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Saudades
do Brasil
País verá pela primeira vez a obra
inteira de
Albert Eckhout, pioneiro
em retratar brasileiros
Divulgação
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| Homem
Tupinambá: índios mostrados
com a mesma altivez dedicada às poses dos nobres europeus |
Pouco
se sabe ao certo sobre a vida do pintor holandês Albert Eckhout,
exceto que ele era um apaixonado pelo Brasil. Membro da corte de Maurício
de Nassau, Eckhout desembarcou no Nordeste em 1637, durante a ocupação
da região pelos seus compatriotas, e passou os sete anos seguintes
retratando os diversos tipos étnicos do Novo Mundo, além
de exemplares de sua fauna e flora. Em 1654, Nassau presenteou seu rei,
Frederico III, com a parte mais preciosa dessa obra, formada por 26 telas
a óleo. Duas se perderam com o tempo e as remanescentes estão
hoje depositadas no Museu Nacional da Dinamarca, que as conta entre os
seus principais tesouros. Nunca esse acervo pôde ser conferido em
sua totalidade no território onde ele foi confeccionado. O máximo
que o Brasil já recebeu foram catorze quadros, para uma exposição
no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1991. Mas a lacuna está
prestes a ser preenchida, graças à mostra Retrato do Novo
Mundo: o Legado de Albert Eckhout. Ela terá início na próxima
sexta-feira na Dinamarca e deverá desembarcar no Brasil
mais precisamente no Recife, tema dos quadros do pintor em setembro
deste ano. Em dezembro segue para Brasília e, logo depois, para
São Paulo. É a primeira vez que o acervo completo do pintor
holandês sai da Dinamarca para uma exposição.
Albert Eckhout pintou índios, negros, mestiços e mamelucos.
Seus personagens eram mostrados com uma postura altiva, a exemplo dos
retratos de nobres europeus. Apenas numa tela foi mantida a aura "selvagem"
dos retratados: um quadro dos tapuias, como os tupis designavam seus inimigos
de outras tribos. Ele também se dedicou a criar naturezas-mortas
com plantas tropicais, que formarão uma parte importante de Retrato
do Novo Mundo. O projeto dessa mostra foi acalentado durante cinco anos
por seu organizador, o publicitário dinamarquês Jens Olensen,
presidente da McCann-Erickson no Brasil. "Encantei-me com as obras de
Eckhout quando as vi em Copenhague, aos 8 anos de idade", diz ele. Nesse
maravilhamento, aliás, Olensen foi precedido por um brasileiro
ilustre. Em 1876, durante uma visita a Copenhague, o imperador dom Pedro
II apaixonou-se pelas telas, a ponto de encomendar cópias a um
pintor local. Elas não são ruins, e podem ser apreciadas
atualmente no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro,
no Rio de Janeiro. Mas nada como ver o original.
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