Se mal utilizados,
os cartões de crédito podem se transformar em seu pior inimigo.
Saiba o que dizem os especialistas
Cláudio
Gradilone
A
cada segundo, oitenta transações comerciais são feitas no
Brasil com cartões de débito, de crédito e com os de marca
própria de lojas. Com a proliferação desse meio de pagamento,
calcula-se que cada usuário tenha, em média, 7,4 deles na carteira
ou na bolsa, segundo as estatísticas do setor essa média
cai para 2,3 se considerarmos toda a população do país, não
apenas o conjunto de usuários. Até o fim de 2007, os 58 milhões
de brasileiros que possuem um desses produtos no bolso deverão usá-los
2,5 bilhões de vezes, um crescimento estimado de 20% em relação
aos números de 2006. Por que tanto sucesso? O cartão é prático,
seguro e oferece mais benefícios do que outras formas de financiamento
emergenciais como, por exemplo, o cheque especial. Só tem um problema:
quando o cartão deixa de ser um simples meio de pagamento para virar uma
forma de financiamento (ou seja, quando a fatura deixa de ser paga), o usuário
arca com os juros mais altos da praça. Isso sem contar outras armadilhas.
Atenção, portanto, às recomendações dos especialistas
para aproveitar as vantagens dos cartões especialmente os de crédito
sem se atrapalhar.
1 Crédito
não é renda "O maior
problema do cartão é justamente sua maior vantagem: ele é
muito prático, dá vontade de usar", diz William Eid Júnior,
professor de finanças da Fundação Getulio Vargas de São
Paulo. "Essa praticidade faz com que muitos usuários gastem dinheiro
sem perceber, mas a conta sempre chega", completa Eid. É muito fácil
perder o controle, como bem sabe a bancária aposentada Gislaine Macedo
Fernandes, de 53 anos. Ela endividou-se por gastar muito mais do que podia. Após
um grande período de turbulência financeira, sua solução
foi radical. Ela tomou dinheiro emprestado, pagou as dívidas e cancelou
todos os cartões. "Hoje não ando nem com cheques." Não
é preciso ser tão radical aliás, perdem-se dinheiro
e benefícios ao abandonar o plástico. Mas vale a advertência.
"O limite do cartão não é uma complementação
da renda", observa Eid.
Lailson
Santos
Controle
rígido O estudante Juliano Bomtempo
cometeu erros comuns. Gastou mais do que podia e, quando as contas não
fecharam, passou a pagar só o mínimo. Arcou com os piores juros
da praça. Depois de renegociar com a administradora e pedir ajuda aos pais,
submeteu-se a um controle rígido
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Jamais role dívidas O estudante de
ciência da computação Juliano Bomtempo, de 22 anos, deslumbrou-se
quando arrumou o primeiro emprego, recebeu talões de cheques e colocou
no bolso seu primeiro dinheiro de plástico. Ele comprou além da
conta e ainda passou o número do cartão a uma namorada que pedia
dinheiro emprestado. Não satisfeito, também financiou seu primeiro
automóvel no meio dessa confusão. As contas se multiplicaram e a
garota não pagou sua parte na fatura após o rompimento do namoro
tudo, é claro, segundo o relato dele. Orçamento estourado,
Juliano quebrou. Passou a pagar o mínimo no cartão, rolando o principal
com juros mensais próximos de 10%. "Essa é a pior decisão
possível, pois os juros cobrados nos cartões estão entre
os mais altos do mercado", diz Eid. "Em casos assim, a melhor solução
é exatamente procurar um financiamento mais barato e quitar a dívida
do cartão." E, é claro, encontrar um namoro menos, digamos,
conturbado.
3 Negocie sua anuidade Na
ponta do lápis, o custo da anuidade não é o mais pesado no
caso dos cartões. Mesmo assim, sempre vale a pena pechinchar na hora da
renovação. O raciocínio, aqui, é simples. O usuário
tem mais do que um cartão no bolso, e as administradoras disputam acirradamente
os clientes principalmente se eles forem usuários gastões,
pois é muito mais barato manter um bom cliente do que reconquistá-lo
da concorrência. Portanto, a recomendação dos especialistas
é sempre pedir um desconto ou até uma isenção da anuidade.
