
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Com a palavra os
leitores
Um gênero
atraente, a coletânea
de cartas publicadas
na imprensa,
vai ganhar novas edições na
Inglaterra e nos Estados Unidos
Duas
novas coletâneas de cartas publicadas pela imprensa nos Estados
Unidos e na Inglaterra vão, em breve, apimentar o gênero.
A primeira é uma edição contendo a seleção
de meio século de cartas publicadas pelo jornal The New York
Times. A segunda é a atualização de uma famosa
coleção, a First Cuckoo, que seleciona as que foram
editadas pelo The Times, de Londres, desde 1900. A coletânea
americana está sendo compilada por um professor que julgou ter
descoberto a fórmula para garantir de modo quase infalível
que uma carta qualquer seja escolhida pelo The New York Times.
"Durante uma década prometi dar nota máxima a todo aluno
meu que conseguisse que uma carta fosse editada no jornal de Nova York.
Todos falharam. De repente, no espaço de poucas semanas, emplacamos
duas. Logo outro aluno teve sua carta publicada. Foram tantas que tive
de voltar atrás na promessa de dar nota máxima aos acertadores",
diz William Miles, professor da Universidade Northeastern, de Boston.
Mas, afinal, Miles encontrou mesmo o segredo da edição de
cartas do jornal? Meio a contragosto, ele reconhece que descobriu apenas
duas tendências momentâneas dos editores do New York Times.
A primeira era privilegiar cartas com conteúdo politicamente correto.
A outra, dar preferência a mensagens que chegavam à redação
eletronicamente, via internet. "Isso não vai durar", disse Miles.
A atualização da coleção deixada pelo inglês
Kenneth Gregory promete resultar num material interessante. Em 1975 ele
publicou a primeira leva de sua seleção, incluindo missivas
enviadas desde 1900 ao jornal The Times. Há dois anos a
obra foi reeditada para incluir as cartas até 1980. A editora de
Gregory anunciou que a morte do meticuloso autor, ocorrida no começo
deste ano, não impedirá o lançamento de uma edição
atualizada com a manifestação escrita dos leitores até
2000. "Não vai aqui nenhuma ofensa aos jornalistas, mas as cartas
dos leitores permitem acompanhar com mais paixão as mudanças
geracionais e as questões sociais no decorrer de longos períodos
de tempo", escreveu Gregory, que nunca foi funcionário do jornal.
Ele era um escritor pouco conhecido que, década após década,
pesquisou diligentemente as seções de cartas nos arquivos
do londrino The Times.
Ele reunia suas coletâneas sob o título de First Cuckoo,
ou "primeiro cuco", uma expressão mais inglesa do que caça
à raposa que significa algo como "o anunciador da primavera", estação
muito esperada nas chuvosas ilhas britânicas. Entre seus "furos"
jornalísticos, o The Times sempre se orgulhava de ser o
primeiro a registrar a chegada efetiva da primavera. Mas o grande fenômeno
ligado ao trabalho de Kenneth Gregory é o fato de ele ter produzido
uma geração de seguidores. Seu conterrâneo Christopher
Hawtree, que também não era jornalista, publicou em 1990
uma coleção especial. Hawtree fechou o foco de suas pesquisas
nas cartas do famoso romancista inglês Graham Greene (1904-1991).
Greene, que se definia não como um autor de ficção,
mas como um "contador de experiências reais romanceadas", se revelava
de maneira diferente nas missivas que escreveu compulsivamente para os
jornais britânicos durante três décadas. "Nelas, Greene
se mostra um militante esquerdista com opiniões fortes sobre Vietnã
ou Cuba", disse Hawtree. "Mas aos jornais ele acabou abrindo sua alma.
A prosa é espetacular e convincente como em seus romances, mas
nas cartas ele deixa fluir melhor a mistura desespero e fé na salvação
que fez dele um dos maiores autores do século passado."
"Talvez
a grande qualidade das cartas seja o fato de elas não buscarem
propriamente a verdade, mas refletirem um momento histórico", escreveram
Lisa Grunwald e Stephen Adler, autores de Letters of the Century
(Cartas do Século), coletânea editada nos Estados Unidos
há dois anos. Numa delas, o escritor Tom Wolfe (Fogueira das
Vaidades) se dirige à revista semanal New York Magazine,
que acabara de publicar um longo perfil do já lendário
editor da revista literária The New Yorker, William Shawn.
Diz Tom Wolfe em sua carta: "A edição e as cartas que ela
certamente vai gerar prestam um tributo. São um documento dos tempos
em que vivemos. Ficará evidente que a The New Yorker se
tornou um totem para os culturati da burguesia. Ela não
tem leitores, mas seguidores, e eles vão reagir como qualquer outro
grupo de adoradores quando descobrirem que seu búfalo sagrado talvez
não seja tão sagrado assim". Como reflexo de um período
histórico, dificilmente se poderia escolher uma carta melhor que
a apresentada por Adler. Ela foi escrita ao The New York Times
por um leitor que assinou E.G. Hall. "Senhor editor, durante a guerra,
por escassez de tecidos, as mulheres americanas encurtaram o comprimento
de suas saias. Agora os ditadores da moda querem que elas usem saias longas.
Mulheres americanas, eu as conclamo a resistir a essa moda odiosa. Usem
suas saias tão curtas quanto desejarem, em nome da beleza e da
liberdade de movimentos. Estamos em 1947 e não em 1847."
|
"Parem
de discutir quem deu o grito do Tarzan nos filmes. Johnny
Weissmuller podia e gritava muito bem."
A atriz Maureen O'Sullivan ("Jane")
à revista Time,
em 1973
"Espero
que a revista tenha vida longa, que continue disseminando
informações de qualidade escritas de maneira
que não induzam as pessoas ao sono."
Franklin
Roosevelt, presidente americano,
à Time, em 1938
"Senti-me
mal quando vocês me chamaram de esquisita e definiram
meus filmes como 'veneno de bilheteria'. Mas, quando soube
que vocês disseram que Farrah Fawcett tem gelatina no
lugar de cérebro, senti-me honrada em ser mencionada
numa publicação de tamanha classe."
Geena Davis,
atriz, ao Los Angeles Times, em 1997
"Vocês
têm extenuado Lauren Bacall, minha mulher, ao deixá-la
sempre de fora dos créditos do filme Key Largo
em sua seção de indicações culturais.
Como é minha esposa e tenho de viver com ela, peço-lhes
que incluam o nome da senhora Bacall na lista de atores do
filme e deixem de rotulá-la apenas de 'outros'."
Humphrey
Bogart, à Time,
em 1948
"Só
vocês acharam minha roupa deselegante. Até o
presidente Bill Clinton me perguntou onde comprei minha jaqueta."
O apresentador Larry King, em
1994
"Os
soldados inimigos podem ser facilmente atingidos na trincheira
por uma chuva de balas que caia sobre eles verticalmente."
Sir
Arthur Conan Doyle, escritor,
criador do detetive
Sherlock Holmes, ao The Times, de Londres, em 1900,anos
antes da invenção do avião
"Constato
com alegria que vocês continuam errando tudo quando
publicam informações a meu respeito. Como sempre,
suas reportagens são podres. Preciso tanto de uma casa
noturna em Palm Beach quanto vocês de um câncer."
Frank Sinatra,
à Time, em 1961
"Anotem
aí. Não compro vestidos de 5 000 dólares
nem sei o que faz um decorador de interiores. Não possuo
jóias em excesso nem quadros ou antiguidades. Ah, só
vou ao cabeleireiro uma vez por semana."
Nancy Reagan, primeira-dama
americana, reclamando de uma reportagem que a pintava como
a mais fútil das mulheres, em 1980
"A
insinuação de que abandonei a Igreja não
é totalmente correta. Sempre vou à missa aos
domingos, mas às vezes tenho outros afazeres, como
visitar amigos e trabalhar. Discordo em grande parte do que
o papa diz e faz, mas isso não significa que abandonei
a Igreja. Eu me definiria, na pior das hipóteses, como
um católico agnóstico."
Graham Greene,
escritor, aoThe Spectator, de Londres, em 1945
"As
notícias sobre minha morte foram grandemente exageradas."
Mark Twain,
escritor americano, ao The New York Times, em 1901
"Ao
contrário do que vocês escreveram, eu sei e gosto
de falar. O problema é que detesto interromper meu
irmão Groucho."
O
comediante Harpo Marx,
em 1936
|
|
|
|
 |
|
 |

|
 |