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Edição 1 741 - 6 de março de 2002
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Um passo na direção correta

Cauê Ito
Bolsa de valores: sem CPMF, promessa de crescimento

Em países dotados de mercados eficientes, é nas bolsas de valores e não nos bancos ou nos cofres do governo que as empresas conseguem recursos com que tocam e ampliam seus negócios. Em contrapartida, os investidores que colocam suas economias em ações ganham com a valorização dos papéis, com a distribuição de dividendos e com a efetiva posse de parte das companhias em que aplicaram. Quando o sistema funciona com transparência, o resultado são altas taxas de crescimento econômico e baixo nível de desemprego. No cenário ideal, tem-se um capitalismo popular, em que as empresas são efetivamente propriedade de milhões de pessoas. Com metade das famílias americanas donas de ações, os Estados Unidos são o país que mais perto chegou dessa situação. Isso explica o susto das autoridades quando as redes de proteção desse sistema falham, como no caso recente do escândalo da empresa de energia Enron.

Com a aprovação pela Câmara dos Deputados, na semana passada, da isenção da CPMF, o imposto sobre transações financeiras, para as bolsas, o Brasil deu um passo pequeno mas muito significativo em direção a um mercado de ações mais produtivo para o país. A medida, depois de ratificada pelo Senado, pode ajudar a atrair um número muito maior de investidores brasileiros para as hoje combalidas bolsas de valores. Há menos de dois anos os estrangeiros já não pagam o tributo. O entrave cultural histórico de aversão ao risco das bolsas pode também ter começado a ceder. Dois anos atrás, mais de 300.000 trabalhadores investiram até a metade de seu fundo de garantia em ações da Petrobras. As primeiras avaliações dão conta de que a venda, pelo mesmo sistema, de ações do governo na Vale do Rio Doce, iniciada há quinze dias, está obtendo sucesso semelhante. Muitas coisas ainda precisam ser feitas para que as bolsas tenham na economia brasileira o mesmo efeito positivo que exercem em outros países. A mais importante delas é a aprovação de uma lei que realmente dê poder aos acionistas minoritários. Portanto, é vital para a modernização do Brasil que se continue na busca de meios de colocar a poupança popular a serviço do crescimento econômico.

 
 
   
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