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Linguagem corporal
As tatuagens
enormes crescem
no corpo dos modernos e
também de executivos

Silvia Rogar
Claudio Rossi
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Paulo Rocha/Vip
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| A
tribal de Coy, o dragão de Tathiana e a variedade de Syang
(à dir.): "Obras de arte" |

Veja também |
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Começou discretamente: uma estrelinha aqui, um ideograma ali, uma
florzinha acolá, sempre em locais fáceis de cobrir com a
roupa ou com o cabelo. Aí, o modismo se vulgarizou e, para continuar
a causar efeito, as tatuagens foram aumentando, aumentando até
chegar aos atuais desenhos enormes, que dificilmente passam despercebidos.
E não é só coisa de moderno ou de membro da Yakuza,
a máfia japonesa. Nos estúdios especializados no assunto,
é cada vez maior o número de gente comum, sem nenhuma ligação
com as tribos tradicionais dos tatuados, que decide "fechar" as costas
todas ou um braço inteiro com uma única pintura, gigantesca,
ou uma série delas. "As pessoas passaram a procurar desenhos maiores
e exclusivos, que as diferenciem. E querem mostrá-los, como uma
jóia", analisa Sérgio Maciel, o Led's, presidente do Sindicato
(isso mesmo) dos Tatuadores de São Paulo. Embarcam na atual onda
tatuadora, entre outros, os muito malhados, os roqueiros e, claro, a turma
que adora seguir a moda à risca. Na surda disputa pelo maior desenho,
ganha a apresentadora Tathiana Mancini: com 1,77 metro de altura, ela
estampou há dois anos um dragão de 1,12 metro de comprimento
enroscado no dorso (tem ainda uma mandala indiana ocupando todo o pé
direito). "Acho as costas uma parte do corpo muito sexy e decidi usá-las
como tela mesmo", diz, nada arrependida. É seguida de perto pelo
marido, o produtor de eventos Coy Freitas, dono de uma gigantesca tribal
"no estilo das Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa", que ocupa
o braço direito, do dedo mindinho à nuca. "É uma
obra de arte. Você não dobra a esquina e vê alguém
com o mesmo desenho", exalta.
Renato Chaui
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| A
japa girl Christina: só três, "mas todas enormes"
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Os tatuadores não gostam de chamar de moda uma decisão que
vale para a vida toda, mas reconhecem que, desde que todo mundo que é
famoso resolveu se tatuar, o preconceito despencou e o número de
adeptos não pára de crescer. "Estou fazendo um samurai que
ocupa as costas inteiras de um executivo. Só que ele sai de terno
e ninguém desconfia", conta o carioca Caio Freire, tatuador de
um vasto time de famosos. Quando surgiram os primeiros tatuadores profissionais
no Brasil, há quase trinta anos, era praticamente impossível
encontrar um engravatado entre a clientela. Os adeptos de então
eram surfistas no estilo "menino do Rio", marinheiros e motoqueiros
estes, os primeiros "rebeldes" da tatuagem, com suas caveiras e correntes.
A prática, no entanto, é milenar em culturas tribais. No
Ocidente, o primeiro registro escrito apareceu em 1769, quando o explorador
inglês James Cook desembarcou no Taiti e viu que os nativos injetavam,
com finíssimas espinhas de peixe, pigmentos sob a pele o
que chamavam de tatu. Ao longo dos séculos, o processo foi
se modernizando: agora as tintas têm cores mais vibrantes, a assepsia
nos melhores estúdios lembra a de uma clínica médica
e os métodos de cicatrização se aprimoraram.
Jesse de Pina
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| Marina:
pelo menos uma nova tatuagem por ano |
Só não mudou, mesmo, a dor das agulhadas. Tatuar-se, hoje
e sempre, exige muito estoicismo dá arrepio só de
pensar no sacrifício exigido pela pantera totalmente negra das
costas de Lulo, da Casa dos Artistas. Para injetar o pigmento,
as agulhas perfuram, ponto a ponto, cerca de 3 milímetros da pele
a ser desenhada. Uma tatuagem que ocupe as costas inteiras demanda, pelo
menos, trinta horas, divididas em sessões que podem durar de duas
a cinco horas, e o trabalho final não costuma sair por menos de
2.000 reais. Melhor não se arrepender:
a remoção é dificílima. Mesmo o processo a
laser, o mais eficiente, só atua com alguma chance de sucesso sobre
as tatuagens de cor única e escura. Por isso, preencher boa parte
do corpo com desenhos é coisa para quem tem certeza do que quer,
como a roqueira fã de heavy metal Syang, 31 anos, onze tatuagens
(desenhos rendilhados nos dois braços, uma mordida de vampiro no
pescoço e uma teia de aranha no cotovelo), a outra desenhada da
Casa dos Artistas. Ou a muito moderna Christina Hiura, 28 anos,
a "japa girl" da música de Supla, que só tem três,
"mas todas enormes uma mulher-gato, uma coleção de
caveiras e uma que fecha as costas". "Não dá para escolher
um desenho ou lugar para tatuar só porque é moda", avisa
o estilista paulista Marcelo Sommer, 34 anos, dezoito tatuagens. "As minhas
representam várias fases que passei." Outra adepta pioneira, a
modelo Marina Dias, 25 tatuagens, grava pelo menos uma nova por ano (estamos
em março e ela já fez duas). "É como cirurgia plástica
quem gosta sempre põe um pouco mais de silicone", compara.
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A
marca da tribo
As
preferências dos loucos por desenhos na pele variam conforme
o grupo:

LUTADORES:
entre os adeptos das artes marciais, há o grupo do bem, que
gosta de ideogramas, e os pitboys, que, como o nome indica, se tatuam
com caras de cachorro.
MALHADORES:
favorecem os desenhos tribais com detalhes coloridos e as formas
geométricas. Quanto maiores, melhor.
MOTOCICLISTAS:
pioneiros das megatatuagens, estão com as caveiras, águias
e correntes e não abrem.
GAYS:
adoram temas extraídos dos mangás (quadrinhos japoneses)
e os braceletes largos com estampas tribais.

MODERNOS:
pin-ups e temas orientais. Destaques: dragões, dragões
e dragões.
PATRICINHAS:
ainda preferem as tatuagens delicadas, como as estrelinhas de Gisele
Bündchen e Mel Lisboa.
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