade não deve teimosa
e inexplicavelmente insistir na abordagem fútil, mencionando que "damas
da sociedade desfilam roupas e acessórios das grifes mais finas" ou que
"é a própria imagem do muçulmano moderno: jovem, bonito,
rico". Acredito que a informação sem discurso dispensável
fica muito mais atraente. Pretendo ler VEJA por muitas e muitas edições,
mesmo tendo o trabalho de filtrar do texto tudo o que foi acrescentado, na minha
opinião, artificialmente às matérias. Rubens Cláudio
Rocha do Carmo São Paulo, SP
Quebrando tabus da ignorância humana, destituindo ordens famigeradas contra
o direito da livre opinião. Assim caminha a humanidade em sua luta cada
vez mais edificante contra a tirania e as desigualdades. VEJA faz uma inesquecível
matéria contra idéias retrógradas que marginalizam povos.
Difícil acreditar que ainda haja nações no planeta que vivem
e lutam pela soberania de suas idéias. Júnior Chisté Xaxim,
SC Finalmente o Líbano
pôde mostrar sua força e começar a respirar aliviado. Cresci
vendo meus pais e avós sufocados por uma guerra civil baseada em interesses
de grupos que nunca falaram a mesma língua. Mas agora é diferente.
Quando deparo com milhares de jovens que incansavelmente, diariamente, manifestam
sua vontade independentemente de religião , fico feliz por
ver que deve haver luz no fim do túnel. Patrícia Wassaf Salhab Campinas,
SP Só de ver mulheres
nas costas de homens, com a barriga de fora, protestando a favor ou contra a Síria
no Líbano, já dá para sentir o cheiro de democracia por lá.
Veja as fotos da edição de 16 de março na manifestação
do Hezbollah e a capa da edição de 30 de março de 2005 contra
a Síria. Tulio R.P. Couceiro Recife, PE
A reportagem "A maré da democracia" (30 de março), sintetizada e
ornada com fotos sugestivas, conta o amargo episódio de ingerência
síria na outrora conhecida como "Suíça árabe" que
é o Líbano, dando uma idéia das intrínsecas e paradoxais
misturas de política com as religiões cristã, muçulmana
e suas várias vertentes, trabalho que só dignifica e enobrece publicações
como VEJA. Modesto Laruccia Por e-mail
A democracia no Oriente Médio só será possível depois
que aquele povo se livrar de dois ranços históricos: o machismo
exacerbado e o fanatismo religioso. Adalberto Alves de Matos Barra
do Garças, MT Enquanto
perdurar o ódio e o espírito de vingança no coração
do povo do Oriente Médio, a democracia jamais será restabelecida. Sergio
Dias Nunes São Caetano do Sul, SP Reforma
ministerial VEJA coloca o dedo na ferida ao mostrar que
as forças do atraso estão mais presentes do que nunca. Toda a atual
geração de políticos, sem exceção, já
entrou para a história pelos absurdos e descalabros que vêm se reproduzindo
no país ultimamente. Pergunto aos partidos ditos sérios, e à
esquerda em geral, até quando vamos continuar tolerando essa política
de quinto mundo? Reforma política já ("O lixo que assustou Lula",
30 de março)! Simon Podolsky Sala Araraquara, SP
A angústia de Lula Como médica
veterinária e especialista em genética de suínos, gostaria
de fazer uma pequena correção quanto ao conteúdo da reportagem
"O peso do poder" (30 de março). A carne suína não é
mais uma "bomba calórica"; ela o foi há umas três décadas,
mas, a partir de então, com os ganhos genéticos advindos de programas
de melhoramento, somados a ganhos expressivos na ciência da nutrição
dos animais domésticos, os suínos têm hoje uma carne tão
magra quanto a de frango, por exemplo, chegando em alguns cortes a ter gordura
inferior à carne de bovinos. Professora Simone E.F. Guimarães Departamento
de zootecnia Universidade Federal de Viçosa (MG)
O direito de morrer Em seu mais recente livro, Memory
and Identity, o papa João Paulo II diz que a crise de nossos dias está
na presunção de que podemos decidir o que é bom e o que é
ruim para nós mesmos sem levarmos em consideração Deus e
os Seus desígnios. Enquanto Terri Schiavo sofre uma morte lenta e talvez
dolorosa, ela, mesmo sem voz, parece dizer, como Jesus também disse, "Tenho
sede" ("Um debate sobre a vida", 30 de março). Adriana Cunha Costa Washington,
DC, EUA VEJA errou ao dizer o que aconteceria
com Terri Schiavo depois da retirada da sonda que a alimentava: "Ela morrerá
de fome e sede em uma ou duas semanas, segundo os médicos que a acompanham".
