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Edição 1 729 - 5 de dezembro de 2001
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LIVROS

Ficar ou Não Ficar, de Tom Wolfe (Rocco; 293 páginas; 29 reais) – No volume, Tom Wolfe mostra suas facetas de ensaísta, jornalista e ficcionista. Os textos mais antigos datam de 1965 e compõem um ataque à revista The New Yorker, na época uma das mais influentes dos Estados Unidos. Título de um deles: "Pequenas múmias! A verdadeira história do rei da Terra dos Mortos-Vivos da rua 43". A rua 43 era o endereço da publicação. O artigo mais recente é do ano 2000 e apresenta um retrato satírico da vida americana na passagem do milênio. Há perfis, reflexões sobre uma nova ciência, a sociobiologia, um conto mediano que já havia sido publicado no Brasil (Emboscada no Fort Bragg) e textos de polêmica cultural. Esses últimos são o filé mignon. Num deles, o alvo são os "marxistas rococós" da esquerda intelectual americana. Noutro texto, Wolfe desanca três romancistas consagrados, John Updike, Norman Mailer e John Irving, que ele chama de "três patetas". Certos temas são bastante americanos, mas a verve de Tom Wolfe está presente em todas as páginas. Isso garante o prazer da leitura.

Um Drink Antes da Guerra, de Dennis Lehane (tradução de Luciano Vieira Machado; Companhia das Letras; 296 páginas; 29,50 reais) – Revelado nos anos 80, o americano Dennis Lehane tem entre seus fãs colegas de profissão do porte de Stephen King e Elmore Leonard. Com seu estilo cortante, ele de fato é um autor de romances de mistério de primeira linha. Lançado há vinte anos, Um Drink Antes da Guerra foi a obra que inaugurou a série protagonizada pelos detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro, graças à qual o escritor ficou conhecido. Como os políticos corruptos que povoam o livro, a dupla de heróis coloca a lei de lado quando a situação exige algum "desprendimento". O mote da história, ambientada em Boston, é o sumiço de documentos confidenciais de um gabinete estatal. Para recuperá-los, Kenzie e Angela acabam no meio de uma guerra suja.

 
Ag. Folhas
Chet: relatos em primeira pessoa

Memórias Perdidas, de Chet Baker (tradução de Luiz Orlando Carneiro; Jorge Zahar; 120 páginas; 17 reais) – Esse lançamento é uma pérola para os amantes do jazz. Contém as anotações que o trompetista Chet Baker, uma das figuras mais lendárias do gênero, fez em seu diário pessoal entre 1946 e 1963. Músico genial, mas que passou boa parte da vida atormentado pelo vício da heroína, deve-se a Chet Baker muito do que veio a ser a bossa nova. Trazido à tona por Carol, ex-mulher do artista, Memórias Perdidas é saboroso porque mostra Chet Baker por um ângulo que não consta dos verbetes biográficos. Há detalhes de seu relacionamento com outros gigantes do jazz, como Charlie Parker, e relatos de aventuras amorosas e de confusões com a polícia por causa de drogas.

 

TELEVISÃO


Divulgação
SuperCroc: ele comia dinossauros

SuperCroc (Domingo 9, às 20 horas, no National Geographic) – Mais uma daquelas superproduções que fazem a delícia dos amantes da paleontologia, o documentário focaliza um crocodilo que viveu há 110 milhões de anos. Trata-se do Sarcosuchus imperator, que pesava 8 toneladas e tinha cerca de 12 metros de comprimento – o dobro do que podem atingir seus maiores parentes de hoje. O ponto de partida do programa é um evento científico importante: a descoberta, no ano passado, de um crânio fossilizado da espécie no Deserto do Saara, por uma equipe da National Geographic Society. A partir da ossada e de pistas colhidas no hábitat dos crocodilos atuais, o paleontólogo Paul Sereno e o especialista em répteis Brady Barr fazem uma reconstituição do Sarcosuchus. A fera não era de brincadeira: chegava a abocanhar dinossauros nas margens dos pântanos do período cretáceo.

 

DISCOS

Wonderland, The Charlatans (FNM) – Os Charlatans são uma das bandas mais azaradas do rock inglês. Surgida no começo dos anos 90, foi golpeada duramente por duas vezes. O tecladista Rob Collins morreu num desastre de carro. E há dois anos, o substituto do músico, Tony Rogers, descobriu que tem câncer. Esses dramas, no entanto, jamais afetaram a qualidade de seus lançamentos – a banda tem algumas canções tão boas quanto as do Blur ou do Oasis, que despontaram na mesma época na Inglaterra. Wonderland é o sétimo CD dos Charlatans. O carismático vocalista Tim Burgess, uma versão remoçada de Mick Jagger, está inspirado. O mesmo vale para Tony Rogers, que arrasa no teclado em faixas como a endiabrada Love Is the Key e I Just Can't Get Over Losing You.

Lanny Gordin, Lanny Gordin (Baratos Afins) – Filho de pai russo e mãe polonesa, Lanny Gordin nasceu em Xangai e chegou ao Brasil nos primeiros anos de vida. Sem sombra de dúvida, é um dos maiores guitarristas que o país já teve. Sua época áurea foi nos anos 60, quando deu aquele célebre toque psicodélico aos discos dos tropicalistas (Fa-Tal, de Gal Costa, e Expresso 2222, de Gilberto Gil) e abrilhantou as gravações de Elis Regina. Em meados dos anos 70, Gordin teve problemas com drogas, que culminaram num trágico acidente: durante uma "viagem" à base de LSD, ele queimou seriamente as mãos. Só nos últimos anos o músico retomou a carreira. Esse CD é seu primeiro trabalho-solo e foi gravado entre maio e setembro deste ano. São onze improvisos jazzísticos que deixam claras a suavidade e a elegância do estilo de Gordin – com destaque para as faixas O Pássaro e Folha de Papel.

 
Divulgação
Pulp: inspirados em David Bowie

We Love Life, Pulp (FNM) – O grupo é uma exceção em meio à estridência e à rebeldia sem causa que caracterizam o rock inglês. Surgido nos anos 80, o Pulp toca um pop que faz lembrar os melhores momentos do grupo Roxy Music e de David Bowie. Por sinal, um dos ídolos de Bowie, o cantor americano Scott Walker, foi o responsável pelos arranjos e orquestrações de We Love Life. À frente da banda, encontra-se o vocalista e letrista Jarvis Cocker. Em 1996, ele comprou uma briga com Michael Jackson, durante uma entrega de prêmio na Inglaterra. Foi um rompante que não condiz com sua fleuma habitual. Cocker é conhecido pelo estilo "ultracool" e por suas letras que versam sobre temas bucólicos. Em We Love Life, ele caprichou: as canções possuem temas como Birds (Pássaros), Weeds (Erva daninha) e Trees (Árvores).

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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