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Anel mágico
Invenção
pode reduzir em 30%
as filas nos bancos de olhos

José
Edward
Eugenio Savio
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| O
oftalmologista Ferrara: técnica também é mais
barata que o transplante |
O oftalmologista
Paulo Ferrara de Almeida Cunha, de 51 anos, professor da Universidade
Federal de Minas Gerais, criou uma nova técnica para cirurgia de
olhos. O método serve para o tratamento do ceratocone, uma doença
hereditária que atinge pessoas entre 12 e 30 anos e provoca o afinamento
e a deformação progressiva da córnea, levando à
cegueira. Nesses casos, até hoje, a única alternativa de
tratamento era o transplante de córnea. Com sua invenção
basicamente o implante de dois microanéis de acrílico
, Ferrara permite que se evite o transplante ou, nos casos mais
graves, que se adie esse procedimento por um longo período. "É
uma técnica revolucionária porque melhora a visão
do paciente e também leva à diminuição das
filas nos bancos de olhos", diz Marta Sartori, professora da Escola Paulista
de Medicina e integrante de uma equipe que analisou o método. Estima-se
que até 30% dos 17.000 pacientes que
hoje precisam de transplante no país possam prescindir dele se
submetidos ao novo tratamento.
Montagem com foto de
Tarciso de Lima
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| Ilustração
com o gabarito que mede a córnea para marcar as incisões
que permitem implantar os anéis: uma das fases da técnica
de Paulo Ferrara
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No início, o ceratocone pode ser amenizado com o uso de óculos
ou lentes de contato, mas, com o tempo, as córneas do doente vão
ganhando cada vez mais a forma de um cone, causando aumento na distorção
da visão. "A sensação que a gente tem é de
que a córnea vai cair do olho", diz o estudante gaúcho José
Luis Tomé Gonçalves, que teve de trancar a matrícula
na faculdade de medicina de Caxias do Sul por causa da doença.
Gonçalves se submeteu à colocação dos chamados
anéis de Ferrara há quatro anos e voltou a estudar. Cada
um dos anéis é composto de duas pequenas peças semicirculares
com 5 milímetros de diâmetro. Na cirurgia, eles são
implantados sob túneis abertos no interior da córnea. Depois
da cicatrização, funcionam como alavancas que mantêm
a forma do órgão. Feita com anestesia local, a operação
dura dez minutos. O pós-operatório é de três
dias. "Um transplante é muito mais traumático, pois a córnea
é totalmente retirada", afirma o engenheiro Guilherme Gallo, de
Belo Horizonte, que passou pelas duas situações. Ex-transplantado,
ele teve problemas também com a córnea nova. Só os
anéis lhe permitiram manter a visão. A técnica de
implante desse tipo de prótese na córnea existe há
cinqüenta anos e era usada para correção de alguns
tipos de miopia. Ferrara teve a idéia de adaptá-la ao ceratocone.
Além do sucesso clínico, conseguiu também reduzir
o preço das cirurgias para 4.000 reais,
metade do que custa normalmente um transplante.
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