A frase é tendenciosa, favorável ao argumento daqueles que são
contra a retirada da tal sonda, porque implica que haverá na paciente sensação
de necessidade de alimentos e líquidos (fome e sede), quando os médicos
e o próprio artigo já afirmaram que ela é absolutamente incapaz
de ter qualquer tipo de sensação. Andre Gouvea Los
Angeles, CA, EUA Medicina
Com relação à reportagem "Um arsenal elétrico" (23
de março), gostaria de elogiar a forma sucinta como os vários aspectos
da neuromodulação e seu lugar na medicina moderna foram mostrados.
No entanto, com relação à epilepsia, é importante
esclarecer que pesquisas feitas na América do Norte, em milhares de pacientes
que receberam o estimulador de nervo vago, mostram que esse tratamento reduz de
30% a 50% o número de crises em apenas um terço dos pacientes. Portanto,
ainda temos muito trabalho pela frente. Continuamos buscando outros alvos (diferentes
partes do cérebro) para neuromodulação em epilépticos
e pesquisando por que alguns pacientes respondem ao tratamento enquanto outros
não, inclusive o papel que o código genético exerce na resposta
ao tratamento. Enquanto isso, é importante que o público se mantenha
informado dos avanços médicos e da ciência, como foi mostrado
por VEJA nesse artigo. Danielle Molinari Andrade, neurologista, epileptologista
e neurogeneticista do Toronto Western Hospital Toronto, Ontario, Canadá
Pensamentos paralisantes Ótima
a reportagem "Idéias que paralisam" (30 de março). Tenho certeza
de que essa matéria abrirá a mente de muitas pessoas que se sentem
frustradas por não ascender na vida, tanto profissional como pessoalmente,
por causa de idéias paralisantes que fecham todas as portas para possíveis
caminhos alternativos para alcançar determinado objetivo. Espero também
que abra a mente de todos os políticos brasileiros que têm idéias
paralisantes do tipo: "Investimento de longo prazo, como o feito em educação,
só para citar um exemplo, não vale a pena porque quem ficará
com os méritos será aquele que estiver no cargo daqui a dez ou quinze
anos". Antonio Carlos de Sousa Cabral Rio de Janeiro, RJ
Racismo no futebol Com relação às
manifestações de racismo nos campos de futebol, nossos jogadores
têm apresentado uma atitude errada. Nessa hora deveriam agir como brasileiros,
e não como europeus ou americanos. Melhor fariam se fundassem uma irmandade
dos jogadores símios, aparecessem em uma revista fantasiados de macacos
ou comemorassem cada gol imitando um chimpanzé. O racismo é uma
farsa, e a atitude dos jogadores, que se mostram ofendidos, tem o efeito contrário.
