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CINEMA
Divulgação

O
Fio:
alta voltagem emocional |
O Fio da Inocência (Felicia's Journey, Canadá/Inglaterra,
1999. Desde sexta-feira em São Paulo e Rio) O diretor canadense
Atom Egoyan é um especialista em dissecar situações
de alta voltagem emocional com um olhar que beira o científico.
Em O Fio da Inocência, ele põe sob seu microscópio
Joseph (Bob Hoskins), um homem que vive enclausurado nos anos 50, entre
as memórias e o ambiente físico de sua infância. Tanto
maior será o drama que segue, portanto, quando a jovem Felicia
(Elaine Cassidy) conhece Joseph. Ela está numa jornada oposta à
dele: grávida, deixou sua Irlanda natal atrás do pai de
seu filho, numa busca que se anuncia infrutífera. Está perdendo
as ilusões e a inocência, e arrisca-se a perder a vida também.
Egoyan tira dessa história um estudo sobre os possíveis
caminhos do ser humano superação ou negação
diante da rejeição. Uma obra de mestre, que dá
ainda a chance ao inglês Bob Hoskins de moldar uma das melhores
atuações de sua carreira.
Surf
Adventures O Filme (Brasil, 2001. Desde sexta-feira em
cartaz em circuito nacional) Poucos esportes são tão
fotogênicos quanto o surfe, e poucos filmes sobre o tema poderiam
resultar tão simpáticos quanto esta produção
brasileira dirigida por Arthur Fontes. A equipe de Arthur acompanha alguns
dos astros nacionais da prancha como Teco Padaratz e outros
talentos que ainda estão despontando em passagens por Fernando
de Noronha, Indonésia, África do Sul, Havaí e Califórnia.
Há um pouco de tudo o que caracteriza os bons exemplares do gênero:
ótima trilha (quase só de rock e pop nacional), depoimentos
dos surfistas sobre seu estilo de vida zen, pitadas de turismo antropológico
e, claro, manobras filmadas com muita perícia e originalidade.
DISCOS
Vanilla
Sky, vários intérpretes (WEA) Ex-jornalista
da revista musical Rolling Stone, o cineasta Cameron Crowe sabe
usar todas as suas conexões para produzir trilhas sonoras de altíssima
qualidade. Para Vanilla Sky, Crowe não só conseguiu
uma canção inédita de Paul McCartney (a faixa-título)
como ainda convenceu Peter Gabriel a regravar um de seus principais sucessos:
Solsbury Hill, balada de 1977 que ganhou tratamento acústico.
Outra curiosidade é a atriz Cameron Diaz mostrando seus dotes vocais
sob o codinome Julianna Gianni na engraçadinha I Fall Apart.
No restante do álbum, veteranos como Monkees e Todd Rundgren dividem
espaço com astros da música alternativa, como os exóticos
islandeses do Sigur Rós.
Asleep
in the Back, Elbow (Sum Records) A enfumaçada Manchester
é uma espécie de Cubatão da Inglaterra, mas também
a cidade natal de algumas das maiores bandas de rock das últimas
décadas, como Smiths e Joy Division. O Elbow não faz feio
nessa companhia. Asleep in the Back, seu álbum de estréia,
entrou nas listas de melhores discos de 2001 de várias revistas
de música da Europa. São dez canções hipnóticas,
repletas de teclados, linhas de baixo com influência dub (uma espécie
de reggae psicodélico) e vocais expressivos que ficam a
cargo do líder do grupo, Guy Garvey. Faixas como Red, Don't
Mix Your Drinks e Bitten by the Tailfly têm poder para
seduzir tanto os fãs da fase psicodélica do Pink Floyd quanto
os admiradores do grupo pop ultramodernoso Radiohead.
DVD
Vivaldi:
the Four Seasons, Nigel Kennedy & the English Chamber Orchestra
(EMI) Lançada em 1989, a versão do violinista inglês
para a peça mais famosa do compositor barroco italiano Antonio
Vivaldi é um dos discos de música clássica mais vendidos
de todos os tempos. Este DVD oferece uma nova oportunidade para conferir
a destreza do instrumentista e sua maneira exuberante de apresentar-se.
Kennedy é uma espécie de Jimi Hendrix da música clássica.
Tem dedos agilíssimos e uma dose considerável de criatividade.
Além disso, adota penteados e um estilo de vida mais comum em astros
do rock do que em músicos eruditos: não é raro ele
destruir os quartos de hotel por onde passa. Além da recriação
da obra de Vivaldi (Kennedy colocou mais velocidade ainda nos solos),
o disco traz cenas de ensaios e entrevistas com o violinista.
LIVRO
Mulher
de Pedra, de Tariq Ali (tradução de Maria Alice
Máximo; Record; 320 páginas; 32 reais) Romancista
paquistanês radicado na Inglaterra, Tariq Ali dedica-se ao que chama
de "desafiar os preconceitos do leitor ocidental" em relação
à cultura islâmica. Calma. Não se trata de literatura
com objetivos doutrinários. Dono de um belo texto, o escritor apenas
conta histórias do ponto de vista de personagens muçulmanos
e não deixa de denunciar tradições caducas.
Mulher de Pedra fala da opressão feminina, mas também
revela a notável influência que mulheres podem ter no âmbito
familiar do Islã. O livro mostra a decadência de uma família
turca no fim do século XIX. A mulher de pedra do título
é uma estátua à qual a narradora Nilofer se dirige,
como tantas de suas ancestrais, para contar sua história.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Ana Hernandez Khan
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| Catherine:
quarenta de uma vez? |
É
irrelevante saber se o que se lê em A Vida Sexual de
Catherine M. (tradução de Claudia Fares; Ediouro;
216 páginas; 24,90 reais), em quinto lugar na categoria de
não-ficção, tem algo de imaginação
ou é relato fiel das aventuras apimentadíssimas
de sua autora como trombeteia a própria. Para além
de seu aspecto chocante, o livro da crítica de arte francesa
Catherine Millet tem um evidente objetivo "cabeça": expor
a banalização do sexo. Dito assim parece uma tese
de sociólogo francês e, no fundo, o espírito
é esse mesmo. A autora, de 53 anos, descreve suas supostas
traquinagens sexuais sem economizar na pornografia (vale dizer que
seu marido lançou simultaneamente outro livro, com fotos
dela nua). Conta que se iniciou no prazer aos 17 anos e logo na
seqüência já debutava em sua primeira relação
a quatro. O enredo é simplesmente uma série de libertinagens
consumadas em qualquer canto imaginável um museu,
um cemitério, um armário, a boléia de um
caminhão. Catherine (que antes preferia escrever monografias
sobre arte conceitual) narra orgias com até 150 "atores",
explica como se relacionou com quarenta homens de uma vez, fala
de suas carícias com outras mulheres e travestis. Não
é difícil perceber, contudo, que há algo de
artificial por trás de tanta vibração carnal.
Sua linguagem é fria como a de um boletim clínico.
Se o objetivo da autora era menos excitar os leitores e mais mostrar
como o sexo pode se tornar uma experiência mecânica,
ele está plenamente cumprido.
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