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"Perdemos
tudo, Jair!"
O positivismo, quem
diria, tirou 1 milhão
de reais de um professor aposentado
Ricardo
Valladares

O
homem-enciclopédia meditabundo |

O
homem-enciclopédia confiante |
|

O
homem-enciclopédia desolado: tropeço no último
instante |
Foi
uma cena patética, daquelas que deixam o espectador sem saber se
cai na risada ou derrama uma lágrima. Num instante, Jair Hermínio
da Silva tinha nas mãos o prêmio máximo do programa
Show do Milhão, apresentado por Silvio Santos. Bastava-lhe
acertar uma questão simplicíssima quantas letras
contém o lema positivista inscrito na bandeira nacional. Vinte
segundos depois, esgotado o tempo para que ele respondesse, o auditório
vinha abaixo. O professor aposentado de 57 anos, que havia passado incólume
por uma bateria de dezoito perguntas, muitas delas cabeludas, e recebera
por isso o apelido de "homem-enciclopédia", se confundiu e errou.
Em vez de "Ordem e Progresso", ele pensou em "Ordem ou Progresso". Em
vez de quinze, contou dezesseis letras. Quando, com cara confiante, proferiu
sua resposta, a primeira a reagir foi sua amiga Maria José de Camargo,
a Zezé, que torcia por ele da platéia. "Perdemos tudo, Jair!",
gritou ela. Como prêmio de consolação, o homem-enciclopédia
levou 300 reais. Saiu, é claro, inconsolável.
Desde a estréia do Show do Milhão, em 1999, apenas
outros seis concorrentes chegaram ao ponto a que Jair chegou. Na hora
H, todos depararam com perguntas mais difíceis que a dele. Optaram
por não responder e embolsaram 500.000 reais. O homem-enciclopédia
acredita que foi a facilidade do desafio que acabou por traí-lo.
"Era óbvio demais. Fiquei eufórico e me dei mal", conta.
A psicoterapeuta Lídia Aratangy concorda. Segundo ela, seu lapso
foi típico de quem passa por situações de tensão.
"Basta a pessoa se sentir em segurança para relaxar e perder o
foco", diz Lídia. "Os esportistas conhecem bem essa situação."
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| Zezé:
a amiga levaria um terço da bolada |
Jair
inscreveu-se no programa por insistência de Zezé e de outra
amiga, Ana Genedir Romanini a Didi. Se ele vencesse, os três
dividiriam o prêmio em partes iguais. Como aposentados, recebem
de 1.800 a 2.000 reais por mês. Jair mora numa casa alugada em Guaxupé,
no interior de Minas Gerais. Ensinou inglês e português por
36 anos e hoje ocupa o seu tempo com leituras variadas. Apesar do apelido
de "homem-enciclopédia", ele só tem um livro desse tipo
em casa. Adquiriu-o juntando os fascículos que vinham encartados
num jornal. Jair é solteirão convicto. Diz que namorou pela
última vez há trinta anos, por prezar demais sua liberdade.
Com o prêmio do Show do Milhão, planejava dar uma
volta ao mundo. "Eu adoro viajar", diz ele. A Zezé também,
Jair...
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