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Caçadores
de negócios
O melhor dos capitais, o que arrisca
junto
com a empresa, continua firme no Brasil
Germano Luders
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Reinach: do microscópio para
a lupa de detetive de oportunidades |
Elas
têm muito dinheiro para investir e estão à procura
de quem tenha idéias originais e capazes de gerar um novo negócio.
Preferencialmente na área de alta tecnologia. Não pedem
nenhuma garantia em troca dos recursos aplicados, mesmo conhecendo as
estatísticas que mostram que, de cada dez projetos, nove vão
para o vinagre. Os donos do cofre descrito acima são as empresas
de capital de risco, uma categoria que nos Estados Unidos foi responsável
pela explosão das empresas de biologia e computador na década
passada. Quando elas acertam, a recompensa é tão grande
que cobre com sobra os fracassos. Agora esse tipo especial de investidor
está começando a se interessar pelo Brasil. Até pouco
tempo atrás, caçavam-se empresas de internet. O então
recém-nascido site de serviços financeiros Patagon recebeu,
logo após sua criação, em 1997, uma injeção
de risco de 20 milhões de dólares do Chase Capital Partners
e do JP Morgan. No começo de 2000 os investidores venderam suas
participações para o Banco Santander por cerca de 500 milhões
de dólares. Lucro de 2.400% em três anos. Obviamente, não
existem mais negócios como esse na praça. A bolha de alta
tecnologia estourou em março de 2000, dois meses depois da venda
da Patagon. Mas as oportunidades continuam quicando em outras áreas.
Com
o estouro da bolha da nova economia, entretanto, o foco do capital de
risco migrou das pontocom para o campo da chamada ciência da vida,
a biologia. Nesta semana o renomado biólogo Fernando Reinach, que
desenvolveu o projeto brasileiro do genoma, vai assumir um posto do outro
lado do balcão. Contratado como diretor executivo pela Votorantim
Ventures, ele vai ajudar a prospectar projetos que mereçam receber
seu quinhão dos 300 milhões de dólares que o grupo
de Antônio Ermírio de Moraes destinou para investimentos
de risco em ciência, tecnologia da informação e comunicações.
"O Brasil tem pessoal qualificado e recursos naturais de sobra. Ninguém
melhor que Reinach para olhar dentro desse universo e saber quais são
as melhores apostas", diz o presidente da Votorantim Ventures, Paulo Henrique
de Oliveira Santos. "O governo investe nas universidades. As universidades
geram conhecimento. Mas o círculo não se fecha, porque esse
conhecimento não está sendo transformado em riqueza para
o país. Os investimentos das empresas de capital de risco são
o elo que faltava", diz Reinach. Ele está entusiasmado com os avanços
que estão sendo feitos no Brasil na área de bioinformática
e pesquisa da biodiversidade na Amazônia.
Parece mesmo um caminho promissor. Nos últimos três anos,
o grupo Diagnósticos da América, que reúne grandes
laboratórios do país, como o Delboni Auriemo e o Lavoisier,
recebeu 100 milhões de dólares do fundo de investimento
do JP Morgan. Até os fundos de pensão estão embarcando
na onda do capital de risco. Segundo a Associação Brasileira
das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), esses
fundos devem destinar de 2 bilhões a 4 bilhões de reais
para investimentos dessa natureza. Nos Estados Unidos as aplicações
de capital de risco vão somar cerca de 50 bilhões de dólares
em 2001. É um dinheirão, mas ainda assim representa uma
queda de praticamente 50% em relação ao que foi investido
no ano passado. Em valores absolutos, o Brasil ainda está bem longe
do cenário americano, mas, como a aposta na internet não
foi tão grande, também não houve grandes diferenças
de investimento de um ano para outro. Segundo a Associação
Brasileira de Capital de Risco, a tendência é que o nível
de associações de risco se mantenha na casa dos 800 milhões
de dólares, praticamente o mesmo volume de 2000.
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