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Magnífico o trabalho de reportagem sobre o caos em que se transformou
a segurança pública no país ("O Brasil ensangüentado",
30 de janeiro). A Constituição "cidadã" de 1988
trouxe ao país a falsa idéia de que uma nação
pode ter muitos direitos e poucos deveres. O resultado aí está:
impunidade generalizada para a "politicalha" corrupta e o mau exemplo
se espalhando daí para baixo, em todos os níveis de atuação
do Estado. Nós,
brasileiros, sempre estivemos expostos à violência. Uns
podendo se proteger mais, outros menos. Mas precisou acontecer uma tragédia
com uma autoridade para finalmente despertarmos. As
manifestações de indignação do povo não
terão sentido algum enquanto não houver participação
das autoridades. Aflige-me
ver a cidade em que nasci e cresci ficar famosa devido à potencialização
da violência. Assim como todo cidadão campineiro, espero
que essa divulgação transmita consciência e coragem
para o governo tomar medidas que acabem de vez com esse mal que afeta
profundamente a população. O
bairro onde moro desde criança sempre foi pacato e referência
de qualidade de vida. Hoje, saio de casa para trabalhar sem a certeza
da volta. Tomara que as futuras gerações tenham a chance
de recuperar a liberdade hoje tolhida. A
maioria dos problemas referentes à criminalidade urbana e à
violência no Brasil não se justifica somente pela desqualificação
dos policiais e pela desorganização no sistema judiciário.
Resulta principalmente do fato de as crianças terem sua infância
roubada. Muitas crescem em meio à violência familiar, à
brutalidade e ao alcoolismo dos pais. Fogem para as ruas, mas acabam
encontrando uma sociedade gananciosa, desigual e cheia de injustiças.
Aí é que entra a importância da educação
na vida dessas crianças. Com uma reforma de base na educação
será possível reduzir consideravelmente problemas como
os ocorridos nas últimas semanas. Fujo
do noticiário sobre crime para não me aniquilar no medo,
mas essa radiografia de VEJA, enriquecida pelo artigo de Luiz Eduardo
Soares ("Para fugir
à armadilha da simplificação", 30 de
janeiro), mostra a diversidade das causas da violência, ao mesmo
tempo que aponta a mais coerente direção para seu combate.
É preciso enaltecer tão rara lucidez!
O senhor William Bratton nos ensinou que é possível vencer
o crime no Brasil. Gostaria de saber qual das autoridades teria coragem
de coibir a corrupção na polícia e no Judiciário.
Só alguém com muita coragem, comprometimento e amor ao
país ("O
Brasil pode vencer o crime", 30 de janeiro).
Achei impressionante a lucidez do piloto Alessandro Zanardi (Amarelas,
30 de janeiro). Com seu modo sensato de avaliar suas condições
atuais, mostrou ser um campeão também fora das pistas. A
entrevista com Zanardi apenas confirma que ele é um grande herói.
Ele nos deu muita alegria. Deve o Alex ser nossa referência de
vida, de amor à família e de caráter. Sou
fã de corrida e fiquei chocada quando vi o acidente e suas conseqüências.
A lição de vida que esse ser humano e piloto está
passando nos faz pensar em quanto estamos perto da morte e como não
valorizamos os momentos preciosos que temos para viver. Na última
semana, perdi um amigo que foi assassinado, vítima de assalto,
na porta de casa, ajoelhado e pedindo ao menor assassino que não
o matasse, que levasse tudo o que quisesse, mas o deixasse vivo.
Muito bom o artigo "Férias? Nem pensar" (Ponto de vista, 30 de
janeiro). É vergonhoso que com tantos feriados, sábados
e domingos necessitemos de férias longas. Férias para
quê? Ainda não vi ninguém morrer porque trabalhou
demais. Sou microempresário, trabalho doze horas por dia, minhas
férias são de no máximo sete dias por ano, e não
tenho 13º salário. As leis trabalhistas devem ser revistas
com urgência. Como
empresário, achei excelente. Vivemos num país em que até
desempregados falam em direitos trabalhistas, incompetentes têm
estabilidade de emprego e se tornam mais inúteis a cada dia.
Quando o brasileiro vai descobrir que só a competência
pode garantir o emprego? Pelo
artigo "Férias? Nem pensar", Stephen Kanitz passa a merecer o
troféu Diogo Mainardi para idéias ao contrário. Deus,
que é todo-poderoso, descansou no sétimo dia, isto é,
empregou quase 17% do tempo trabalhado no gozo de férias. Nós,
sofridos brasileiros, só empregamos 12%. O texto, que amaldiçoa
as férias, só pode ser coisa do diabo, pois o autor descansava
na Disney, quando lhe chegou, do inferno, a maldita inspiração. O
senhor Kanitz está precisando de férias. Só para
lembrar: em todas as religiões existe um dia de descanso. Por
que isso é assim? Para que a lei humana não interfira
e a lei divina se torne eterna e intocável, independentemente
do governante. Acho
uma boa oportunidade para falar no cooperativismo, movimento que vem
crescendo muito em todo o planeta. Ele prestigia o bom trabalhador (e
não empregado) e torna clara a relação entre este
e as empresas que se utilizam dos serviços das cooperativas.
