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Um racha na Fórmula 1

Fabricantes querem criar
novo campeonato para escapar
da TV por assinatura

Diogo Schelp

As fábricas de automóveis querem se livrar dos cartolas da Fórmula 1 e liderar o processo de negociação dos direitos de transmissão dos grandes prêmios pela televisão. Para isso, estão inventando uma nova categoria no automobilismo mundial, já que é impossível romper o contrato assinado entre os dirigentes atuais e as empresas Slec e Kirch, que detêm os direitos comerciais das corridas pelos próximos 100 anos. Na semana passada, os executivos da Fiat, proprietária da equipe Ferrari, da DaimlerChrysler, responsável pela McLaren, da Ford (Jaguar), da BMW (Williams) e da Renault (ex-Benetton), as principais marcas da Fórmula 1, reuniram-se com os donos das onze escuderias em Genebra, na Suíça, para dar a largada nesse negócio. Eles anunciaram a criação de uma empresa sediada na Holanda para organizar as provas e vender o novo campeonato para redes de televisão e patrocinadores. O GPWC, sigla em inglês para Campeonato Mundial de Grandes Prêmios, será presidido por Paolo Cantarella, o principal executivo da Fiat, e terá como vice Jürgen Hubbert, presidente da DaimlerChrysler.

"Os fabricantes são os protagonistas da Fórmula 1", disse Cantarella após o encontro. "Queremos também o poder de controlar tudo diretamente." As fábricas e os donos das escuderias temem o afastamento dos patrocinadores da Fórmula 1. A Kirch, uma gigante de mídia de origem alemã, tem interesse pela TV a cabo porque precisa buscar em várias fontes dinheiro para cobrir os 6 bilhões de reais que gastou comprando 75% do negócio do dirigente dos construtores, Bernie Ecclestone. Para as empresas que estampam suas marcas nos bólidos, a restrição de transmissão apenas a assinantes dessas redes não é um bom negócio. Ecclestone conseguiu esse contrato de exclusividade depois de ter apoiado o nome de Max Mosley para a direção da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Agora, a própria FIA estimula a criação de um campeonato concorrente à principal categoria do automobilismo mundial.

A disputa envolve dinheiro alto. Ecclestone, que controlou o mundo das corridas por vinte anos, fez uma fortuna avaliada em 7 bilhões de reais. A indústria automobilística despeja 2 bilhões de reais por ano no desenvolvimento dos carros, um pouco mais do que a publicidade e os direitos de imagem rendem às equipes. O campeonato todo é assistido por 4,5 bilhões de pessoas, por meio de 120 canais em 200 países. Na tentativa de abortar o nascimento de um campeonato rival, a Kirch comprometeu-se a manter o sinal disponível para negociação com TVs abertas, mas poucos acreditam que poderá honrar esse compromisso. Depois de gastar 2,4 bilhões de reais para ter o monopólio da transmissão das próximas duas Copas do Mundo de Futebol, Leo Kirch, o dono da companhia, deu-se conta de que o valor foi alto demais. Na Fórmula 1, acredita-se que a tentativa de recuperar o prejuízo cairá sobre os fiéis espectadores das corridas, que terão de pagar para ver as disputas em casa. Se isso acontecer, donos de equipes e fabricantes estarão prontos para deixar a empresa a pé.

   
 
   
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