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O
benefício de vigiar e punir
A
condenação em primeira instância dos ex-donos e executivos
do falecido Banco Nacional mostra que o país atingiu a maturidade
numa área vital para sua estabilidade. Marcos Magalhães
Pinto, ex-presidente e um dos controladores do Nacional, dormiu quatro
noites na cadeia no Rio de Janeiro. Por decisão do Supremo Tribunal
Federal, o banqueiro aguardará em liberdade a confirmação
da sentença que o condenou a 28 anos de prisão. Nem ele
nem os sete outros condenados poderão sair do país. Descoberta
em 1996, a fraude do Banco Nacional foi dolorosa e cara para a sociedade
brasileira. Mas felizmente poderá ser lembrada como um momento
de atuação modelar do Estado brasileiro num episódio
em que ele vigiou e puniu, em benefício da maioria.
O saneamento dos bancos pela implantação de um programa
de estabilização, o Proer, em 1995, custou ao país
30 bilhões de reais e ao governo federal uma fonte perene de críticas.
Nunca se creditou devidamente ao sucesso do projeto de solidificação
do sistema financeiro o fato de o país ter conseguido atravessar,
quase sem solavancos, inúmeras crises internacionais, entre elas
uma recessão na maior economia do planeta, a dos Estados Unidos,
e um terremoto econômico e institucional na vizinha Argentina. A
boa saúde dos bancos foi um dos escudos que protegeram a economia
brasileira dos vendavais vindos de fora. Sobre isso há uma concordância
quase unânime entre os especialistas, aliás, amplamente amparada
pela realidade. Os países se empenham como podem para manter o
vigor de sua rede bancária. O Chile gastou 41% do PIB para salvar
seus bancos nos anos 80. Com o mesmo objetivo, os Estados Unidos empenharam
3% da riqueza nacional entre 1984 e 1991. Com a parte do empréstimo
aos bancos que já voltou aos cofres do governo, o Proer brasileiro
ficou em 0,1%. Saiu barato. Veja
reportagem.

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