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5 de dezembro de 2007
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A maneira certa de usar

Se mal utilizados, os cartões de crédito podem
se transformar em seu pior inimigo. Saiba o que
dizem os especialistas


Cláudio Gradilone

A cada segundo, oitenta transações comerciais são feitas no Brasil com cartões de débito, de crédito e com os de marca própria de lojas. Com a proliferação desse meio de pagamento, calcula-se que cada usuário tenha, em média, 7,4 deles na carteira ou na bolsa, segundo as estatísticas do setor – essa média cai para 2,3 se considerarmos toda a população do país, não apenas o conjunto de usuários. Até o fim de 2007, os 58 milhões de brasileiros que possuem um desses produtos no bolso deverão usá-los 2,5 bilhões de vezes, um crescimento estimado de 20% em relação aos números de 2006. Por que tanto sucesso? O cartão é prático, seguro e oferece mais benefícios do que outras formas de financiamento emergenciais – como, por exemplo, o cheque especial. Só tem um problema: quando o cartão deixa de ser um simples meio de pagamento para virar uma forma de financiamento (ou seja, quando a fatura deixa de ser paga), o usuário arca com os juros mais altos da praça. Isso sem contar outras armadilhas. Atenção, portanto, às recomendações dos especialistas para aproveitar as vantagens dos cartões – especialmente os de crédito – sem se atrapalhar.

1 Crédito não é renda
"O maior problema do cartão é justamente sua maior vantagem: ele é muito prático, dá vontade de usar", diz William Eid Júnior, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. "Essa praticidade faz com que muitos usuários gastem dinheiro sem perceber, mas a conta sempre chega", completa Eid. É muito fácil perder o controle, como bem sabe a bancária aposentada Gislaine Macedo Fernandes, de 53 anos. Ela endividou-se por gastar muito mais do que podia. Após um grande período de turbulência financeira, sua solução foi radical. Ela tomou dinheiro emprestado, pagou as dívidas e cancelou todos os cartões. "Hoje não ando nem com cheques." Não é preciso ser tão radical – aliás, perdem-se dinheiro e benefícios ao abandonar o plástico. Mas vale a advertência. "O limite do cartão não é uma complementação da renda", observa Eid.

Lailson Santos
Controle rígido
O estudante Juliano Bomtempo cometeu erros comuns. Gastou mais do que podia e, quando as contas não fecharam, passou a pagar só o mínimo. Arcou com os piores juros da praça. Depois de renegociar com a administradora e pedir ajuda aos pais, submeteu-se a um controle rígido

 

2 Jamais role dívidas
O estudante de ciência da computação Juliano Bomtempo, de 22 anos, deslumbrou-se quando arrumou o primeiro emprego, recebeu talões de cheques e colocou no bolso seu primeiro dinheiro de plástico. Ele comprou além da conta e ainda passou o número do cartão a uma namorada que pedia dinheiro emprestado. Não satisfeito, também financiou seu primeiro automóvel no meio dessa confusão. As contas se multiplicaram e a garota não pagou sua parte na fatura após o rompimento do namoro – tudo, é claro, segundo o relato dele. Orçamento estourado, Juliano quebrou. Passou a pagar o mínimo no cartão, rolando o principal com juros mensais próximos de 10%. "Essa é a pior decisão possível, pois os juros cobrados nos cartões estão entre os mais altos do mercado", diz Eid. "Em casos assim, a melhor solução é exatamente procurar um financiamento mais barato e quitar a dívida do cartão." E, é claro, encontrar um namoro menos, digamos, conturbado.