Vale tudo, até dizer que vai cancelar o cartão mesmo que
essa não seja a sua intenção. "Todas as administradoras
são sensíveis à mágica do então cancela
e vão oferecer algo mais ao cliente", diz um executivo do setor
que, por razões óbvias, não quer ser identificado.
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Concentre seus gastos em poucos cartões Cartões
de crédito oferecem uma miríade de benefícios adicionais,
como milhas aéreas, descontos em tarifas e ingressos para espetáculos.
Cada cartão proporciona benefícios específicos de acord o
com o uso e cobra por eles. Quanto mais intensa a utilização,
maiores as vantagens e mais diluídos ficam os custos. Por isso a regra
é concentrar seus pagamentos no cartão que oferece os melhores benefícios.
"Poucos usuários farão tantos gastos a ponto de obter muitas
vantagens em vários cartões", diz o consultor financeiro Marcos
Crivelaro. "Por isso, a palavra de ordem é conhecer detalhadamente
as características de cada cartão e concentrar a utilização
no que for mais adequado para você."
5 Não perca seu cartão de
vista Um cartão é uma chapa
de plástico com uma tarja magnética, que guarda informações
importantes como dados bancários e permite que as lojas,
restaurantes ou postos de gasolina acessem imediatamente a conta-corrente do cliente.
Não por acaso, é um dos produtos mais visados no crime. A maioria
das fraudes ocorre quando o cliente não está olhando. Evitá-las
é muito simples. Basta não perder o cartão de vista. "Se
o cliente acompanhar sempre o cartão, o fraudador não terá
como capturar os dados", diz o consultor de segurança Eduardo Daghum.
Mais simples impossível.
Lailson
Santos
Nada
de cartões Depois de perder o controle
dos gastos, a bancária aposentada Gislaine Macedo Fernandes só paga
contas com dinheiro
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Cuidado com a senha Essa recomendação
vale principalmente para os cartões de débito, que exigem que o
usuário informe uma senha para completar a transação. A senha
torna esses cartões um pouco mais seguros do que os de crédito.
"Em fraudes mais sofisticadas, os criminosos colocam aparelhos capazes de
detectar sua senha enquanto você a digita", diz Daghum. Não
há muito que fazer nesse caso, mas é possível reduzir a possibilidade
de alguém capturar seus dados. Aqui vale o bom senso. Impeça que
outras pessoas vejam os números que você está digitando e
troque sua senha ao primeiro sinal de que algo incomum ocorreu com a transação.
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Use seu próprio computador A internet
não existiria sem meios de pagamento eletrônicos, e a possibilidade
de usar cartões de crédito para suas compras on-line é uma
grande facilidade. Também aqui é preciso ter cuidado. "Fique
atento antes de informar seus dados e nunca faça uma compra sem ter certeza
de que a página da internet é um local seguro", diz Daghum.
O mais importante, no entanto, é escolher o computador correto. Nunca faça
uma compra numa máquina compartilhada, como a do escritório, ou
no computador de uma lan house. "Eles podem ter programas que capturam dados",
adverte Daghum. "Instalar esses programas é tão fácil
como estalar o dedo."
8 Desconfie
de milagres na internet Preços 50%
mais baixos que os da concorrência? Ofertas imperdíveis que só
valem hoje? Alerta vermelho. Na internet não há milagres, e é
altamente improvável encontrar uma televisão com tela de cristal
líquido pela metade do preço em uma loja absolutamente desconhecida.
Nesses casos, existe a possibilidade de a página ter sido montada por um
fraudador. Para um leigo em informática é difícil diferenciar
uma página verdadeira de uma falsa. Por isso, confira se o milagre virtual
tem alguma contrapartida real. "Verifique se a empresa possui números
de telefone e endereços físicos e ligue para ver se são válidos",
diz Daghum. Fuja das lojas desconhecidas.