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6 de fevereiro de 2008
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Cinema
Viva o monstro

Cloverfield libera a platéia para torcer sem dó pela catástrofe


Isabela Boscov

Divulgação
Os "protagonistas": uma câmera na mão e nadinha na cabeça

Cloverfield – Monstro (Cloverfield, Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país, proporciona largas doses daquela satisfação biblicamente primordial de ver a criação humana sendo arrasada. Proporciona também enjôo, já que, conforme anuncia, as imagens trepidantes e desfocadas são o que sobrou de um registro amador da catástrofe. E ponha-se amador nisso. O que o filme não oferece é razão para os outros sentimentos que o gênero costuma provocar: o pavor e o pesar pela destruição de vidas e da civilização. Graças ao elenco sumamente insípido, Cloverfield libera a platéia para torcer sem remorso pelo monstro – uma criatura gigantesca e estranha que surge das águas à volta de Manhattan, emborca um petroleiro, brinca de boliche com a cabeça da Estátua da Liberdade e procede então à demolição da ilha. Os protagonistas são um grupo de amigos de 20 e poucos anos e vocabulário funcional na casa das vinte e pouquíssimas palavras. Pegos no meio de uma festa, eles não largam a sua câmera em momento nenhum, nem depois que o "cinegrafista" do bando vira lanche. Quando não está chateando com seu desenvolvimento de personagens fajuto, Cloverfield diverte. O que não dá para entender é por que, enquanto planejava seu assalto a mão armada a Godzilla, A Bruxa de Blair e ao recente e excelente O Hospedeiro, o produtor J.J. Abrams (da série Lost) não aproveitou para roubar também um pouco da inspiração deles.



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