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6 de fevereiro de 2008
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Saúde
As idades da depressão

Pesquisa com 2 milhões de pessoas mostra
que a felicidade da juventude retorna na velhice


Paula Neiva

A entrada na casa dos 40 anos causa mesmo um tremendo baque emocional – e é muito difícil evitá-lo. Em compensação, quem chega aos 70 anos com boa saúde tem grandes chances de encarar o dia-a-dia com o mesmo otimismo e a mesma disposição que movem os jovens de 20. Essas são as duas principais conclusões da mais extensa pesquisa já feita sobre a relação entre a idade e a satisfação com a vida. O estudo, coordenado por economistas americanos e ingleses, analisou dados médicos de quase 2 milhões de pessoas de oitenta países, incluindo o Brasil. As informações foram obtidas em hospitais, clínicas e universidades. Os quarentões concentram o maior índice de infelicidade e de casos de depressão independentemente de sexo, estado civil, condição social, número de filhos ou nacionalidade. A pesquisa conclui que a sensação de felicidade ao longo da vida evolui como um gráfico em forma de "U". Está no auge por volta dos 20 anos, entra em curva descendente na década seguinte e chega ao fundo do poço na meia-idade. A partir dos 60 anos, a curva da felicidade recupera o fôlego e, aos 70 anos, volta ao mesmo nível relatado pelos jovens adultos. "Os dados foram muito consistentes, mas ainda estamos estudando os desdobramentos da pesquisa", disse a VEJA Andrew Oswald, professor da Universidade de Warwick, na Inglaterra, um dos autores do trabalho.

A fossa dos quarentões e a boa disposição de jovens e idosos explicam-se em boa parte pelas situações que geralmente surgem nessas fases. Enquanto os jovens têm uma enorme confiança no futuro e os idosos saudáveis experimentam a sensação de dever cumprido, os quarentões enfrentam um cenário bem diferente. Mesmo involuntariamente, a chegada à maturidade estimula uma análise da trajetória até aquele ponto da vida, muitas vezes acompanhada de sentimentos de frustração por projetos não realizados e de medo do futuro.

O resultado da pesquisa chama atenção para a maior discussão atualmente em pauta nos consultórios psiquiátricos: se a quantidade de diagnósticos de depressão é ou não excessiva. As estimativas mais divulgadas apontam que 20% da população mundial tem pelo menos uma crise depressiva ao longo da vida. Muitos médicos acreditam que, na realidade, o número de doentes possa ser 25% menor. No livro The Loss of Sadness: How Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: Como a Psiquiatria Transformou o Sofrimento Normal em Depressão), lançado no ano passado nos Estados Unidos, os pesquisadores Allan Horwitz e Jerome Wakefield argumentam que antidepressivos como Prozac e Zoloft são freqüentemente utilizados para tratar a tristeza, um sentimento natural do ser humano que, apesar de indesejável, nada tem de patológico. "O tratamento com remédios só é indicado nos casos em que os sintomas incapacitam o portador de alguma forma", diz Marcio Versiani, coordenador do programa de depressão e ansiedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O que se observa hoje é que muitas pessoas tomam remédios em vez de enfrentar os problemas", conclui.

 

 
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Foto: Ulrik Tofte/Getty Images

 

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