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Os assumidos

Na novela das 7 da Globo, os desejos
podem ser de mulher – mas os
melhores momentos são dos gays

Ricardo Valladares

 

Divulgação
Tadeu (Muller) e Ariel (Wilker): eles usam até aliança

De quinze dias para cá, o personagem Ariel (José Wilker), da novela das 7 da Rede Globo, Desejos de Mulher, tem passado por situações embaraçosas. A beldade Virginia, interpretada por Silvia Pfeifer, resolveu transformá-lo em alvo de assédio. O problema é que Ariel é um gay assumidíssimo, que vive há anos com o companheiro Tadeu (Otávio Muller). Os dois passam noites aconchegantes assistindo a filmes de Barbra Streisand. Usam, inclusive, aliança de compromisso. O imbróglio, como se vê, é grande. E está rendendo bons momentos na trama, graças sobretudo à atuação de Wilker, que diz estar se divertindo com o personagem.

Não é a primeira vez que o galã – namorado da atriz Guilhermina Guinle, ex-senhora Fábio Jr. – interpreta um homossexual. Nos anos 70, ele fez dois papéis desse tipo no cinema, e uma peça de teatro na qual usava roupas de mulher. Para compor Ariel, Wilker adotou um penteado modernoso, com franjinha à la Gugu Liberato. Criou um bordão afetado ("Minha Santa Terezinha de Lisieux!"), mas se policia para não tornar seus gestos caricaturais. E provoca: "Minha principal fonte de inspiração são os maquiadores e cabeleireiros da Globo".

Resta saber se o público vai continuar reagindo bem ao "núcleo gay" de Desejos de Mulher. Casais homossexuais como o formado por Ariel e Tadeu não costumam dar muito ibope. Anos atrás, em Torre de Babel, de Silvio de Abreu, um par de lésbicas causou tamanha rejeição que foi retirado do ar às pressas, num acidente. Na semana passada surgiu o boato de que a Globo, escaldada por experiências como essa, já estaria estudando realizar alguns ajustes no enredo, para não comprar briga com a audiência mais conservadora. A emissora desmente. "Não me passaram nenhuma orientação para mudar o que venho fazendo. Por mim, continuo gay até o final", diz Wilker.

   
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