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5 de dezembro de 2007
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Passe os sais, por favor?


Monica Weinberg

Kroeger/Gross/Getty Images


O assunto é sal de cozinha, mas não faz mais sentido se referir a ele no singular. Já existem pelo menos trezentos tipos que vão bem com a comida. Ao contrário do sal comum, estes são em geral extraídos de modo mais artesanal e vêm de lugares tão raros quanto a espuma do mar da Bretanha, na França. Eles contêm ainda 25% menos sódio. Custam até 100 vezes mais, mas, em compensação, dão vida nova a receitas comuns. Essa é a opinião dos chefs Andréa Kauffman e José Barattino, adeptos dos sais gourmet na cozinha de seus restaurantes. Eles ensinam a fazer bom uso de sete de seus preferidos:

1 Flor de sal de Guérande
País de origem: França
Como é produzido: a partir da camada mais superficial e pura das salinas da região da Bretanha
Diferenças para o sal comum: tem textura crocante, sabor levemente puxado para avelã e ainda não leva nenhum conservante; tampouco é moído, como os demais. Por tudo isso, dos sete sais, esse é o que vai à mesa em estado mais próximo possível do natural
Comentário dos chefs: deve ser usado sobre a comida pronta. Salienta o gosto de qualquer receita, sem com isso comprometer o sabor original
Preço* (por 100 gramas): 18 reais

2 Sal defumado
Países de origem: França, Portugal e Indonésia
Como é produzido: depois de moído, o sal é colocado para defumar em barris de carvalho, os mesmos utilizados para envelhecer vinhos feitos de uvas Chardonnay. Ele fica ali um mês
Diferenças para o sal comum: acinzentado, é de gosto levemente doce. Lembra o do vinho
Comentário dos chefs: dá o toque final a receitas à base de aves e peixes, conferindo-lhes um sabor ligeiramente adocicado
Preço (por 100 gramas): 11 reais

3 Sal Havaiano
País de origem: Estados Unidos
Como é produzido: recebe uma camada extra do mineral Alaea, rico em óxido de ferro, com o objetivo de lhe imprimir um sabor descrito por especialistas como "levemente terroso". Durante a produção, vai ao forno justamente para
a adesão do mineral ao sal
Diferenças para o sal comum: além do tal sabor levemente terroso, ele é marrom e tem os grãos um pouco mais espessos
Comentário dos chefs: ao ser salpicado na comida ainda durante o cozimento, acentua o sabor do molho natural de carnes vermelhas, especialmente as de cordeiro e lombo de porco
Preço (por 100 gramas): 8 reais

4 Flocos do rio Murray
País de origem: Austrália
Como é produzido: é retirado do Rio Murray, cuja água tem origem na neve derretida dos Alpes Australianos. A conseqüência são salinas formadas por grãos mais delicados e macios
Diferenças para o sal comum: além da textura – mais macia –, esse sal cor de pêssego tem grãos de sabor bem mais delicado
Comentário dos chefs: o gosto suave do sal casa perfeitamente com verduras, legumes, peixes e frutos do mar. Seu sabor, no entanto, desaparece em assados e frituras, por causa do calor. Deve ser usado sobre a comida ainda em fase de cozimento
Preço (por 100 gramas): 18 reais

5 Sal do Himalaia
Países de origem: Nepal e China
Como é produzido: tem como matéria-prima um vasto depósito de sal aos pés da Cordilheira do Himalaia. Essa reserva natural praticamente intocada originou-se de um mar que ficava ali durante a era Paleozóica, algo como 300 milhões de anos atrás
Diferenças para o sal comum: preserva os 84 minerais possíveis num sal – os tradicionais contêm em torno de dez. Por isso, são atribuídas a ele propriedades terapêuticas, entre as quais ajudar a descongestionar as vias respiratórias por meio de nebulização e melhorar a circulação sanguínea em banhos de imersão. Nada ainda cientificamente comprovado. É de textura mais fina e sabor mais delicado em comparação com o sal convencional
Comentário dos chefs: salga de modo suave peixes e saladas. Deve ser usado sobre o prato já pronto – durante o cozimento, o sal perde o sabor
Preço (por 100 gramas): 30 reais

6 Sal Rosa
País de origem: Peru
Como é produzido: tem como base um conjunto de reservas naturais abrigadas em espécies de minas de sal, na região sudeste do Peru. Dos sete sais avaliados, é o extraído de modo mais artesanal – sem o uso
de máquinas
Diferenças para o sal comum: é ligeiramente úmido e grudento e tem sabor mais forte
Comentário dos chefs: aplicado a conta-gotas durante o preparo, confere aroma e sabor perfumados aos pratos à base de aves
Preço (por 100 gramas): 15 reais

Barry Wong/Getty Images


7 Kala Namak

País de origem: Índia
Como é produzido: da extração de sal de reservas naturais encravadas em rochas de origem vulcânica na Índia central
Diferenças para o sal comum: por conter a menor concentração de sódio entre os sete sais apreciados, costuma ser indicado por médicos para pessoas hipertensas. De todos, é também o de sabor mais forte, puxado para gema de ovo
Comentário dos chefs: usado com parcimônia ao longo do cozimento, é o segredo de algumas das mais populares iguarias indianas, entre elas o molho chutney
Preço (por 100 gramas): 8 reais

 

Roberto Setton
O chef José Barattino, do restaurante Emiliano, em São Paulo. Não importa para onde ele viaje, sempre traz um sal diferente na mala. Tem uma coleção de mais de uma centena em sua cozinha.

"Uma pitada de um desses sais costuma dar cara nova a um monte de receitas sem graça"

 

* Os preços publicados nestas páginas expressam a média do mercado

Onde os chefs compram: www.saltworks.us e empórios brasileiros, entre eles o Santa Luzia (www.santaluzia.com.br) e o Santa Maria (www.emporiosantamaria.com.br)

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