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Edição 1 741 - 6 de março de 2002
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Uma a cada quinze dias

No Brasil foi a Garoto. No mundo, a gigante
Nestlé compra duas empresas por mês

 
Samuel Vieira

Linha de produção da Garoto na fábrica de Vila Velha, no Espírito Santo: marca continua

Havia algum tempo circulavam boatos de que a Garoto, última grande fabricante brasileira de chocolates, estava à venda. Assediada por grandes companhias estrangeiras e em meio a problemas de relacionamento entre seus sócios, a Garoto finalmente foi vendida. A multinacional suíça Nestlé deu a cartada final e anunciou a aquisição da empresa fundada em 1929. Líder mundial no setor de alimentos, a companhia não divulgou os detalhes do negócio. O mercado estima, porém, que o valor da compra tenha ficado entre 300 milhões e 500 milhões de reais. Com a compra da Garoto, a Nestlé passa a dominar mais de 50% do mercado brasileiro, que movimenta quase 3 bilhões de reais por ano. Dessa forma, ultrapassaria a Lacta, que liderava até então o mercado, com uma participação de 35%, segundo os números da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Balas e Derivados (Abicab). Na quinta-feira, a Nestlé comunicou oficialmente a aquisição ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisa fusões e aquisições de empresas para evitar que uma corporação sozinha detenha parcela majoritária do mercado. Além de adquirir 100% do controle da Garoto, a Nestlé continuará utilizando a marca da companhia capixaba e herdará sua vocação exportadora. Com faturamento anual de 450 milhões de reais, a Garoto vende seus produtos para quarenta países, principalmente do Mercosul. No ano passado, exportou 10,5 mil toneladas, com ganho de 3% em relação a 2000.

O potencial de crescimento do mercado nacional ainda é muito atrativo. Na Suíça, o país do chocolate, o consumo per capita é de 12 quilos por habitante. Na Argentina, é de 5 quilos por pessoa. No Brasil, esse número não chega a 2 quilos. Os investidores internacionais sabem disso e não querem deixar passar nenhuma oportunidade de crescimento no país. No ano passado, a maior fabricante de chocolates dos Estados Unidos, a Hershey Foods, arrematou a divisão do produto da Visconti por 18 milhões de dólares. Em 1996, outra grande fabricante brasileira, a Lacta, passou para as mãos da Kraft Foods, divisão de alimentos da Philip Morris. Do ponto de vista da Nestlé, a compra da Garoto obedece a uma filosofia de crescimento acelerado que a multinacional se impôs como forma de se manter competitiva no mercado mundial. A Nestlé tem feito aquisições no mesmo ritmo das famílias que vão ao supermercado: uma empresa a cada quinze dias.

 
 
   
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