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5 de dezembro de 2007
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Ciências
Padrão medieval

Estudantes brasileiros dão vexame em
novo ranking da OCDE. Eles ignoram até
o fato de a Terra girar em torno do Sol


Marcos Todeschini

Ricardo Duarte/Zero Hora
Aula de ciências: professores sem especialização e 80% das escolas sem laboratórios

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O ranking completo

Um novo ranking internacional sobre o ensino de ciências mostra um cenário nada animador para o Brasil. Mais de 400 000 estudantes, matriculados em escolas públicas e particulares de 57 países, responderam a uma prova de conhecimentos científicos básicos – e os brasileiros aparecem em destaque negativo no grupo dos piores. Mais precisamente na 52ª colocação (veja quadro abaixo). Esse fato não chega a surpreender. As avaliações para aferir o nível do ensino no Brasil reafirmam a péssima qualidade geral. Na comparação com os outros países as deficiências da educação brasileira parecem ainda mais constrangedoras. A mais abrangente dessas avaliações internacionais é justamente feita pela -OCDE (organização que reúne países da Europa e os Estados Unidos), responsável pelo atual ranking de ciências. Há sete anos a -OCDE testa os estudantes em leitura, matemática e ciências. O Brasil ocupa invariavelmente as últimas colocações. No ranking anterior de ciências, de 2003, o país havia ficado em penúltimo lugar. Nada mudou de lá para cá. No fim do ensino fundamental, os alunos continuam a ignorar a função dos órgãos do corpo humano, encaram com espanto o fato de a Terra girar em torno do Sol, desconhecem o que seja a camada de ozônio e são incapazes de definir a expressão "água potável".

O resultado decepcionante dos estudantes brasileiros em ciências não é exatamente uma surpresa. Um conjunto objetivo de indicadores ajuda a explicar a situação. O mais espantoso deles veio à tona em um levantamento recente do Ministério da Educação (MEC) e diz respeito aos professores. Além de pouco preparados para o exercício da profissão, como todos os outros, 70% dos professores de ciências de escolas públicas ainda carecem de uma especialização na área. Isso mesmo: eles ensinam a matéria sem sequer ter estudado para isso. Outro problema grave é a escassez de laboratórios de ciências nas escolas. Apenas 20% delas dispõem de um. Esse é um limitador para os alunos estabelecerem a necessária relação entre a teoria e a sua aplicação no mundo real.

Como resultado, os jovens ingressam nas faculdades de ciências com deficiências típicas dos primeiros anos do ensino fundamental – e costumam sair for-mados sem ter progredido o suficiente na matéria. A realidade, não há dúvida, compromete a produção científica do país. O Brasil responde por apenas 0,2% dos pedidos internacionais de patentes e está em 43º lugar em um ranking mundial de desenvolvimento tecnológico. Isso numa lista de 72 países. Resume Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, o órgão de apoio à pesquisa em São Paulo: "Milhões de pessoas com uma base científica tão sofrível certamente representam um obstáculo para o avanço tecnológico no Brasil". O ranking da -OCDE chamou atenção para o desastre em 2003 e nada foi feito para mudar o quadro. O novo alerta da semana passada vai também passar despercebido?




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