Qual
é o maior sonho de toda mulher que avança a marca dos 35 anos? Não,
não é um príncipe encantado, um anel de brilhantes do outro
mundo ou aquela bolsa carésima (esses são o segundo, o terceiro
e o quarto itens, não necessariamente nessa ordem). O maior sonho é
voltar a ter a pele lisinha, firme e viçosa. Para dar conta dessa missão
(impossível, sentimos dizer), de tempos em tempos alardeiam-se métodos
maravilhosos. O do momento atende pelo nome de Titan uma máquina
antiflacidez vendida pelo fabricante como uma alternativa ao lifting. Um exagero,
evidentemente. O que faz boa parte da fama do Titan é o seu efeito vapt-vupt.
Imediatamente após a sessão, é possível notar os resultados:
a pele mais esticada e radiosa, sem expressão de cansaço. Tanto
que há atrizes que se submetem ao procedimento antes de ir a festas, daí
o apelido americano de "Oscar plastic". Annette Bening, Sandra Bullock
e a apresentadora Oprah Winfrey já recorreram ao artifício. Esse
"efeito Cinderela", no entanto, permanece apenas alguns dias. Os resultados
mais duradouros só aparecem depois de três meses, no mínimo.
O primeiro ano de tratamento requer mais de uma sessão. Depois, a manutenção
é anual. O que faz o Titan? Estimula a regeneração e a formação
de colágeno, a fibra de sustentação da pele de cuja fraqueza
ou escassez se originam as rugas. Tal é, aliás, a estratégia
dos procedimentos mais modernos para o rejuvenescimento da pele. "A estimulação
de colágeno é para a primeira década do século XXI
o que foi a toxina botulínica para os anos 90", diz o dermatologista
Jardis Volpe, de São Paulo.
Roberto
Setton
O
dermatologista Jardis Volpe aplica o Titan: do efeito vapt-vupt surgiu o nome
"Oscar plastic"
Aparelhos
de laser, radiofreqüência e luz infravermelha são o que há
de mais avançado para estimular a produção ou reduzir a frouxidão
das fibras de colágeno. "O próximo passo é a combinação
dessas tecnologias em um único equipamento", diz a dermatologista
Érica Monteiro, da Universidade Federal de São Paulo. Por meio de
luz infravermelha, o calor emitido pelo Titan estimula a formação
de colágeno novo. Promove ainda uma retração imediata das
fibras, melhorando a flacidez do rosto e de algumas partes do corpo, como abdômen,
costas e braços. A energia liberada pelo calor intensifica a produção
de colágeno no período de até um ano (veja o quadro abaixo).
Outras estrelas dos consultórios, como o Fraxel, o ThermaCool e o Accent,
ganharam recentemente novas versões: o Fraxel SR 1 500, o Accent
XL e o ThermaCool NXT. Cada qual traz vantagens diferentes, dependendo do tipo
de pele, do grau de envelhecimento e do local de maior flacidez se rosto,
pescoço ou membros, por exemplo. A segunda geração do laser
Fraxel causa menos dor e tem mais potência. Ele atinge uma profundidade
duas vezes maior em relação ao modelo anterior. "Além
de melhorar rugas, manchas solares e a textura da pele, trata cicatrizes de acne
e estrias", afirma o dermatologista Guilherme de Almeida, de São Paulo.
"Graças à popularização
do laser, diminuiu o número de liftings", disse a VEJA o professor
de dermatologia do Albert Einstein College of Medicine, Cameron Rokhsar. Os lasers
são usados há mais de vinte anos na dermatologia. Os mais antigos,
como o resurfacing de CO2, um tipo de peeling profundo, são muito agressivos
esfolam a pele e exigem, no mínimo, um mês de recuperação.
Esses métodos podem ainda deixar manchas e cicatrizes. A nova geração
de equipamentos alcança alvos mais seletivos e encontra o comprimento de
onda mais preciso para que o colágeno seja estimulado sem agredir a superfície
da pele. As novas terapias anti-rugas também são menos dolorosas
e não exigem nenhum tipo de recuperação. Os tratamentos costumam
girar em torno de 1.500 a 3.000 reais a sessão. Dá para voltar a
ter a pele de antes dos 35 anos? Não, não dá. Mas dá
para disfarçar bastante. Já está bom, convenhamos.
Xô, celulite?
A
máquina VelaSmooth: se você ainda acredita em milagres...
A
celulite é o maior inimigo estético da mulher. E dos médicos
também. Nada do que se tentou até agora de lipoaspiração
a mesoterapia e drenagem linfática se mostrou realmente efetivo
contra aquela aparência de casca de laranja nas pernas e no bumbum, o horror
feminino que se torna ainda maior no verão. A celulite resulta de fatores
genéticos e hormonais combinados com excesso de peso e má circulação.
O acúmulo de toxinas entre as células adiposas dificulta a passagem
do sangue, levando à formação dos furinhos na pele. A aposta
mais recente dos dermatologistas contra essa praga está para chegar ao
Brasil só falta o aval do Ministério da Saúde. O VelaSmooth,
sucesso nos Estados Unidos e na Europa, é um equipamento que combina três
das principais frentes de ataque à celulite: a endermologia, a radiofreqüência
e a luz infravermelha. O somatório de diferentes ações potencializaria
os resultados do tratamento. A endermologia funciona como uma espécie de
drenagem linfática mecânica profunda, o que ajudaria a eliminar as
toxinas. A radiofreqüência e a luz infravermelha fariam a reestruturação
das fibras de colágeno, melhorando a flacidez. Elas também ajudariam
na quebra das células de gordura. "O que se nota na prática
é a redução de um ou dois graus do nível de celulite",
diz o médico Marcelo Bellini, da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.
Se você não é mulher, talvez não saiba que os níveis
de celulite variam do grau 1 ao 4, do mais leve ao mais intenso. Para que os primeiros
resultados comecem a aparecer (se é que aparecem mesmo), são necessárias
de doze a quinze sessões, de uma hora cada uma. Uma sessão custará
o equivalente a 200 dólares. O tratamento requer manutenção
constante e a infalível combinação de ginástica e
dieta. Pensou que ia escapar do sacrifício, não é?