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Edição 1 729 - 5 de dezembro de 2001
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Caçadores de negócios

O melhor dos capitais, o que arrisca junto
com a empresa, continua firme no Brasil

Germano Luders
Reinach: do microscópio para a lupa de detetive de oportunidades

Elas têm muito dinheiro para investir e estão à procura de quem tenha idéias originais e capazes de gerar um novo negócio. Preferencialmente na área de alta tecnologia. Não pedem nenhuma garantia em troca dos recursos aplicados, mesmo conhecendo as estatísticas que mostram que, de cada dez projetos, nove vão para o vinagre. Os donos do cofre descrito acima são as empresas de capital de risco, uma categoria que nos Estados Unidos foi responsável pela explosão das empresas de biologia e computador na década passada. Quando elas acertam, a recompensa é tão grande que cobre com sobra os fracassos. Agora esse tipo especial de investidor está começando a se interessar pelo Brasil. Até pouco tempo atrás, caçavam-se empresas de internet. O então recém-nascido site de serviços financeiros Patagon recebeu, logo após sua criação, em 1997, uma injeção de risco de 20 milhões de dólares do Chase Capital Partners e do JP Morgan. No começo de 2000 os investidores venderam suas participações para o Banco Santander por cerca de 500 milhões de dólares. Lucro de 2.400% em três anos. Obviamente, não existem mais negócios como esse na praça. A bolha de alta tecnologia estourou em março de 2000, dois meses depois da venda da Patagon. Mas as oportunidades continuam quicando em outras áreas.

Com o estouro da bolha da nova economia, entretanto, o foco do capital de risco migrou das pontocom para o campo da chamada ciência da vida, a biologia. Nesta semana o renomado biólogo Fernando Reinach, que desenvolveu o projeto brasileiro do genoma, vai assumir um posto do outro lado do balcão. Contratado como diretor executivo pela Votorantim Ventures, ele vai ajudar a prospectar projetos que mereçam receber seu quinhão dos 300 milhões de dólares que o grupo de Antônio Ermírio de Moraes destinou para investimentos de risco em ciência, tecnologia da informação e comunicações. "O Brasil tem pessoal qualificado e recursos naturais de sobra. Ninguém melhor que Reinach para olhar dentro desse universo e saber quais são as melhores apostas", diz o presidente da Votorantim Ventures, Paulo Henrique de Oliveira Santos. "O governo investe nas universidades. As universidades geram conhecimento. Mas o círculo não se fecha, porque esse conhecimento não está sendo transformado em riqueza para o país. Os investimentos das empresas de capital de risco são o elo que faltava", diz Reinach. Ele está entusiasmado com os avanços que estão sendo feitos no Brasil na área de bioinformática e pesquisa da biodiversidade na Amazônia.

Parece mesmo um caminho promissor. Nos últimos três anos, o grupo Diagnósticos da América, que reúne grandes laboratórios do país, como o Delboni Auriemo e o Lavoisier, recebeu 100 milhões de dólares do fundo de investimento do JP Morgan. Até os fundos de pensão estão embarcando na onda do capital de risco. Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), esses fundos devem destinar de 2 bilhões a 4 bilhões de reais para investimentos dessa natureza. Nos Estados Unidos as aplicações de capital de risco vão somar cerca de 50 bilhões de dólares em 2001. É um dinheirão, mas ainda assim representa uma queda de praticamente 50% em relação ao que foi investido no ano passado. Em valores absolutos, o Brasil ainda está bem longe do cenário americano, mas, como a aposta na internet não foi tão grande, também não houve grandes diferenças de investimento de um ano para outro. Segundo a Associação Brasileira de Capital de Risco, a tendência é que o nível de associações de risco se mantenha na casa dos 800 milhões de dólares, praticamente o mesmo volume de 2000.

 
 
   
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