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Edição 1 737 - 6 de fevereiro de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

 

POLÍTICA

Cara a cara

José Serra e Nizan Guanaes marcaram uma conversa para logo depois do Carnaval. Ou acertam os ponteiros ali ou nunca mais. A possibilidade de Serra ter o publicitário em sua campanha, no entanto, é maior que a de vê-lo continuar nos braços de Roseana.  

Sincretismo baiano

Um dos dados mais curiosos para quem analisa as pesquisas eleitorais na Bahia é a existência de uma extensa massa de petistas-carlistas – fruto da popularidade de ACM e da liderança de Lula nas pesquisas. É aquele eleitor que vota em Lula para a Presidência e em ACM para o Senado. Aliás, nesta semana será divulgada uma pesquisa do Vox Populi mostrando que sete em cada dez baianos votariam em ACM para senador se as eleições fossem hoje. E seis em cada dez o escolheriam caso ele fosse candidato a governador.

Sem sentido

No próprio Palácio do Planalto há consenso de que já passou dos limites a manutenção da pré-candidatura do ministro Raul Jungmann à Presidência pelo PMDB. Jungmann, a propósito, alcançou 0% das preferências dos eleitores na última pesquisa do Ibope.

Dengue não pegou Serra

Por incrível que pareça, José Serra não foi abatido pelo Aedes aegypti. A MCI realizou uma pesquisa nacional na semana passada para saber quem era o responsável pela epidemia de dengue no país. Apenas 7% botaram a culpa no Ministério da Saúde. Aliás, os governos municipais e estaduais também escaparam. Foram responsabilizados por apenas 9% e 7% das pessoas, respectivamente. Quem falhou, então? Para 68%, foi a própria população, que deixou de se preocupar com os focos de água parada em casa ou nos arredores.

 

GOVERNO

Um novo xerife na praça

Via medida provisória, o governo FHC dará à luz até março uma nova agência reguladora. Ela reunirá as atribuições da Secretaria de Previdência Complementar e da Susep – a primeira, atual xerife dos fundos de pensão; a segunda, das companhias de seguro. As últimas pinceladas no projeto estão sendo dadas.

 

A superloteria do Boni


Bia Parreiras
Boni: mil e uma habilidades

Boni, o gênio maior da televisão, está envolvido até a medula num projeto completamente diferente de tudo o que se espera dele: a criação de uma superloteria popular, com sorteios diários transmitidos por TV, internet e rádio. É um empreendimento conjunto com a Secretaria de Cultura paulista. Empresas como a Telefônica já foram procuradas por Boni para ser parceiras. O modelo não é semelhante ao da Tele Sena de Silvio Santos – ou seja, não é um título de capitalização. Outra diferença marcante será a destinação de 30% de sua arrecadação para financiar projetos culturais.

 

ECONOMIA

O apetite da Petrobras

A Petrobras está estudando a compra de parte da Supergasbrás, a quarta maior distribuidora de gás de cozinha do país. A idéia é entregar a empresa à BR, que entraria, assim, no único setor de distribuição de derivados de petróleo do qual ela não participa.

A "Sadigão" não sai

O namoro entre Sadia e Perdigão não foi para a frente. Acabou por falta de interesse da Perdigão. Isso quer dizer que a aliança entre os dois gigantes fica restrita à joint venture que montaram na Rússia.

Do Nacional para o BC

Nada como um dia depois do outro. Ou um balanço depois do outro. A KPMG, que auditava os balanços maquiados do falecido Banco Nacional – e lá nunca encontrou nada de errado –, é hoje a empresa que faz a auditoria das contas do Banco Central.

 

BRASIL

Menos problemas para EJ

Eduardo Jorge se livrou de mais uma. Na semana passada, a Receita Federal botou um ponto final na diligência que fez sobre a corretora Blue Chip. As contas da empresa estão em ordem, segundo o relatório dos fiscais. Para quem não se lembra, a Justiça Federal determinou a quebra do sigilo bancário de EJ por causa de um empréstimo de 200.000 reais da Blue Chip para ele. A operação foi considerada suspeita pelo procurador Luiz Francisco de Souza.

Os superaposentados da RFFSA

Difícil é encontrar uma moleza como a que conseguiram os 20.000 aposentados da Rede Ferroviária Federal, a RFFSA. Essa turma foi contratada entre 1969 e 1972 pelas leis da iniciativa privada. Mesmo assim, o governo lhe garantia aposentadoria integral. Em 1972, ganharam os benefícios de um fundo de pensão criado pela Rede. No dia em que vestiram o pijama, levaram para casa duas aposentadorias integrais mais o FGTS. Outros 6.000 funcionários estão conseguindo na Justiça o direito às duas aposentadorias. O pior vem agora: é mais barato o governo desistir da briga e pagar logo as aposentadorias. Gastará menos que se tiver de cobrir o rombo de 700 milhões de reais do fundo de pensão da Rede.

 

A indenização da modelo


Ricardo Correa
Fernanda: ação de milhões

Não é pequena a indenização que pretende obter do Pão de Açúcar a família da modelo Fernanda Vogel, que morreu em julho na queda de um helicóptero da empresa. A amigos, já andaram falando em 8 milhões de reais. Mas, por enquanto, ainda investem na possibilidade de um acordo. Como seguro morreu de velho, contrataram o experiente advogado carioca Wellington Pimentel.

 

SEGURANÇA

Poder paralelo se alastra

Não é só nas favelas do Rio de Janeiro e de São Paulo que o poder da bandidagem esmaga o poder do Estado. Recentemente, na cidade mineira de Contagem, a Telemar teve de negociar com os bandidos que dominam uma favela da cidade permissão para que seus técnicos possam trabalhar em paz.

Questão de demanda

Há cinco anos, quando a indústria de seqüestros era a que mais prosperava no Rio de Janeiro, a inglesa Control Risks – especializada em negociar com os bandidos – desembarcou na cidade. Instalou ali sua sede na América Latina. Quando os seqüestros acabaram no Rio, a empresa fechou as portas e migrou de mala e cuia para São Paulo.

Parece mas não é

O Rio de Janeiro é a capital brasileira com a menor taxa de venda de cigarros falsificados e contrabandeados do país. Apenas 17% do mercado carioca é ocupado por essa bandalheira, metade da média nacional. Beleza. Parece um feito e tanto. Mas pode ser apenas ilusão de ótica: a indústria de cigarros suspeita que o produto ilegal tem mais dificuldade de entrar no Rio por causa das organizações criminosas de traficantes que dominam os morros da cidade.

 

Colaboraram Felipe Patury e Ronaldo França

 
  Foto Felipe Reis


   
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