Uma pesquisa revela
os sete pecados
à mesa dos gordos brasileiros
Adriana Dias Lopes
Acaba de ser concluído
o maior e mais minucioso levantamento sobre os hábitos
alimentares dos gordos brasileiros. Realizada pelo instituto
Toledo & Associados, a pedido da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a pesquisa
revela um cenário preocupante. Eles fazem tudo errado
comem muito e rápido demais, preparam mal os
alimentos e, aos sábados e domingos, exageram ainda
mais na comilança. "Essas pessoas não têm
noção do risco que correm", diz o cirurgião
Luiz Vicente Berti, coordenador do estudo. "Com esse
tipo de comportamento, é como se estivessem sentadas
sobre uma bomba-relógio." Ao todo, foram entrevistados
2.179 homens e mulheres, de 18
a 65 anos, das cinco regiões do país e pertencentes
às classes de A a E. Metade deles estava pelo menos
5 quilos acima do peso ideal. Por essa amostragem, conclui-se
que o contingente nacional de adultos com sobrepeso é
de 60 milhões de pessoas. Quanto aos obesos, aqueles
com mais de 10 quilos além do desejável, estima-se
que somem 15 milhões. A seguir, os sete pecados mais
comuns cometidos à mesa pelos gordos brasileiros.
A TV como companheira
Ilustrações
Orlando
Indagados sobre
o local preferido para fazer as refeições, os
gordinhos e obesos foram unânimes: em frente à
televisão. "Isso não é recomendável
para quem tem de perder peso", diz o endocrinologista
José Antonio Marcondes, do Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo. "É fundamental prestar atenção
nos alimentos que estamos ingerindo, de modo a fazer as escolhas
mais acertadas, o que na frente da televisão é
impossível." O correto é iniciar as refeições
com os alimentos de difícil absorção,
como as fibras presentes nos legumes e verduras. Eles ocupam
bastante espaço no estômago, o que favorece a
sensação de saciedade. Quando as refeições
são feitas à mesa, as pessoas tendem a se servir
de porções menores, aos poucos e na ordem certa
a salada, o prato principal e a sobremesa. Já
em frente à TV, o comum é colocar, de uma única
vez, todo tipo de comida no prato, e em maior quantidade.
Refeições
ultra-rápidas
Somado, o tempo
dedicado às três principais refeições
é inferior a uma hora. O café-da-manhã
é devorado em doze minutos, em média; o almoço,
em 22 minutos; e o jantar, em 21 minutos. Cada uma das refeições
deveria durar pelo menos o dobro disso. Um processo de mastigação
mais lento é essencial para que o cérebro receba
a mensagem de que é hora de cruzar os talheres. Quando
o alimento é ingerido muito rapidamente, o estômago
não tem tempo de transmitir a informação
de saciedade ao sistema nervoso central.
Descanso regado
a gordura
Quando chega o fim
de semana, seis de cada dez gordos liberam geral. Eles gostam
de empanturrar-se de refrigerante e churrasco em geral,
aquele em que o espeto sai do fogo pingando gordura. Quem
precisa emagrecer tem de controlar o apetite todos os dias
da semana. Sábados e domingos de comilança só
são permitidos para os que estão em forma. "No
caso das pessoas acima do peso, não adianta controlar
a alimentação durante a semana e soltar o freio
nos dias de descanso. Mudanças drásticas no
padrão alimentar desregulam o metabolismo, fazendo
com que ele funcione mais devagar e, com isso, queime menos
calorias", diz o cardiologista e nutrólogo Daniel
Magnoni, do Hospital do Coração, em São
Paulo. Depois de uma variação abrupta na dieta,
são necessários até três dias para
que o ritmo metabólico volte à velocidade anterior.
Preparo
inadequado
A forma mais comum
como os gordos brasileiros costumam preparar os alimentos
em casa é o cozimento. A princípio parece uma
boa notícia em meio a tanta comilança desregrada.
Mas é preciso lembrar que o método inclui desde
brócolis fervidos a ensopados mergulhados em creme
de leite. Não é difícil imaginar o que
os glutões preferem. A fritura aparece em segundo lugar,
com 52% da preferência de todos eles. Um alimento frito
tem o dobro de calorias. Não custa repetir: os alimentos
crus e grelhados são os mais saudáveis
levam pouco ou nenhum óleo e conservam mais os nutrientes.
Coxinha,
chocolate, biscoito...
Dos brasileiros
com sobrepeso e obesos, 42% e 56%, respectivamente, têm
o péssimo hábito de beliscar o dia inteiro.
E só comem bobagens coxinha, chocolate, biscoitos
recheados e pastel, entre outros quitutes que estouram qualquer
controle alimentar. Refeições diárias,
de fato, eles fazem poucas 3,5, em média. Entenda-se
por refeição o momento em que a alimentação
é a principal atividade. O ideal é que elas
sejam cinco, bem distribuídas ao longo do dia: café-da-manhã,
lanche, almoço, lanche e jantar. "Se deixamos
o organismo mais de três horas sem alimento, ele reage
como se fosse passar fome e retarda o ritmo do metabolismo,
o que ajuda a acumular gordura", diz o endocrinologista
José Antonio Marcondes.
Pão
e arroz
No café-da-manhã,
o pão é o alimento mais presente, fazendo parte
da refeição de 78% dos gordinhos e de 84% dos
obesos. As frutas são consumidas por uma minoria. No
almoço e no jantar, o arroz aparece em primeiro lugar.
As verduras só estão presentes à mesa
de metade deles. Quem está acima do peso tem de controlar
e muito o consumo de carboidratos. Nesse caso,
eles não devem ultrapassar 40% do total de calorias
de uma refeição. Numa dieta de 1.200 calorias,
por exemplo, isso significa que, no café-da-manhã,
é permitido, no máximo, meio pãozinho
francês. No almoço e no jantar, apenas uma concha
de arroz em cada refeição. E, ao longo do dia,
de lanche, uma banana ou meio mamão papaia.
A
padaria como diversão
De cada dez brasileiros
acima do peso, sete escolheram "ir à padaria"
como a principal atividade de lazer. Na segunda posição
do ranking dos programas mais divertidos, apareceu o restaurante.
Dispensa-se aqui qualquer tipo de comentário: ninguém
vai à padaria ou ao restaurante com outro objetivo
senão o de comer.