Imagem da Semana
Os
irados não param
Protestos no Irã já têm
vida própria e manifestantes, que começaram
como movimento reformista,
agora pedem até a cabeça do líder máximo,
o grão-aiatolá

Vilma Gryzinski
AP
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Os levantes de massa contra regimes repressivos seguem
um roteiro parecido. Primeiro, as pessoas tomam coragem e começam a ir a protestos de rua. Apanham, são presas, sofrem barbaridades nos cárceres.
Se a repressão funciona nesse estágio, as manifestações
refluem. Quando a ira contra o regime supera o medo e o número de
irados é suficiente para criar a impressão de que muitos cairão
mas outros mais continuarão , os manifestantes não param. Em alguns casos, invertem a lógica da força: os repressores
levam pancada dos reprimidos. É a segunda fase dos levantes. Exatamente
aquela em que se encontra o Irã no momento, flagrada na foto acima.
O movimento oposicionista que começou durante a campanha para a eleição
presidencial ganhou em fôlego, coragem e extensão. Por isso
mesmo, aumentou a violência das forças policiais e policialescas
a serviço do regime o número de mortos na última onda
de protestos chegou perto de dez, dos quais um era sobrinho de Mir Hossein Mousair,
o ex-candidato e líder do movimento que se proclama reformista mas
está cada vez mais com cara de transformacionista. A audácia dos
manifestantes acompanha a lógica do aquecimento político. Antes,
eles gritavam "morte a Ahmadinejad", que é o presidente mas no
Irã não tem a palavra final. Agora, clamam por "morte a Khamenei",
o chefão supremo. Pedir o pescoço de um grão-aiatolá,
teoricamente bafejado pela autoridade divina, é outro sinal de que será
difícil controlar a fúria contestatória que sacode o regime
iraniano com tanto ímpeto que já não parece absurdo pensar
na terceira fase, quando as forças da ordem começam a mudar de lado.
Já aconteceu no Irã: foi em 1979 e transformou em fumaça
a monarquia de fancaria chefiada pelo xá.
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