Cloverfield
libera a platéia para torcer sem dó pela catástrofe
Isabela Boscov
Divulgação
Os "protagonistas":
uma câmera na mão e nadinha na cabeça
Cloverfield
Monstro(Cloverfield,
Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira
no país, proporciona largas doses daquela satisfação
biblicamente primordial de ver a criação humana
sendo arrasada. Proporciona também enjôo, já
que, conforme anuncia, as imagens trepidantes e desfocadas são
o que sobrou de um registro amador da catástrofe. E ponha-se
amador nisso. O que o filme não oferece é razão
para os outros sentimentos que o gênero costuma provocar:
o pavor e o pesar pela destruição de vidas e da
civilização. Graças ao elenco sumamente
insípido, Cloverfield libera a platéia
para torcer sem remorso pelo monstro uma criatura gigantesca
e estranha que surge das águas à volta de Manhattan,
emborca um petroleiro, brinca de boliche com a cabeça
da Estátua da Liberdade e procede então à
demolição da ilha. Os protagonistas são
um grupo de amigos de 20 e poucos anos e vocabulário
funcional na casa das vinte e pouquíssimas palavras.
Pegos no meio de uma festa, eles não largam a sua câmera
em momento nenhum, nem depois que o "cinegrafista"
do bando vira lanche. Quando não está chateando
com seu desenvolvimento de personagens fajuto, Cloverfield
diverte. O que não dá para entender é por
que, enquanto planejava seu assalto a mão armada a Godzilla,A Bruxa de Blair e ao recente e excelente O Hospedeiro,
o produtor J.J. Abrams (da série Lost) não
aproveitou para roubar também um pouco da inspiração
deles.