Acredito que o mercado acabará por regular o sistema em futuro
próximo com a melhoria da qualidade de mão-de-obra dos
cooperativados e o pequeno (mas importante) apoio que nossas leis oferecem
no desconto em alguns impostos.
Parabéns a VEJA pela escolha da entrevista (Amarelas, 23 de janeiro).
Popó nos surpreende até mesmo quando já sabemos
suas respostas. Ele fala o que pensa e o que sente. Fala com o espírito.
Alegra saber que mais um baiano chega ao topo. Uma pessoa com alma,
que usa de sua fama para realizar os sonhos de outras que não
têm oportunidade. Um jovem que não se envergonha de falar
de seus medos e do amor à mulher e à família. Na
entrevista com o atleta Acelino Freitas, ele disse que "seus ex-empresários
pagavam 25% do que recebiam". A bem da verdade, a Oficina de Idéias
pagava ao atleta 50% das receitas brutas auferidas desde a conquista
do título mundial em agosto de 1999, após investimentos
contínuos na sua carreira.
A reportagem "A bancada dos Siqueira" (30 de janeiro), a respeito do
governador do Tocantins, o senhor Siqueira Campos, é muito pertinente.
Dessa forma, tornam-se públicos para o país (pois para
nós já não é novidade) o poder e a tirania
que ele exerce em nosso Estado. Aqui, muitos já estão
indignados com a administração de Siqueira, devido aos
aspectos apresentados na reportagem e a outros que vemos no cotidiano.
Ele é dono de todo este território: essa é a verdade.
Mas não se pode negar que ele fez e faz muito em prol deste lugar.
Afinal, ele tem de cuidar de suas terras.
Está de parabéns a revista VEJA por mostrar para o Tocantins
e o Brasil o que é o clã dos Siqueira. O Tocantins, que
foi criado para ser um Estado-modelo, transformou-se numa capitania
hereditária.
Com grande satisfação li a reportagem sobre as Olimpíadas
de Inverno em Salt Lake City ("Os jogos no reino dos mórmons",
30 de janeiro). Já faz quase quatro anos que eu moro em Provo,
Utah, estudando ciências da computação na Brigham
Young University (BYU). A Igreja Mórmon é muito rica e
mais da metade do dinheiro da igreja é investida na BYU em forma
de bolsas de estudo e pesquisas. Espero que as Olimpíadas tragam
uma idéia nova a todos sobre os mórmons de Salt Lake City.
O nome "mórmon" não deriva do anjo Moroni. Mórmon
foi uma pessoa e Moroni, outra. Moroni foi quem enterrou as placas de
ouro contendo os escritos do que hoje é O Livro de Mórmon.
Esse livro não é outra versão da vida de Cristo,
é mais uma testemunha da vida de Cristo. Ele não contradiz
nada do que há na Bíblia Sagrada. Apenas conta
o que aconteceu depois que Cristo subiu aos céus.
Em seu artigo "A grande mãe" (30 de janeiro), o colunista Diogo
Mainardi superou-se. Foi perfeita sua análise sobre a maneira
subliminar como a Rede Globo introduziu na programação
a figura de Roseana Sarney, fortalecida pelas inserções
do seu programa partidário nos intervalos comerciais. Não
bastasse isso, em outro folhetim da mesma emissora o Maranhão
é mostrado como um lugar fantástico, um paraíso.
As duas novelas são mesmo clones.
Achei muito pertinente o comentário de Diogo Mainardi. Concordo
plenamente com seu ponto de vista. Contudo, a frase "Não sei
se as mulheres são pessoas mais interessantes que os homens.
Além de iogurtes e perus empanados, elas também consomem
Roseana Sarney" me ofendeu profundamente. Independentemente de militâncias
políticas, não concordo com o tom preconceituoso da frase.
Fiquei assustado depois que acabei de ler o artigo "Férias?
Nem pensar", de Stephen Kanitz. Após virar três
páginas vi a notícia de que nosso amigo marciano saiu
de férias ("Férias em Marte", 30 de janeiro). Será
que ele corre o risco de perder o emprego para algum lunático,
que, ao invés de investir em nosso planeta, possa querer explorá-lo
ainda mais?
VEJA erra, na reportagem "O barato do príncipe" (23 de janeiro),
quando diz que o príncipe Charles "lembra-se com horror de sua
estada no internato Eton". Na realidade, ele esteve no privilegiado
internato Gordonstoun School, derivado da alemã Schule Schloss
Salem.
CORREÇÃO: O número de assassinatos na cidade de Nova York citado na reportagem "Lições de quem venceu os bandidos" (30 de janeiro) caiu de cerca de 3.000 para menos de 700 por ano, e não por mês.
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