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Os bilionários
ficaram
menos ricos
O Brasil
tem oito bilionários na
nova lista da Forbes, que mostra
uma diminuição da fortuna no
topo da pirâmide social

Murilo Ramos
Epitacio Pessoa/AE
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Frederic Jean
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Renata C. Branco
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| Irmãos
Safra (no alto): os mais ricos do Brasil. Antônio Ermírio
(a esq.) caiu para o segundo lugar. Aloysio Faria é
o terceiro |

Veja também |
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O Brasil,
que já teve dez bilionários, um recorde nacional, no levantamento
de 1996 da revista americana Forbes, emplacou oito na lista de
2002, divulgada na semana passada. Apenas um nome brasileiro novo, o de
Lily Safra, herdeira de Edmond Safra, o banqueiro morto num incêndio
em seu apartamento em Monte Carlo em 1999. Lily tem ações
das lojas Ponto Frio, apartamentos em Londres, Paris, Nova York e Monte
Carlo e ainda é apontada como uma das maiores colecionadoras mundiais
de obras de arte e antiguidades. "Metade da fortuna de Edmond foi para
a caridade, mas a parte que coube a Lily fez dela uma bilionária",
escreveu a Forbes. Os irmãos de Edmond, Moise e Joseph Safra,
passaram à frente de Antônio Ermírio de Moraes, que,
mesmo tendo aumentado seu patrimônio em 100 milhões de dólares
em 2001, caiu para o 103º lugar na lista da Forbes. Os irmãos
Safra, com 4 bilhões de dólares de patrimônio, são
os brasileiros mais bem colocados no ranking. Em 2001, a fortuna deles
teve um aumento de 1,1 bilhão de dólares.
Os
bilionários brasileiros mereceram também uma referência
curiosa. A Forbes lista Roberto Marinho, 97 anos, dono da Rede
Globo e 445º no ranking, como o bilionário mais velho da lista.
O mais novo é o príncipe alemão Albert von Thurn
und Taxis, de apenas 18 anos, que nada fez para juntar sua fortuna de
1,4 bilhão de dólares. Albert simplesmente nasceu em berço
de ouro. É herdeiro da tradicional família alemã
dona, entre outras coisas, de um império siderúrgico. Roberto
Marinho foi também o bilionário brasileiro cuja riqueza
mais encolheu nos últimos anos. De uma fortuna de 6,4 bilhões,
segundo a Forbes, ele viu seu patrimônio bater em 1 bilhão
de dólares. "Foi um ano duro para a Globo. O faturamento caiu 54%
no primeiro semestre pela diminuição da procura dos anunciantes
e pelas perdas com o portal de internet Globo.com", escreveu a Forbes
sobre Roberto Marinho.
Antônio
Ermírio e o banqueiro Aloysio Faria, que passou a freqüentar
a lista das pessoas mais ricas do mundo depois de vender seu Banco Real
em 1998, são os mais estáveis. A fortuna deles flutua pouco
de ano para ano. A de Faria ficou exatamente a mesma, 2,8 bilhões
de dólares, o que a Forbes interpretou como sinal de que
suas investidas empresariais depois da venda do Banco Real, entre elas
uma madeireira, hotéis, uma rede de lojas "faça você
mesmo" e um banco de investimentos, ainda não decolaram.
O dono da
rede de supermercados Pão de Açúcar, Abilio Diniz,
e o banqueiro Júlio Bozano, que vendeu seu banco ao espanhol Santander
no ano 2000, viram sua fortuna se reduzir em 500 milhões de dólares,
segundo a avaliação da Forbes. Ambos perderam algumas
posições no ranking. "Diniz herdou e fez crescer sua fortuna,
produzindo um lucro de 166 milhões de dólares em 2000",
afirmou a Forbes, que descreve Diniz como um "atleta obsessivo
que corre, nada e levanta pesos durante várias horas por dia".
A versão
2002 da lista de homens e mulheres mais ricos do mundo que a revista publica
anualmente tem um interesse especial. Nela está estampado um retrato
do que foi a economia mundial no ano passado. Foi um ano recessivo que
se arrastou até setembro, quando os atentados terroristas aos Estados
Unidos praticamente aplicaram um freio na economia americana com reflexos
pelo mundo. Resultado: a fortuna somada dos bilionários de 2002
ficou 190 bilhões de dólares menor que a de 2001. Apenas
497 pessoas preencheram o requisito básico para entrar no ranking,
que é ter patrimônio igual ou maior que 1 bilhão de
dólares. "Tivemos de cortar 83 tradicionais freqüentadores
de nossa lista, que ficaram menos ricos em 2001", diz Luisa Kroll, uma
das organizadoras do levantamento anual dos mais ricos do mundo. Foi um
ano atípico, em que 249 dos bilionários listados viram sua
fortuna diminuir no ano passado. A região que mais perdeu riqueza
foi a Ásia. O bilionário asiático mais bem colocado
no ranking, Li Ka-shing, o rei do plástico, ficou em 23º lugar,
mesmo perdendo um quarto de sua fortuna. Quinze asiáticos deram
adeus à lista.
No topo
do ranking da revista americana, como nos últimos cinco anos, está
Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft. Ele perdeu quase 6 bilhões
em 2001, mas sua riqueza pessoal de 52,8 bilhões de dólares
não foi páreo para ninguém. O segundo colocado, Warren
Buffett, o megainvestidor que só compra ações de
empresas cujos produtos são descartáveis, como a Gillette
e a Coca-Cola, tem 35 bilhões de dólares. Entre os novos
bilionários aparece um italiano, Steno Marcegaglia, que começou
a vida como dono de uma pequena metalúrgica e hoje possui um império
que produz 400.000 toneladas de aço
por ano. Surge também um israelense de 35 anos de idade chamado
Gil Shwed, criador de um programa que protege redes de computadores de
ataques de hackers e vírus. "A lista mostra que diminuiu o número
de bilionários no mundo", diz Luisa Kroll. "Mas fica claro também
que as pessoas continuam descobrindo novas maneiras de ficar ricas."
Fotos Luiz Claudio Ribeiro e divulgação

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