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Uma a cada quinze
dias
No Brasil
foi a Garoto. No mundo, a gigante
Nestlé compra duas empresas por mês
Samuel Vieira

Linha
de produção da Garoto na fábrica de Vila Velha, no Espírito Santo:
marca continua |
Havia algum
tempo circulavam boatos de que a Garoto, última grande fabricante
brasileira de chocolates, estava à venda. Assediada por grandes
companhias estrangeiras e em meio a problemas de relacionamento entre
seus sócios, a Garoto finalmente foi vendida. A multinacional suíça
Nestlé deu a cartada final e anunciou a aquisição
da empresa fundada em 1929. Líder mundial no setor de alimentos,
a companhia não divulgou os detalhes do negócio. O mercado
estima, porém, que o valor da compra tenha ficado entre 300 milhões
e 500 milhões de reais. Com a compra da Garoto, a Nestlé
passa a dominar mais de 50% do mercado brasileiro, que movimenta quase
3 bilhões de reais por ano. Dessa forma, ultrapassaria a Lacta,
que liderava até então o mercado, com uma participação
de 35%, segundo os números da Associação Brasileira
da Indústria de Chocolate, Cacau, Balas e Derivados (Abicab). Na
quinta-feira, a Nestlé comunicou oficialmente a aquisição
ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisa
fusões e aquisições de empresas para evitar que uma
corporação sozinha detenha parcela majoritária do
mercado. Além de adquirir 100% do controle da Garoto, a Nestlé
continuará utilizando a marca da companhia capixaba e herdará
sua vocação exportadora. Com faturamento anual de 450 milhões
de reais, a Garoto vende seus produtos para quarenta países, principalmente
do Mercosul. No ano passado, exportou 10,5 mil toneladas, com ganho de
3% em relação a 2000.
O potencial
de crescimento do mercado nacional ainda é muito atrativo. Na Suíça,
o país do chocolate, o consumo per capita é de 12 quilos
por habitante. Na Argentina, é de 5 quilos por pessoa. No Brasil,
esse número não chega a 2 quilos. Os investidores internacionais
sabem disso e não querem deixar passar nenhuma oportunidade de
crescimento no país. No ano passado, a maior fabricante de chocolates
dos Estados Unidos, a Hershey Foods, arrematou a divisão do produto
da Visconti por 18 milhões de dólares. Em 1996, outra grande
fabricante brasileira, a Lacta, passou para as mãos da Kraft Foods,
divisão de alimentos da Philip Morris. Do ponto de vista da Nestlé,
a compra da Garoto obedece a uma filosofia de crescimento acelerado que
a multinacional se impôs como forma de se manter competitiva no
mercado mundial. A Nestlé tem feito aquisições no
mesmo ritmo das famílias que vão ao supermercado: uma empresa
a cada quinze dias.
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