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Química
da dor
Brasileiros
descobrem relação
entre enxaqueca e melatonina
Anna
Paula Buchalla
A
mais recente descoberta sobre a enxaqueca saiu de um centro de pesquisas
brasileiro e ganhou as páginas do Journal of Neurology, Neurosurgery
and Psychiatry, da prestigiosa Associação Médica
Britânica. A última edição da revista traz
um estudo de médicos da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp). Sob a coordenação do neurologista Mario Peres,
os pesquisadores examinaram a influência do hormônio melatonina,
que induz o sono, nos casos de enxaqueca crônica diária.
Foi observado que os enxaquecosos sofrem um atraso no pico de produção
da substância o organismo costuma fabricar uma maior quantidade
de melatonina seis horas depois do anoitecer. Se o retardo é que
provoca a enxaqueca ou se é a enxaqueca que leva ao desequilíbrio
hormonal, ainda não se sabe. Mas foi importante estabelecer a relação,
porque ela pode abrir caminho para o desenvolvimento de novas drogas contra
o mal. "O próximo passo é avaliar o efeito da reposição
de melatonina nos pacientes", explica Peres. Essa fase da pesquisa deve
começar em breve.
Há
mais de um tipo de enxaqueca. A crônica diária atinge 5 milhões
de brasileiros. Com o passar dos anos, a freqüência e a intensidade
da dor aumentam, enquanto diminui a ocorrência de outros sintomas
associados ao problema, tais como náuseas, vômitos, aversão
à luz e ao som. Isso não acontece com pacientes da enxaqueca
episódica, a mais comum, que afeta duas em cada dez pessoas. A
pesquisa da Unifesp mostrou ainda que 70% das vítimas de enxaqueca
crônica diária sofrem também de insônia. Além
do descompasso no ritmo de produção de melatonina, elas
apresentam baixas concentrações do hormônio no sangue.
Em meados da década de 90, a melatonina sintetizada em laboratório
entrou na moda. Era vendida em cápsulas como garantia de uma noite
tranqüila de sono, elixir da juventude, afrodisíaco e remédio
preventivo contra o câncer. Como é regra entre os produtos
que prometem de tudo ao mesmo tempo, não demorou muito para que
a substância fosse colocada sob suspeita. Tanto que, no Brasil,
seu comércio acabou sendo proibido. Os estudos conduzidos pela
Unifesp podem devolver à melatonina a boa reputação.
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