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Edição 1 741 - 6 de março de 2002
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LIVROS

Uma Mente Brilhante, de Sylvia Nasar (tradução de Sergio Moraes; Record; 504 páginas; 43 reais) – A biografia do matemático americano John Forbes Nash Jr. inspirou o filme homônimo, que concorre ao Oscar deste ano. Sua leitura é indispensável para quem foi ao cinema e se interessou pelo personagem, já que o roteiro deixou de fora muitas informações sobre a vida do genial e esquizofrênico Nash, hoje com 73 anos. Entre os dados revelados pela autora, que é jornalista do The New York Times, está a inclinação homossexual do matemático. Em 1954, ela lhe causou problemas – Nash foi preso num banheiro público por atentado ao pudor, depois de aceitar a proposta de sexo de um policial disfarçado. O livro traz à tona que, aos 25 anos, depois de um breve namoro, Nash teve um filho a quem jamais deu seu nome. E ainda corrige uma falsa impressão causada pelo filme – a de que a mulher de Nash, Alicia, se manteve ao seu lado durante todo o curso de sua doença, quando na verdade ela o deixou por vários anos na década de 60. Em capítulos curtos e claros, Sylvia Nasar também explica as conquistas de Nash em campos da matemática como a teoria dos jogos, que fizeram com que ele recebesse o Prêmio Nobel em 1994. Leia trechos do livro.

A Filha do Restaurador de Ossos, de Amy Tan (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 364 páginas; 40 reais) – Americana filha de chineses, Amy Tan escreve romances em que a matéria-prima são suas raízes. É o que se encontra no best-seller O Clube da Felicidade e da Sorte e no excelente A Filha do Restaurador de Ossos. A protagonista, Ruth, é alter ego da autora. De ascendência oriental idêntica à de Amy, a personagem se aflige com o fato de que sua mãe está perdendo a memória e, com ela, as histórias da família. A parte mais interessante é justamente aquela em que o passado de sua mãe volta à tona. Elegante, Amy sabe lidar com questões emocionais sem resvalar no melodrama.

 

DVDs

Jurassic Park III (Estados Unidos, 2001. Universal) – A história é a de sempre: cientistas e aventureiros fazem uma visita, sem ser convidados, a uma ilha habitada por dinossauros cheios de dentes. Vale como matinê e como uma das mais interessantes coleções de extras (todos devidamente legendados) incluídas num DVD. Os melhores, claro, são os que explicam os efeitos especiais. Pode-se ver, etapa por etapa, como os bichões foram gerados em computador para algumas tomadas e como, para outras, foram construídos em versões em tamanho natural pelo mago da animatrônica, Stan Winston, que dotou seu "elenco" de movimentos e expressões sutis. Para os atores, foi uma moleza: em vez de imaginar dinossauros, puderam contracenar com eles.

Live in Liverpool, Echo & the Bunnymen (Sum Records) – Um dos orgulhos de Liverpool, ao lado dos Beatles, o Echo & the Bunnymen fez duas apresentações nessa cidade inglesa em agosto. Daí vieram o disco e o DVD Live in Liverpool, primeiro registro ao vivo oficial do grupo. O Echo tinha um excelente vocalista (Ian McCulloch), um baterista fora de série (Pete de Freitas) e um guitarrista criativo (Will Sergeant). Hoje o Echo está reduzido a McCulloch e Sergeant, mas ainda entretém uma platéia como poucos. O DVD traz dezessete canções, entre sucessos dos anos 80 (The Killing Moon) e belezuras de seus dois últimos CDs (Nothing Lasts Forever e King of Kings).

 

DISCOS

Lovers Live, Sade Adu (Sony Music) – No final de 2000, a cantora nigeriana Sade Adu despertou de uma hibernação de oito anos e lançou o elogiado CD Lovers Rock. Em seguida, partiu para uma turnê por Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa, apontada como a melhor do ano passado por diversas revistas especializadas. De fato, ela estava em grande forma, como prova esse registro dos melhores momentos dos shows. Sade canta divinamente e é acompanhada por uma banda coesa, cujo destaque é o guitarrista e saxofonista Stuart Matthewman. Lovers Live traz hits manjados, como Smooth Operator, e outros destaques do repertório da cantora, como Is It a Crime e Cherish the Day (ouça a faixa).

 
Doris: primeiras gravações de novo em catálogo

Doris Monteiro, Doris Monteiro (InterCD) – O principal mérito do CD é recuperar as primeiras gravações de Doris Monteiro. A cantora, que no ano passado completou cinqüenta anos de carreira, foi uma espécie de precursora da bossa nova. Seu estilo intimista contrastava com os vocais impostados da época, e ela foi uma das primeiras artistas a gravar as composições de Tom Jobim. O CD não traz as criações do autor de Garota de Ipanema, mas apresenta as baladas chorosas do compositor Peterpan (Se Você se Importasse, Quantas Vezes) e sambas de Jair Amorim e Wilson Batista. Um ótimo reforço para a pífia discografia de Doris Monteiro, cuja obra acabou virando artigo de colecionador.

 

TELEVISÃO

Divulgação

O elenco de 24 Horas: em tempo real


24 Horas
(Segundas e sábados, às 21h, na Fox) – A trama de toda a primeira temporada dessa série de suspense se passa em apenas um dia. Cada capítulo corresponde a uma hora. O período é curto, mas há confusões de sobra despencando sobre a cabeça do protagonista, o agente secreto Jack Bauer (Kiefer Sutherland). Ele é tirado do sossego de casa à meia-noite para uma missão de emergência: tentar desmantelar um plano de assassinato do primeiro negro com chances reais de chegar à Presidência dos Estados Unidos. Detalhe: há suspeitas de que a própria CIA esteja envolvida. Uma das melhores séries surgidas nos Estados Unidos no ano passado.

Festival Frank Sinatra (Domingos, às 23h, no Multishow) – Às vésperas dos quatro anos de sua morte, o cantor americano é tema de uma bela retrospectiva. São treze programas, que flagram Sinatra em diversas fases da carreira. Na primeira parte do pacote, a atração é a série O Homem e Sua Música, um especial da televisão americana gravado a partir de 1965, que será exibido nos dias 3, 10 e 17. No dia 17, serão mostrados momentos antológicos, como aqueles em que Sinatra interpreta The Lady Is a Tramp com Ella Fitzgerald e canta Garota de Ipanema em dobradinha com Tom Jobim. Não menos saborosas, as demais atrações do festival são registros de outras apresentações na TV e shows em vários países, cobrindo dos anos 60 até 1985.

 

   
 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.

 

   
 
   
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