Máquina reinventa a
maneira de preparar café. Os gourmets garantem que o resultado é
espantoso
Roberta
de Abreu Lima
Divulgação
Uma
explosão de sabor A Clover (à
esq.) introduz tecnologia no antigo ritual do café coado, que os especialistas
consideram insubstituível para extrair todos os sabores e aromas da bebida.
O pó permanece em infusão com a água pelo tempo que o operador
da máquina escolher. A seguir, a mistura é rapidamente filtrada
a vácuo através de um pistão especial.
A
preparação do expresso é diferente A
água é lançada sobre o pó com uma força equivalente
a 30 quilos. A pressão quebra moléculas de óleos e açúcares
contidas no café, tornando-o encorpado e cremoso.
Uma nova máquina que começa
a ser adotada em bares e restaurantes americanos se tornou
o assunto do momento entre os gourmets. Fabricada por uma
pequena empresa de Seattle e batizada de Clover, ela promete
a primeira grande revolução na forma como se
prepara café desde que os italianos inventaram o expresso.
Quem já provou uma xícara feita pela Clover
garante que a promessa é integralmente cumprida
em matéria de aroma e sabor, nada se compara ao café
que sai de sua torneira. Qual é o segredo da Clover?
Por ironia, a máquina recupera o antigo ritual do café
coado, mas imprime-lhe novas tecnologias. Por meio de um painel
eletrônico, o barista é assim que se chama
o expert em preparar café controla a temperatura
exata da água e o tempo de preparo. Ele interfere na
infusão mexendo o preparado de água e pó
com um pequeno misturador semelhante a um batedor de ovos.
A seguir, um pistão poderoso no interior da máquina
suga o líquido, filtra-o a vácuo e o envia para
a xícara. Evidentemente, usar na Clover pó de
café comum, desses que se compram em supermercado,
é um sacrilégio e um desperdício. Para
tirar o máximo proveito da máquina, é
preciso usar grãos de café de alta qualidade.
"Com a Clover, um barista experiente pode dar a cada
xícara que prepara um sabor diferente, misturando grãos
à escolha do cliente", disse a VEJA Zander Nosler,
um dos inventores do equipamento.
Apenas uma centena da
Clover está hoje em uso nos Estados Unidos. Enquanto não se populariza,
permitindo ganho de escala aos fabricantes, cada uma custa salgados 11.000 dólares.
A nova máquina é um símbolo da crescente importância
do café na gastronomia mundial, promovida por novas formas de cultivo e
pela valorização de variedades da planta produzidas regionalmente.
Nos últimos anos, o consumo de café vem ganhando ares de requinte
semelhantes aos que acompanham a degustação de vinhos. Como na terminologia
dos enófilos, o café também tem denominação
de origem controlada, o chamado terroir. Em lojas especializadas, no Brasil
inclusive, além da grande variedade de blends (cafés que combinam
diferentes tipos de grão), já se encontram produtos procedentes
de diversas regiões do planeta, cada um com suas peculiaridades de sabor.
Os cafés da América Central, como o da Guatemala, são um
pouco mais ácidos que os brasileiros. Já os produzidos em países
africanos, como na Etiópia, possuem aromas de especiarias. Em algumas cafeterias,
o cliente pode escolher o tipo de torrefação clara, média
ou escura. "O café tem complexidade organoléptica, que é
a propriedade de uma substância ser percebida por meio dos sentidos, três
vezes maior que a do vinho", vangloria-se a barista Isabela Raposeiras, consultora
de várias cafeterias em capitais brasileiras.
Os métodos de preparar café passaram por várias transformações
desde que a planta se integrou à dieta dos humanos, há mais de cinco
séculos. Segundo a teoria histórica mais aceita, nos primórdios
seus frutos e folhas eram comidos frescos por tribos da Etiópia. Por volta
do século XV, os árabes passaram a consumir o café em forma
de pasta, para permanecer despertos durante as longas jornadas de orações.
Depois, a partir do século XVII, ele se disseminou pela Europa e pelo resto
do mundo na forma de infusão. A máquina que prepara o expresso foi
a primeira grande revolução na maneira de consumir café em
tempos modernos. Desenvolvido pelo engenheiro italiano Luigi Bezzera no início
do século XX, o equipamento lança água quente sobre o pó
de café com uma pressão equivalente à de um peso de 30 quilos.
A pressão quebra as moléculas de óleos e açúcares
presentes nos grãos, o que proporciona cremosidade e acentua o sabor da
bebida. Nas últimas décadas, a invenção italiana se
tornou onipresente no mundo. No Brasil, segundo uma pesquisa encomendada pela
Associação Brasileira da Indústria do Café, o consumo
de café expresso cresceu 125% entre 2003 e 2007. Já o de café
coado caiu 20% no mesmo período. Nem todos os tipos de grão, contudo,
são adequados à máquina de expresso. "Os cafés
com maior acidez, provenientes de regiões altas, como o colombiano, ficam
muito amargos se preparados em máquinas de expresso", explica o barista
Fernando Dourado, que pilota uma cafeteria na região dos Jardins, em São
Paulo. Os especialistas afirmam que só o café coado libera as nuances
mais delicadas de seu sabor. Por esse motivo, em degustações e concursos,
o café é preparado em infusão e moído grosseiramente.
Isso justifica o sucesso da Clover, embora ela custe mais caro que as máquinas
de expresso, demore mais tempo para produzir uma xícara e exija atenção
total do barista enquanto funciona. Para os gourmets, o esforço extra compensa.
Quanto menos água, mais forte
O
café expresso se tornou onipresente nos bares e restaurantes brasileiros,
mas ainda há muita confusão sobre como prepará-lo. Não
é raro que, diante do pedido de um expresso "curto", o atendente
encha a xícara e despeje metade do líquido na pia. Santa ignorância.
A principal diferença entre o expresso curto e o convencional não
está na quantidade da bebida, mas em sua textura e sabor. Quanto menos
água é usada para preparar o café, mais forte e encorpado
ele fica
Fabiano
Accorsi
1
- Expresso De 40 a 50 mililitros.
É a versão clássica que se popularizou pelo mundo 2
- Curto De 30 a 35 mililitros. É
a parte mais concentrada e forte do expresso 3
- Curto italiano De 15 a 20 mililitros. O
mais forte de todos. Apenas o primeiro jato da máquina é aproveitado
O expresso para fazer em casa
Muita
gente quer tomar na sala de jantar o mesmo café gostoso do restaurante.
Abaixo, algumas estrelas do mundo das cafeteiras
Fotos
divulgação
Fetiche
das pistas A Primo Cappuccino traz
no painel o logotipo da lendária marca de carros esportivos Lamborghini.
Para preparar o café, puxa-se a alavanca, que parece um câmbio de
marchas Preço: 800 euros
Amiga
do dono A Z5 Chrome, produzida
pela Jura, permite programar a quantidade de café a ser feita e a concentração
do pó. A leiteira é ligada à cafeteira Preço:
8 500 reais
Fixa
na parede A Miele, da Nespresso,
é projetada para ser embutida no armário da cozinha. Armazena na
memória a forma preferida de preparo do café de até cinco
pessoas Preço: 10 200 reais