BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2046

6 de fevereiro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Lya Luft
Diogo Mainardi
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Auto-retrato
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Cinema
No fio da navalha

Sweeney Todd, de Tim Burton, é uma bela recriação
da história do barbeiro assassino – exceto pela cantoria


Isabela Boscov

VEJA TAMBÉM
Da internet
Trailer do filme

Alguns historiadores defendem que Sweeney Todd, o barbeiro que preferia correr a navalha pela garganta dos fregueses a passá-la pelas suas suíças, foi uma figura real – um produto dos medonhos cortiços que se estendiam pela Londres do século XIX, onde só com quantidades estuporantes de gim era possível suportar uma vida de miséria, sujeira e violência. Mas, seja Todd verídico ou não, ele está tão incrustado na imaginação dos ingleses quanto Jack, o Estripador, como um exemplo do lado de pesadelo da era vitoriana. Todd primeiro surgiu num enredo concebido por autor anônimo e publicado em capítulos num periódico, entre 1846 e 1847. Embora fosse um personagem secundário da trama, roubou a cena, não só pelos rios de sangue que fazia correr em sua barbearia, mas pela maneira criativa como dispunha dos cadáveres: doando-os à sua vizinha, a viúva Lovett, que prontamente os transformava em recheio para suas tortas. Desde então, Todd ganhou incontáveis encarnações no teatro, no cinema e na televisão. A mais célebre delas é o musical encenado pelo compositor Stephen Sondheim em 1979 – e é seu libreto que o diretor Tim Burton adapta em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, Estados Unidos/Inglaterra, 2007), que estréia nesta sexta-feira no país.

Do olhar trágico aos cabelos revoltos, Johnny Depp, o alter ego habitual do diretor, interpreta Sweeney como um Edward Mãos-de-Tesoura desencaminhado. Quinze anos antes, o abjeto juiz Turpin (Alan Rickman) tramou um golpe contra o barbeiro, roubando-lhe a jovem esposa e a filha pequena e destruindo-o. Agora, de volta a Londres, o protagonista quer vingança. Mas não da modalidade fria e refinada, e sim jorrando da carótida dos que procuram seus serviços. Helena Bonham Carter, mulher de Burton, molda a viúva Lovett nessa mesma forma, como uma criatura desapontada, que vê no barbeiro a chance de um romance e, nas tortas bem recheadas, uma promessa de prosperidade. A direção de arte, excelente, é uma reconstituição meticulosa da imundície da velha Londres, na qual só o vermelho do sangue se destaca dos cinzas lúgubres. O que falta dizer é que o filme é também ele um musical – na verdade, quase uma ópera –, por razões que parecem se resumir a um capricho do diretor. Depp e Helena têm muito que os recomende como atores, e pouco que entusiasme como cantores. Cada vez que eles enchem o peito, a empolgação da platéia faz exatamente o contrário: murcha mais um pouco.

 



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |