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Frisson cerebral
A beleza
feminina causa, sim,
reações primitivas nos homens
Karina Pastore
Antonio Milena

Gisele
Bündchen: perfeita também do ponto de vista evolucionário |
Ao ser indagado por que os homens cultuam a beleza física, Aristóteles
abandonou momentaneamente a retórica e mostrou o seu lado borracheiro
houvesse, é claro, borracheiros na Antiguidade. "Só
um cego faria essa pergunta", disse ele. Basta uma olhadela na foto de
Gisele Bündchen aí ao lado para perceber a conexão
entre filosofia grega e borracharia brasileira. E aqui está
a novidade entre filosofia grega, borracharia brasileira e ciência
americana. Não se acanhe, prezado leitor, em devorar com os olhos
a modelo gaúcha. Essa sua compulsão é pura química
cerebral. Pesquisadores da Universidade Harvard mapearam a atividade do
sistema nervoso central de homens heterossexuais, de 21 a 35 anos, e descobriram
que a visão de uma mulher atraente causa frisson em algumas das
áreas mais primitivas do cérebro. Principalmente no núcleo
acumbens e na amígdala, responsáveis por funções
como a manutenção da temperatura do corpo e da pressão
arterial e por determinadas sensações de prazer. Do ponto
de vista cerebral (masculino heterossexual, enfatize-se), uma mulher bonita
causa as mesmas reações da cocaína em cocainômanos
e da aposta em dinheiro em jogadores inveterados. Enfim, a beleza tem
efeito parecido ao do vício, com a vantagem de não fazer
mal.
Publicado
na revista americana Neuron, uma das mais importantes no campo
da neurologia, o estudo de Harvard também analisou a resposta do
cérebro de homens heterossexuais a mulheres feias e homens bonitos.
Em ambos os casos, a região que se manifestou mais intensamente
foi a ligada aos sentimentos de aversão. A explicação
é que as feiosas não têm atributos evolucionários
suficientes e que os bonitões, nas profundezas cerebrais mais recônditas,
representam uma ameaça na disputa por uma parceira ideal
é melhor tê-los longe do que perto. Por atributos evolucionários,
que Gisele Bündchen tem de sobra, entenda-se características
como o maxilar delicado, o queixo pequeno, os olhos grandes em relação
ao comprimento do rosto, os lábios carnudos e as maçãs
da face salientes. Tudo isso indica que o organismo da mulher tem baixos
níveis de hormônios masculinos e abundância de estrógenos,
os hormônios sexuais femininos. Gisele, portanto, é bonita
porque exibe as qualidades de uma boa reprodutora.
A diferença
de medidas entre cintura e quadris também é um dado importante
para uma boa avaliação por parte do macho reprodutor. O
melhor é que a cintura da mulher tenha, em média, de seis
a oito décimos do tamanho dos quadris. Essa proporção,
segundo a psicóloga americana Nancy Etcoff, pesquisadora de Harvard
e autora do livro A Lei do Mais Belo, é apreciada no mundo
todo, independentemente dos padrões deste ou daquele país.
Motivo biológico: sinaliza boa saúde e fertilidade. Ah,
sim, Gisele tem 59 centímetros de cintura e 89 de quadris. Proporção
de 0,66.
O estudo
americano é interessante porque prova que a beleza é uma
categoria que está longe de ser definida apenas culturalmente.
Nesse aspecto, ele bate de frente em certas teorias conspiratórias.
Uma delas é que o belo não passa de uma invenção
dos manda-chuvas da indústria de cosméticos, da moda, do
cinema e da televisão. Dessa maneira, eles imporiam um rodízio
de padrões estéticos, para faturar cada vez mais alto. As
feministas mais coléricas chegam a dizer até que a beleza
é uma forma encontrada pelos homens para subjugar as mulheres.
"A beleza é um sistema monetário, assim como o ouro. É
o último e o melhor sistema de crenças que mantém
a dominação masculina intacta", lê-se em O Mito
da Beleza, da americana Naomi Wolf. É impressionante a capacidade
de fantasiar dessas pessoas que acham que feiúra, sim, é
fundamental. Ciência americana, borracharia brasileira e filosofia
grega nelas.
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