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6 de fevereiro de 2008
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Brasil
Os perigos da folia

A Comissão de Ética recomenda às autoridades
que se afastem dos camarotes no Carnaval


Otávio Cabral

Sergio Lima/Folha Imagem
Descuidado, o ex-presidente Itamar Franco protagonizou uma cena insólita

A Comissão de Ética da Presidência da República existe há mais de oito anos, mas só adquiriu notoriedade nos últimos meses, depois da polêmica envolvendo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O órgão considerou eticamente reprovável o fato de Lupi exercer as funções de ministro e presidente do PDT e recomendou, em dezembro do ano passado, que ele optasse por um dos cargos. E o que aconteceu até agora? Nada. Lupi continua ministro e presidente do partido – e já disse que, se depender dele, assim vai permanecer. Desde então, a Comissão de Ética enfrenta a ameaça de desmoralização, e alguns de seus membros já pensam até em abandoná-la. E a gota-d’água que falta pode pingar durante o Carnaval. Uma das últimas decisões dos conselheiros foi recomendar às autoridades que fiquem distantes da folia dos camarotes privados durante o Carnaval – uma prática corriqueira que provocou constrangimentos inesquecíveis. Em 1994, durante a festança no Rio de Janeiro, o então presidente Itamar Franco protagonizou um episódio patético ao ser fotografado em um camarote ao lado de uma mulher seminua.

Os camarotes privados, principalmente no Rio de Janeiro e em Salvador, oferecem a um seleto grupo de convidados bebida, comida, companhia agradável e acesso privilegiado aos principais eventos do Carnaval. Alguns, mais requintados, ainda acrescentam aos pacotes passagens aéreas, hospedagem em hotéis luxuosos e traslado, incluindo os familiares. A mordomia, que acabou virando uma tradição, faz parte da estratégia de publicidade das empresas. As autoridades participam da festa, são fotografadas, concedem entrevistas e, indiretamente, acabam retribuindo a gentileza do convite fazendo o papel de garotos-propaganda dos promotores. Normalmente, para ingressar nos camarotes, a única exigência que as companhias fazem é o uso de uma camisa com o logotipo dos patrocinadores. Para a Comissão de Ética, isso pode provocar dúvidas sobre a probidade e honorabilidade da autoridade beneficiada. "O nosso trabalho é dar um basta nessa história de ‘sempre se fez, e daí?’.", disse o presidente da comissão, Marcílio Marques Moreira.

Leo Pinheiro/Folha Imagem
Marcílio Marques Moreira: "Nosso trabalho é dar um basta nessa história"


Será preciso esperar a Quarta-Feira de Cinzas para saber se as recomendações da Comissão de Ética serão observadas à risca ou, como no caso do ministro Lupi, solenemente ignoradas. Algumas autoridades fizeram mudanças de última hora em sua agenda para os quatro dias de folia. O presidente Lula, por exemplo, pensou em passar o Carnaval no Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral chegou a anunciar a presença do presidente no desfile das escolas de samba. Na semana passada, a assessoria do Palácio do Planalto informou que Lula optou por descansar no Guarujá, em São Paulo. Em princípio, nada a ver com a recomendação da Comissão de Ética. A incursão no Carnaval carioca teria sido desaconselhada por questões de segurança. Avalia o filósofo Roberto Romano, professor de ética da Unicamp: "A comissão é um órgão essencial em qualquer país democrático. O problema é que, em um país de políticos corruptos adeptos da ‘ética da delinqüência’, decisões como essas nunca são levadas a sério".


 

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