3 Negocie sua anuidade
Na ponta do lápis, o custo da anuidade não é o mais pesado no caso dos cartões. Mesmo assim, sempre vale a pena pechinchar na hora da renovação. O raciocínio, aqui, é simples. O usuário tem mais do que um cartão no bolso, e as administradoras disputam acirradamente os clientes – principalmente se eles forem usuários gastões, pois é muito mais barato manter um bom cliente do que reconquistá-lo da concorrência. Portanto, a recomendação dos especialistas é sempre pedir um desconto ou até uma isenção da anuidade. Vale tudo, até dizer que vai cancelar o cartão – mesmo que essa não seja a sua intenção. "Todas as administradoras são sensíveis à mágica do ‘então cancela’ e vão oferecer algo mais ao cliente", diz um executivo do setor – que, por razões óbvias, não quer ser identificado.

4 Concentre seus gastos em poucos cartões
Cartões de crédito oferecem uma miríade de benefícios adicionais, como milhas aéreas, descontos em tarifas e ingressos para espetáculos. Cada cartão proporciona benefícios específicos de acord o com o uso – e cobra por eles. Quanto mais intensa a utilização, maiores as vantagens e mais diluídos ficam os custos. Por isso a regra é concentrar seus pagamentos no cartão que oferece os melhores benefícios. "Poucos usuários farão tantos gastos a ponto de obter muitas vantagens em vários cartões", diz o consultor financeiro Marcos Crivelaro. "Por isso, a palavra de ordem é conhecer detalhadamente as características de cada cartão e concentrar a utilização no que for mais adequado para você."

5 Não perca seu cartão de vista
Um cartão é uma chapa de plástico com uma tarja magnética, que guarda informações importantes – como dados bancários – e permite que as lojas, restaurantes ou postos de gasolina acessem imediatamente a conta-corrente do cliente. Não por acaso, é um dos produtos mais visados no crime. A maioria das fraudes ocorre quando o cliente não está olhando. Evitá-las é muito simples. Basta não perder o cartão de vista. "Se o cliente acompanhar sempre o cartão, o fraudador não terá como capturar os dados", diz o consultor de segurança Eduardo Daghum. Mais simples impossível.

Lailson Santos

Nada de cartões
Depois de perder o controle dos gastos, a bancária aposentada Gislaine Macedo Fernandes só paga contas com dinheiro

6 Cuidado com a senha
Essa recomendação vale principalmente para os cartões de débito, que exigem que o usuário informe uma senha para completar a transação. A senha torna esses cartões um pouco mais seguros do que os de crédito. "Em fraudes mais sofisticadas, os criminosos colocam aparelhos capazes de detectar sua senha enquanto você a digita", diz Daghum. Não há muito que fazer nesse caso, mas é possível reduzir a possibilidade de alguém capturar seus dados. Aqui vale o bom senso. Impeça que outras pessoas vejam os números que você está digitando e troque sua senha ao primeiro sinal de que algo incomum ocorreu com a transação.

7 Use seu próprio computador
A internet não existiria sem meios de pagamento eletrônicos, e a possibilidade de usar cartões de crédito para suas compras on-line é uma grande facilidade. Também aqui é preciso ter cuidado. "Fique atento antes de informar seus dados e nunca faça uma compra sem ter certeza de que a página da internet é um local seguro", diz Daghum. O mais importante, no entanto, é escolher o computador correto. Nunca faça uma compra numa máquina compartilhada, como a do escritório, ou no computador de uma lan house. "Eles podem ter programas que capturam dados", adverte Daghum. "Instalar esses programas é tão fácil como estalar o dedo."

8 Desconfie de milagres na internet
Preços 50% mais baixos que os da concorrência? Ofertas imperdíveis que só valem hoje? Alerta vermelho. Na internet não há milagres, e é altamente improvável encontrar uma televisão com tela de cristal líquido pela metade do preço em uma loja absolutamente desconhecida. Nesses casos, existe a possibilidade de a página ter sido montada por um fraudador. Para um leigo em informática é difícil diferenciar uma página verdadeira de uma falsa. Por isso, confira se o milagre virtual tem alguma contrapartida real. "Verifique se a empresa possui números de telefone e endereços físicos e ligue para ver se são válidos", diz Daghum. Fuja das lojas desconhecidas.




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