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O banqueiro
Henrique Meirelles
quer trocar um salário anual de
4 milhões de reais por
uma vaga na política
Claudio Rossi

Meirelles,
que foi assediado pelo PMDB, PSDB e PFL: "Cheguei ao topo. Agora,
preciso de um novo desafio e vai ser na política"
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O BankBoston
é uma potência no mercado financeiro mundial. Sétimo
maior banco americano, possui ativos de 223 bilhões de dólares
e 55.000 empregados espalhados em 32 países.
O presidente mundial desse portento dez vezes maior que o Bradesco é
o brasileiro Henrique Meirelles, 55 anos, goiano de nascimento. Meirelles
está no banco há 26 anos, onde começou como gerente
no Rio de Janeiro. Chegou à presidência mundial no ano passado
e se tornou uma figura única no mercado. Nunca um estrangeiro havia
presidido uma instituição financeira de grande porte nos
Estados Unidos. Como chefão do BankBoston, ele tem uma agenda que
inclui palestras nas melhores universidades americanas, contatos com presidentes
de bancos centrais e autoridades do mundo todo e assinaturas de contratos
da ordem de milhões e milhões de dólares. Recentemente,
discutia a aquisição de uma rede de agências bancárias
no Chile por 130 milhões de reais.
Raul Junior

Tápias: carreira brilhante na iniciativa
privada e trombadas no governo
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Nos últimos dias, Meirelles deixou por um instante o mundo global
e dedicou seu tempo a um universo mais regional: a política brasileira.
Na semana passada, viajou para a pequena cidade de Itumbiara, na divisa
entre Goiás e Minas Gerais, onde fez uma palestra para comerciantes,
agricultores e donas-de-casa sobre o Brasil e a economia mundial. O encontro
foi o primeiro de uma série de compromissos programada por ele
para viabilizar sua candidatura a um cargo eletivo no ano que vem. O mais
provável, segundo conta, é que seja ao Senado por Goiás.
Meirelles conversou com alguns amigos antes de anunciar o desejo de dar
uma guinada na vida. Quem escutou sua história não entendeu
nada. Por que alguém trocaria um dos empregos mais cobiçados
do mundo dos negócios por uma cadeira no Congresso Nacional? Será
que o ambiente de trabalho no banco não está bom? Meirelles
nega. Será que seu emprego corre riscos? Meirelles nega. Será
então que brigou com a mulher? Nada disso, avisa. Ele não
tem mulher. Aliás, nunca se casou. O presidente do BankBoston explica
que a razão da troca é de outra natureza. "Cheguei ao topo",
afirma. "Preciso de um novo desafio, e vai ser na política."
É
comum que homens de negócios ingressem na política após
trilhar uma carreira vitoriosa na iniciativa privada. O caso mais momentoso
é o do bilionário americano Michael Bloomberg, recém-eleito
prefeito de Nova York. Um estudo do cientista político Rubens Figueiredo
mostra que 25% dos congressistas brasileiros são empresários.
Em alguns casos, a motivação não é lá
muito nobre. Há aqueles em que empresários tinham uma firminha
ao ingressar na vida pública e então construíram
um império. Na maior parte das vezes, no entanto, a decisão
é fruto do desejo de ajudar o país a progredir. É
a história do banqueiro Olavo Setúbal, que deixou o Itaú
para ser prefeito de São Paulo durante os anos 70, ou de Antônio
Ermírio de Moraes, que se licenciou da Votorantim para disputar
o governo paulista na década de 80.
Meirelles
não é dono do banco. Seu perfil é semelhante ao do
ex-ministro do Desenvolvimento Alcides Tápias, que construiu uma
carreira notável como executivo do Bradesco e então presidiu
a Camargo Corrêa. Nesse caso, a experiência em Brasília
não foi bem-sucedida. "A lógica empresarial é diferente
da lógica do governo", afirma o ex-ministro, que depois de cumprir
uma quarentena volta ao mercado como sócio de uma consultoria.
Meirelles ainda não sabe se vai licenciar-se do banco caso decida
realmente disputar a eleição. Segundo seu contrato, o emprego
está garantido até 2003, bem como seu salário de
4 milhões de reais por ano, sem contar os bônus. O dinheiro
lhe permite uma vida confortável. Ele tem casas nos bairros mais
chiques de São Paulo, Rio de Janeiro, Boston e Nova York. Em Nova
York, é dono de um apartamento de 400 metros quadrados na Quinta
Avenida, com vista de 360 graus para a cidade, coisa de 10 milhões
de reais, segundo o mercado.
A decisão
de Meirelles de entrar para a política mobilizou os três
maiores partidos do Brasil. O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia,
preparou um jantar com caciques do PFL para convidá-lo a ingressar
na legenda. O PMDB também ofereceu um lugar ao banqueiro. O PSDB
garantiu a ele vaga para disputar o Senado pelo Estado de Goiás.
Essa generosidade dos partidos em relação aos candidatos
ocorre quando o interessado em participar do processo eleitoral possui
uma entre duas características: um potencial eleitoral forte, como
tem os apresentadores Ratinho ou Faustão, ou uma boa reserva de
verdinhas para sustentar a campanha. Nesse campo, Meirelles diz que tem
dinheiro suficiente para bancar a campanha com recursos próprios.
Até o momento, antes mesmo de tomar qualquer decisão final,
já gastou 190.000 reais em pesquisas
eleitorais e planeja gastar outros 300.000.
"Ele é um fenômeno", diz o governador de Goiás, Marconi
Perillo, que tem ciceroneado Meirelles nas incursões pelo Estado.
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