Não vingou
Vendas
da pílula do aborto
fracassam nos Estados Unidos
 |
| O
RU486: apenas 6% dos médicos receitam o comprimido
|
Acostumada
a colecionar sucessos estrondosos no lançamento de medicamentos,
a indústria farmacêutica encontra-se agora às voltas
com um intrigante caso de fracasso. Ele envolve a comercialização
da pílula abortiva, vendida desde dezembro de 2000 nos Estados
Unidos. Batizado com a sigla RU486, o remédio bloqueia a produção
do hormônio progesterona. Sem esse hormônio, o embrião
não se fixa na parede do útero e acaba sendo expelido pelo
corpo. Quando o produto chegou ao mercado, os laboratórios responsáveis
por sua fabricação anunciaram que ele seria a maior conquista
feminina desde a invenção do comprimido anticoncepcional.
As previsões otimistas, porém, não se confirmaram,
apesar da eficácia comprovada do remédio. De acordo com
uma pesquisa divulgada recentemente nos Estados Unidos, apenas 6% dos
ginecologistas do país estão receitando a pílula
abortiva.
Existem
algumas razões para explicar o fracasso comercial do medicamento.
Há quem evite o remédio por causa dos efeitos colaterais
que ele provoca. Depois de ingerir as cinco cápsulas necessárias
para a interrupção da gravidez, a mulher pode ter sangramentos
durante um mês, acompanhados de náuseas, diarréia
e cólicas fortíssimas. Muitos especialistas também
evitam receitar a pílula por medo do poderoso lobby exercido pelos
grupos conservadores de religiosos. Quando o medicamento foi liberado,
esses ativistas chegaram a ameaçar de morte alguns ginecologistas
favoráveis a sua utilização. Em pesquisas recentes,
os laboratórios constataram ainda outro problema: o produto é
pouco conhecido. Entre as americanas sexualmente ativas, apenas 14% já
ouviram falar da pílula do aborto.
|