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Home  »  Revistas  »  Edição 2146 / 6 de janeiro de 2010


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Imagem da Semana

Os irados não param

Protestos no Irã já têm vida própria e manifestantes, que começaram
como movimento reformista, agora pedem até a cabeça do líder máximo,
o grão-aiatolá


Vilma Gryzinski

AP

Os levantes de massa contra regimes repressivos seguem um roteiro parecido. Primeiro, as pessoas tomam coragem e começam a ir a protestos de rua. Apanham, são presas, sofrem barbaridades nos cárceres. Se a repressão funciona nesse estágio, as manifestações refluem. Quando a ira contra o regime supera o medo – e o número de irados é suficiente para criar a impressão de que muitos cairão mas outros mais continuarão –, os manifestantes não param. Em alguns casos, invertem a lógica da força: os repressores levam pancada dos reprimidos. É a segunda fase dos levantes. Exatamente aquela em que se encontra o Irã no momento, flagrada na foto acima. O movimento oposicionista que começou durante a campanha para a eleição presidencial ganhou em fôlego, coragem e extensão. Por isso mesmo, aumentou a violência das forças policiais e policialescas a serviço do regime – o número de mortos na última onda de protestos chegou perto de dez, dos quais um era sobrinho de Mir Hossein Mousair, o ex-candidato e líder do movimento que se proclama reformista mas está cada vez mais com cara de transformacionista. A audácia dos manifestantes acompanha a lógica do aquecimento político. Antes, eles gritavam "morte a Ahmadinejad", que é o presidente mas no Irã não tem a palavra final. Agora, clamam por "morte a Khamenei", o chefão supremo. Pedir o pescoço de um grão-aiatolá, teoricamente bafejado pela autoridade divina, é outro sinal de que será difícil controlar a fúria contestatória que sacode o regime iraniano com tanto ímpeto que já não parece absurdo pensar na terceira fase, quando as forças da ordem começam a mudar de lado. Já aconteceu no Irã: foi em 1979 e transformou em fumaça a monarquia de fancaria chefiada pelo xá.
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