Faz do racismo uma verdade possível ("Os craques chutam o racismo", 30
de março). Márlio Vilela Nunes São Paulo, SP
Tecnologia Em relação
à matéria "Menos stress no ar" (30 de março), gostaria de
acrescentar que o plano da Iata se concentra em cinco projetos, que são:
o E-ticketing e o Bar-Coded Boarding Pass (já bastante difundidos), o Common
Use Self-Service (em que os clientes podem fazer check-in em diferentes empresas
aéreas utilizando um só terminal), as bagagens com as etiquetas
por radiofreqüência e a carga sem papel, que visa a eliminar documentos
impressos, reduzindo tempo e aumentando qualidade. Esse plano, chamado Simplificando
o Negócio, com certeza eliminará o stress em terra em breve. Roberto
Alfredo Pereira Gomes São Paulo, SP
Gravidez A gravidez, como toda fase de transição,
favorece a adoção de novos hábitos, e exercícios bem
orientados contribuem para melhorar a qualidade de vida pessoal, social e profissional.
Os benefícios adquiridos nessa fase repercutem positivamente após
a gravidez e em outras situações de vida. O site www.volutah.com.br
apresenta as relações entre fases de transição e aprimoramento
das posturas, dos gestos e dos movimentos ("Gravidez: o que pode e o que não
pode", Guia, 30 de março). Márcia Martins Por e-mail
Música sertaneja
Muito boa a matéria "A reinvenção sertaneja" (30 de março),
mas acho que os repórteres cometeram uma grave injustiça ao falar
que a carreira de Chitãozinho & Xororó está em ritmo
lento, pois a dupla continua sendo a melhor e a de maior sucesso em todo o Brasil. Mariangela
Zan São Paulo, SP Diogo Mainardi
A música popular brasileira, tão apreciada
no Japão e em diversos pontos do planeta, fica ruborizada ante os hits
xuxescos. Lutamos com dificuldade para produzir DVDs de qualidade com temas brasileiros.
Atualmente, estamos envolvidos em três projetos (um musical, um infantil
e um documentário) de cunho cultural, e exatamente por isso estamos viabilizando-os
com recursos próprios, pois o patrocínio contempla apenas os projetos
de retorno fácil e imediato. Um de nossos projetos deverá ficar
restrito à exibição no exterior, onde nossa arte e cultura
são mais valorizadas do que aqui. Infelizmente, em nossa balança
cultural, importamos lixo e exportamos arte ("Não tente inventar", 30 de
março). Paulo Roscio Diretor Business Telecom Rio
de Janeiro, RJ Surpreendeu-me, por vários
motivos, o artigo de Diogo Mainardi. Primeiro foi seu julgamento em relação
à "meia dúzia de sexagenários que continua a se arrastar
pelos palcos". É evidente que o país não vive seu ápice
da boa música. No entanto, não é justo enquadrar todos os
artistas nacionais nesse conceito. Não passamos de uma nação
colonizada, ou melhor, totalmente contida e cordata, mas acreditar que não
somos musicais é até blasfêmia. O que dizer a respeito dos
poemas musicais de Chico Buarque? Do ritmo encantador de Tom Jobim e Vinicius
de Moraes? Das músicas de importância histórica de Gilberto
Gil e Caetano Veloso? Thessika Hialla Almeida Araújo Araci,
BA Stephen Covey Stephen
Covey (Amarelas, 30 de março) sugere que não devemos pedir aumento.
Discordo, pois há um ditado que diz: "Quem não chora não
mama". Covey argumenta que o aumento do salário vem com o tempo, e que
o funcionário precisa ser proativo e conhecedor do ambiente em que está
inserido, para que esse aumento venha. Ora, ser proativo ou conhecedor de seu
ambiente não garante aumento de salário. Quantas vezes acumulamos
funções, cargos e novas responsabilidades e não temos aumento? Aleky
Augusto Franco Brasília, DF Stephen
Kanitz As colocações do professor Stephen
Kanitz são parte do conteúdo de uma cartilha da administração
privada e um tapa nos burocratas do setor público, que querem respostas
prontas para tudo, nem sequer sabendo das verdadeiras perguntas ("Qual é
o problema?", Ponto de vista, 30 de março). Antonio Benda da Rocha Caçador,
SC Nunca concordei com nosso atual sistema
de ensino, que realmente não instiga os estudantes a pensar, mas, sim,
a decorar e dar respostas óbvias. Os alunos deveriam ser mais instigados
a ler livros, participar mais ativamente das aulas, e não simplesmente
passar como membros passivos pelo ensino. Guilherme Bento Radominski,
estudante de administração Curitiba, PR
CORREÇÕES: Maria Ângela
Leal, curadora interina da Biblioteca Oliveira Lima, da Universidade Católica
da América, não é cubana, mas americana ("O baú do
diplomata", 9 de março). • Na reportagem "Inclusão vertical
e digital" (30 de março) há um erro na sigla da tecnologia Power
Line Communication; o correto é PLC, e não PCL.
