Carta ao leitor
O TCU merece respeito
Fotos Antonio Milena e Manoel Marques
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Escavação do metrô de Fortaleza:
uma das obras abordadas pela reportagem comandada pelo editor Fábio Portela |
É próprio das democracias manter instâncias
fiscalizadoras do uso do dinheiro público. Ou seja, do nosso dinheiro,
transferido via impostos diretos e indiretos para os cofres estatais. Nos últimos
tempos, uma dessas instâncias, o Tribunal de Contas da União (TCU),
órgão consultivo do Congresso, entrou na mira do Palácio
do Planalto, sob a acusação de atraso nas obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), com o qual o governo federal
pretende tirar a enorme defasagem do país no plano da infraestrutura
- e, quem sabe, dar um empurrão na candidatura presidencial da "mãe
do PAC", a petista Dilma Rousseff. O Palácio do Planalto anda inconformado
com o escrutínio dos auditores do TCU, que vêm encontrando inúmeras
irregularidades nos contratos firmados com empreiteiras e demais prestadores
de serviços ao estado. As acusações lançadas contra
o tribunal vão desde que seus integrantes estão a serviço
da oposição, que não desejaria que o PAC fosse adiante,
até que são desonestos simplesmente. Chegou-se mesmo a cogitar
a substituição do TCU por outro órgão "mais
rápido" nas fiscalizações.
Para verificar
se o TCU cumpria a contento o seu papel constitucional - o de prestar informações
confiáveis aos parlamentares sobre os gastos e contratos oficiais -,
VEJA destacou o editor Fábio Portela, um dos melhores profissionais da
revista na tarefa de checar números e decifrar, entre as letrinhas miúdas
dos papéis governamentais, grandes maracutaias. Durante quatro meses, ele
e quatro repórteres examinaram documentos e saíram a campo, para
ver de perto obras problemáticas. A conclusão geral é que
o TCU, ao contrário dos seus congêneres estaduais, merece respeito
porque desempenha bem a sua função, ao detectar sobrepreços,
superfaturamentos e aditamentos marotos. Para se ter uma ideia, em apenas quinze
contratos, o tribunal encontrou sobrepreços que montam a 1,35 bilhão
de reais. Dinheiro público (dinheiro nosso) que, não fosse pelo
trabalho de seus auditores, iria parar nos bolsos de espertalhões.
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