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Um passo na direção
correta
Cauê Ito
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| Bolsa
de valores: sem CPMF, promessa de crescimento |
Em países
dotados de mercados eficientes, é nas bolsas de valores e não
nos bancos ou nos cofres do governo que as empresas conseguem recursos
com que tocam e ampliam seus negócios. Em contrapartida, os investidores
que colocam suas economias em ações ganham com a valorização
dos papéis, com a distribuição de dividendos e com
a efetiva posse de parte das companhias em que aplicaram. Quando o sistema
funciona com transparência, o resultado são altas taxas de
crescimento econômico e baixo nível de desemprego. No cenário
ideal, tem-se um capitalismo popular, em que as empresas são efetivamente
propriedade de milhões de pessoas. Com metade das famílias
americanas donas de ações, os Estados Unidos são
o país que mais perto chegou dessa situação. Isso
explica o susto das autoridades quando as redes de proteção
desse sistema falham, como no caso recente do escândalo da empresa
de energia Enron.
Com a aprovação
pela Câmara dos Deputados, na semana passada, da isenção
da CPMF, o imposto sobre transações financeiras, para as
bolsas, o Brasil deu um passo pequeno mas muito significativo em direção
a um mercado de ações mais produtivo para o país.
A medida, depois de ratificada pelo Senado, pode ajudar a atrair um número
muito maior de investidores brasileiros para as hoje combalidas bolsas
de valores. Há menos de dois anos os estrangeiros já não
pagam o tributo. O entrave cultural histórico de aversão
ao risco das bolsas pode também ter começado a ceder. Dois
anos atrás, mais de 300.000 trabalhadores
investiram até a metade de seu fundo de garantia em ações
da Petrobras. As primeiras avaliações dão conta de
que a venda, pelo mesmo sistema, de ações do governo na
Vale do Rio Doce, iniciada há quinze dias, está obtendo
sucesso semelhante. Muitas coisas ainda precisam ser feitas para que as
bolsas tenham na economia brasileira o mesmo efeito positivo que exercem
em outros países. A mais importante delas é a aprovação
de uma lei que realmente dê poder aos acionistas minoritários.
Portanto, é vital para a modernização do Brasil que
se continue na busca de meios de colocar a poupança popular a serviço
do crescimento econômico.
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