Nova bandeira nacional?
 Depois
de ver a nota "A troca das bandeiras" (16 de fevereiro), sobre algumas nações
que discutem alterações em seu pavilhão, o leitor Fernando
Antônio Magalhaes, de Muzambinho, em Minas Gerais, informou que lidera no
Brasil um movimento por esse tipo de mudança. "A nova bandeira permanece
idêntica à atual no desenho, alterando-se apenas a mensagem na faixa
branca, que passa a ter inscrito em vermelho o lema: 'Amor, Ordem e Progresso'.
A mudança visa a restabelecer a origem do lema positivista: 'O amor por
princípio, a ordem por base e o progresso por fim'", diz Magalhaes, coordenador
da campanha "Nova Bandeira para o Brasil", que aceita sugestões pelo e-mail
fernandomzb@hotmail.com. |
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William Blake e Paulo Coelho O
leitor Ivan Alex Negretti, da cidade de Luís Eduardo Magalhães,
na Bahia, tem uma dúvida: "Will Smith (Amarelas, 16 de março) citou
a frase do livro O Alquimista 'Todo o universo está contido num
grão de areia'. Segundo VEJA de 23 de março, a frase na verdade
é do poeta britânico Willian Blake (1757-1827). Gostaria que fosse
esclarecido de quem realmente é a citação". Na verdade, a
frase que aparece no livro de Paulo Coelho encerra uma idéia poética
presente na obra de diversos autores, desde a Antiguidade clássica, que
ficou mais conhecida a partir de versos do poema Augúrios de Inocência,
de Blake, que dizem: "To see a World in a Grain of Sand / And a Heaven in
a Wild Flower / Hold Infinity in the palm of your hand / And Eternity in an hour"
(numa tradução literal: Ver um Mundo num Grão de Areia
/ E um Céu numa Flor Selvagem / É ter o Infinito na palma da mão
/ E a Eternidade numa hora). | |
Muros da vergonha
 O
leitor Milton Guedes Guimarães, de João Pessoa, na Paraíba,
leu o quadro "Os muros que dividem nações" (Veja essa, 30 de março)
e acrescentou à lista mais um obstáculo separando nações:
"Os muros apresentados por VEJA dividem nações com sérias
divergências militares, étnicas, geográficas, ideológicas.
Existem tensão e conflitos militares nas fronteiras. Já o muro que
separa os EUA e o México é inusitado, uma vez que há um tratado
mútuo de cooperação econômico-financeira, um tratado
de livre-comércio e as relações diplomáticas e culturais
são de completa identidade entre aquelas duas nações. Com
altura de 4,5 metros, extensão de 606 quilômetros, sensores de movimento
e infravermelho, o muro possui 400 holofotes especiais e cercas eletrificadas
de alta voltagem. Recentemente criou-se um grupo constituído por 1 000
'voluntários', chamado oficialmente de MMP, Minuteman Project. No dia 1º
de abril ele se reuniu na cidade de Tombstone, no Arizona, para iniciar o planejamento
da operação Caça Emigrante". Na verdade os americanos recebem
todo ano 1 milhão de imigrantes legais, e o caso da fronteira MéxicoEstados
Unidos é mais um problema econômico, muito diferente dos casos citados
por VEJA. | | |