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5 de dezembro de 2007
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Música
Tropa de elite

Chega ao Brasil a turnê de 171 milhões
de dólares do The Police


Sergio Martins

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Discografia do The Police

Em fevereiro de 1982, o trio inglês The Police fez duas únicas apresentações no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, para uma platéia de roqueiros abnegados – que esnobaram o Carnaval a fim de prestigiar um grupo em carreira ascendente. "Foi um bom show, mas a viagem nem tanto. Minha lembrança mais clara é de uns sujeitos de sunga e chinelo roubando nosso equipamento enquanto gravávamos um clipe na praia", disse o baterista Stewart Copeland, em entrevista a VEJA. Vinte e cinco anos depois, o Police está de volta ao Rio. Eles tocam no sábado 8, no Maracanã, para cerca de 80 000 pessoas. Se na visita inicial boa parte da platéia desconhecia o repertório, o público de hoje conhece de cor as letras de clássicos como Every Breath You Take, King of Pain e Message in a Bottle. A única semelhança entre o Police de 1982 e o de 2007 é a relação, nem sempre cordial, entre Copeland, Sting (baixo e vocais) e Andy Summers (guitarra). Ela é feita de admiração e ódio, de reconhecimento do talento alheio e de inveja criativa. A mistura desses elementos foi vital para pôr o Police entre as principais bandas de rock de todos os tempos. Mas também transformou muitas vezes o relacionamento deles – com perdão do trocadilho – em caso de polícia.

Brigas fazem parte da mitologia do rock (veja o quadro). São provocadas por drogas, dinheiro, egos inflados ou pelo simples "desgaste do relacionamento" entre músicos. As principais brigas no Police aconteceram entre Sting e Copeland. São duas personalidades fortes – o baixista é egocêntrico, Copeland é explosivo e detém os direitos do nome da banda. O sucesso e os milhões na conta bancária agiram como catalisadores. Uma das piores brigas da dupla aconteceu em 1983, quando Copeland teria quebrado duas costelas do companheiro com uma cadeirada. "Uma cadeira? Nada disso, no máximo uma banqueta", diz Copeland. O trio se separou definitivamente três anos depois e seus integrantes juraram nunca mais dividir um palco.

O Police surgiu em 1977, sob o apadrinhamento do empresário Miles Copeland, irmão de Stewart. Sting, Copeland e Summers (que substituiu o francês Henry Padovani, um mestre na arte da guitarra mal tocada) eram artistas de rock progressivo, jazz e blues. Aderiram ao punk porque era o ritmo da moda. "Qualquer melodia mais elaborada fazia Miles espumar de raiva", lembrou Sting, numa entrevista recente. Foi a qualidade instrumental do trio que fez com se destacasse. Canções como Roxanne, Walking on the Moon e So Lonely, presentes nos dois primeiros discos, têm influências de bossa nova e reggae, gêneros que não faziam parte do cardápio musical dos punks. Além disso, Sting possuía uma habilidade rara para criar canções de apelo pop, com letras inteligentes e refrãos eficientes. Copeland e Summers estão longe de ser virtuoses, mas influenciaram duas gerações de instrumentistas.

No início do ano passado, Sting ligou para Copeland e propôs o retorno do Police para uma turnê mundial. "Ele gosta de sofrer. Não há nada mais doloroso que tocar ao meu lado", diz o baterista. É claro que todos levaram em conta os lucros que o retorno do Police iria gerar. A turnê rendeu até agora 171 milhões de dólares, tornando-se a mais lucrativa de 2007. Boa parte do público comparece aos shows movida pela nostalgia. Uns poucos ficam atentos às provocações entre os músicos – por onde a banda passou, houve relatos de "momentos de tensão". Segundo Copeland, não se deve esperar nada dramático. "Todo mundo reclama de quanto Sting é chato, com aquela conversa de ecologia e sexo tântrico. Sim, é verdade. E às vezes eu mando ele se mexer um pouco mais no palco. Mas sinto prazer em tocar ao seu lado", diz Copeland.

Bandas de rock que não se toleram

Eagles
Principais brigas: nos tribunais.
São processados por ex-companheiros de banda por causa de demissões injustas e calotes de turnê
Black Sabbath
Principais brigas: no estúdio.
Ronnie Dio, cantor do grupo, costuma aumentar sua voz em detrimento dos outros instrumentos e o grupo se enfrenta a tapas
The Who
Principais brigas: no palco.
Alterados pelo excesso de substâncias químicas, os integrantes do quarteto tinham o péssimo costume de se atracar no palco
Michael Ochs Archives/Getty Images

Ramones
Principais brigas: no palco, no estúdio, no banheiro...
O guitarrista Johnny Ramone roubou a namorada do vocalista Joey Ramone e os dois morreram sem voltar a se falar




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