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Justiça O julgamento dos assassinos
de João Hélio
Em 7 de fevereiro do ano passado, a cidade do Rio de Janeiro foi cenário de um crime abominável. Bandidos abordaram o carro da dona-de-casa Rosa Vieites e exigiram que todos descessem. Ela e a filha saíram do automóvel, mas João Hélio, o filho mais novo, ficou preso pelo cinto de segurança. Os ladrões partiram arrastando o garoto de 6 anos pelo asfalto. Na primeira curva a cabeça do menino bateu num poste, deixando uma trilha de sangue pelo chão. Ele foi arrastado por 7 quilômetros. Os bandidos não deram atenção aos gritos dos moradores, horrorizados com a cena. Abandonaram o veículo quatro bairros depois. João Hélio, decapitado, ainda estava atado ao cinto. Três pessoas participaram diretamente desse crime bárbaro, incluindo um menor de idade. Mais tarde, descobriu-se que outros dois jovens também estavam envolvidos. Na última quarta-feira, oito dias antes de o assassinato completar um ano, todos foram julgados e condenados pela Justiça. Com exceção do menor, que só pode ficar detido por três anos, pegaram penas que variam de 39 a 45 anos de prisão. Foi um caso raro em que a Justiça e a polícia agiram de forma célere no Brasil.
O criminalista Arthur
Lavigne, um dos mais experientes do Rio de Janeiro, considera
que a juíza agiu acertadamente ao dar prioridade ao caso
João Hélio. Diz ele: "Os juízes podem
e devem estabelecer prioridades. Os julgamentos têm uma
função pedagógica e mostram que a Justiça
está presente". É um argumento pertinente.
Há casos de igual repercussão em que a Justiça
foi mais lenta e menos eficaz (veja o quadro),
e isso de fato contribui para aumentar a sensação
de que a impunidade grassa no Brasil. O perigo é cair
na situação inversa a idéia de que
há assassinatos, roubos, assaltos que, com menor repercussão,
são também "menos ruins". Todos os crimes
violentos devem ser punidos com rigor e rapidez. Não
se pode abandonar esse ideal.
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