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LIVROS
Ficar
ou Não Ficar, de Tom Wolfe (Rocco; 293 páginas;
29 reais) No volume, Tom Wolfe mostra suas facetas de ensaísta,
jornalista e ficcionista. Os textos mais antigos datam de 1965 e compõem
um ataque à revista The New Yorker, na época uma
das mais influentes dos Estados Unidos. Título de um deles: "Pequenas
múmias! A verdadeira história do rei da Terra dos Mortos-Vivos
da rua 43". A rua 43 era o endereço da publicação.
O artigo mais recente é do ano 2000 e apresenta um retrato satírico
da vida americana na passagem do milênio. Há perfis, reflexões
sobre uma nova ciência, a sociobiologia, um conto mediano que já
havia sido publicado no Brasil (Emboscada no Fort Bragg) e textos
de polêmica cultural. Esses últimos são o filé
mignon. Num deles, o alvo são os "marxistas rococós" da
esquerda intelectual americana. Noutro texto, Wolfe desanca três
romancistas consagrados, John Updike, Norman Mailer e John Irving, que
ele chama de "três patetas". Certos temas são bastante americanos,
mas a verve de Tom Wolfe está presente em todas as páginas.
Isso garante o prazer da leitura.
Um
Drink Antes da Guerra, de Dennis Lehane (tradução
de Luciano Vieira Machado; Companhia das Letras; 296 páginas; 29,50
reais) Revelado nos anos 80, o americano Dennis Lehane tem entre
seus fãs colegas de profissão do porte de Stephen King e
Elmore Leonard. Com seu estilo cortante, ele de fato é um autor
de romances de mistério de primeira linha. Lançado há
vinte anos, Um Drink Antes da Guerra foi a obra que inaugurou a
série protagonizada pelos detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro,
graças à qual o escritor ficou conhecido. Como os políticos
corruptos que povoam o livro, a dupla de heróis coloca a lei de
lado quando a situação exige algum "desprendimento". O mote
da história, ambientada em Boston, é o sumiço de
documentos confidenciais de um gabinete estatal. Para recuperá-los,
Kenzie e Angela acabam no meio de uma guerra suja.
Ag. Folhas
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| Chet:
relatos em primeira pessoa |
Memórias
Perdidas, de Chet Baker (tradução de Luiz Orlando
Carneiro; Jorge Zahar; 120 páginas; 17 reais) Esse lançamento
é uma pérola para os amantes do jazz. Contém as anotações
que o trompetista Chet Baker, uma das figuras mais lendárias do
gênero, fez em seu diário pessoal entre 1946 e 1963. Músico
genial, mas que passou boa parte da vida atormentado pelo vício
da heroína, deve-se a Chet Baker muito do que veio a ser a bossa
nova. Trazido à tona por Carol, ex-mulher do artista, Memórias
Perdidas é saboroso porque mostra Chet Baker por um ângulo
que não consta dos verbetes biográficos. Há detalhes
de seu relacionamento com outros gigantes do jazz, como Charlie Parker,
e relatos de aventuras amorosas e de confusões com a polícia
por causa de drogas.
TELEVISÃO
Divulgação
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| SuperCroc:
ele comia dinossauros |
SuperCroc
(Domingo 9, às 20 horas, no National Geographic)
Mais uma daquelas superproduções que fazem a delícia
dos amantes da paleontologia, o documentário focaliza um crocodilo
que viveu há 110 milhões de anos. Trata-se do Sarcosuchus
imperator, que pesava 8 toneladas e tinha cerca de 12 metros de comprimento
o dobro do que podem atingir seus maiores parentes de hoje. O ponto
de partida do programa é um evento científico importante:
a descoberta, no ano passado, de um crânio fossilizado da espécie
no Deserto do Saara, por uma equipe da National Geographic Society. A
partir da ossada e de pistas colhidas no hábitat dos crocodilos
atuais, o paleontólogo Paul Sereno e o especialista em répteis
Brady Barr fazem uma reconstituição do Sarcosuchus. A
fera não era de brincadeira: chegava a abocanhar dinossauros nas
margens dos pântanos do período cretáceo.
DISCOS
Wonderland,
The Charlatans (FNM) Os Charlatans são uma das bandas mais
azaradas do rock inglês. Surgida no começo dos anos 90, foi
golpeada duramente por duas vezes. O tecladista Rob Collins morreu num
desastre de carro. E há dois anos, o substituto do músico,
Tony Rogers, descobriu que tem câncer. Esses dramas, no entanto,
jamais afetaram a qualidade de seus lançamentos a banda
tem algumas canções tão boas quanto as do Blur ou
do Oasis, que despontaram na mesma época na Inglaterra. Wonderland
é o sétimo CD dos Charlatans. O carismático vocalista
Tim Burgess, uma versão remoçada de Mick Jagger, está
inspirado. O mesmo vale para Tony Rogers, que arrasa no teclado em faixas
como a endiabrada Love Is the Key e I Just Can't Get Over Losing
You.
Lanny
Gordin, Lanny Gordin (Baratos Afins) Filho de pai russo
e mãe polonesa, Lanny Gordin nasceu em Xangai e chegou ao Brasil
nos primeiros anos de vida. Sem sombra de dúvida, é um dos
maiores guitarristas que o país já teve. Sua época
áurea foi nos anos 60, quando deu aquele célebre toque psicodélico
aos discos dos tropicalistas (Fa-Tal, de Gal Costa, e Expresso
2222, de Gilberto Gil) e abrilhantou as gravações de
Elis Regina. Em meados dos anos 70, Gordin teve problemas com drogas,
que culminaram num trágico acidente: durante uma "viagem" à
base de LSD, ele queimou seriamente as mãos. Só nos últimos
anos o músico retomou a carreira. Esse CD é seu primeiro
trabalho-solo e foi gravado entre maio e setembro deste ano. São
onze improvisos jazzísticos que deixam claras a suavidade e a elegância
do estilo de Gordin com destaque para as faixas O Pássaro
e Folha de Papel.
Divulgação
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| Pulp:
inspirados em David Bowie |
We
Love Life, Pulp (FNM) O grupo é uma exceção
em meio à estridência e à rebeldia sem causa que caracterizam
o rock inglês. Surgido nos anos 80, o Pulp toca um pop que faz lembrar
os melhores momentos do grupo Roxy Music e de David Bowie. Por sinal,
um dos ídolos de Bowie, o cantor americano Scott Walker, foi o
responsável pelos arranjos e orquestrações de We
Love Life. À frente da banda, encontra-se o vocalista e letrista
Jarvis Cocker. Em 1996, ele comprou uma briga com Michael Jackson, durante
uma entrega de prêmio na Inglaterra. Foi um rompante que não
condiz com sua fleuma habitual. Cocker é conhecido pelo estilo
"ultracool" e por suas letras que versam sobre temas bucólicos.
Em We Love Life, ele caprichou: as canções possuem
temas como Birds (Pássaros), Weeds (Erva daninha)
e Trees (Árvores).
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