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O homem mais rico
da América Latina
Dono de
11 bilhões de dólares,
Carlos Slim é chamado de
"o dono do México"
Raul Juste
Lores, da Cidade do México
Carlos Slim,
cuja fortuna pessoal de 11 bilhões de dólares o faz o homem
mais rico da América Latina e o 25º do mundo, é chamado
de "o dono do México". Não é modo de falar. Ele é
dono da maior companhia telefônica, da maior empresa de telefonia
celular, do maior provedor de internet, da maior fábrica de cigarros
e da maior rede de lojas de conveniência do país. No Brasil
não há nada que se compare em termos de concentração
de poder econômico nas mãos de um só homem. Aliás,
não existe por aqui fortuna que se compare. Para chegar à
dinheirama do mexicano, é necessário somar o patrimônio
dos quatro brasileiros mais ricos Antônio Ermírio
de Moraes, Aloysio Faria, Joseph Safra e Júlio Bozano. Perguntado
sobre a sensação de pertencer ao exclusivíssimo clube
dos bilionários, Slim simula modéstia. "Não se trata
de uma competição, do tipo quem corre mais rápido.
Eu não estou concorrendo a nada", disse o bilionário a VEJA.
"O importante é estar satisfeito com o que faço."
Seu segredo
é a magistral capacidade de se ater à regra número
1 do comércio: comprar barato e vender com lucro. Ele passou os
últimos quarenta anos descobrindo oportunidades de negócios,
driblando as crises econômicas mexicanas e ainda se tornou uma celebridade
sem freqüentar colunas sociais. Seus inimigos reclamam do jogo de
influências palacianas que lhe permitiu comprar a estatal da telefonia,
a Telmex, por um preço para lá de simbólico, em 1990.
Duas multinacionais americanas até o denunciaram à
Organização Mundial do Comércio por prática
de monopólio. A venda da Telmex foi a primeira grande privatização
do governo Salinas. Slim, associado a empresas da França e dos
Estados Unidos, pagou 1,8 bilhão de dólares pela estatal,
com direito de exploração exclusiva por seis anos. O surgimento
de uma nova classe média na esteira do milagre econômico
mexicano fez com que as duas companhias de telefonia de Slim faturassem
só no ano passado 22 bilhões de dólares.
O bilionário
tem mitológico faro para bons negócios. Ele se tornou acionista
da Apple em 1997, pouco antes de o lançamento do iMac fazer o valor
das ações da empresa explodir. A habilidade de negociar,
Slim herdou do pai, um imigrante libanês que chegou ao México
no início do século XX e criou a primeira loja de departamentos.
Em 1910, seu pai comprou barato propriedades no centro da Cidade do México
que pertenciam a aristocratas empobrecidos pela Revolução
Mexicana. O ponto de partida do império de Carlos Slim foi um terreno
que ganhou do pai como presente de casamento. Em vez de construir uma
mansão para morar, ergueu um prédio de catorze andares.
Ficou com dois apartamentos, alugou e vendeu os outros. Com o capital,
abriu sua primeira empresa, uma construtora. Em 1982, quando a crise mundial
do petróleo levou as finanças do México à
lona, Slim começou a comprar por valores irrisórios empresas
à beira da falência. Assim virou dono da maior rede de lojas
de conveniência e de departamentos do país.
Até
poucos anos atrás, ele era praticamente desconhecido da maioria
dos mexicanos, por sua relutância em dar entrevistas ou ser fotografado.
Mudou de postura nos últimos anos, com a participação
ativa em iniciativas sociais (por meio da Fundação Telmex,
que colabora com vários programas contra a pobreza) e culturais.
Há sete anos inaugurou um museu, dirigido por uma filha, para que
sua coleção de arte pudesse ser visitada. O museu tem a
maior coleção de esculturas de Rodin fora da França,
adquirida com a mulher, Soumaya, que morreu de insuficiência renal
em seus braços dentro de um avião, em 1999. Se quer saber
qual o próximo bom negócio no México, arrisque a
produção de filmes. É o que Slim está fazendo.
Ele financiou Amores Brutos, que só no México teve
4 milhões de espectadores, foi indicado para o Oscar, premiado
no Festival de Cannes e exibido em quarenta países. Ele quer produzir
agora um longa chamado Um Dia em Los Angeles sem Mexicanos. "Seria
um filme em que mostraríamos a importância dos mexicanos
aos americanos", conta. "Não haveria quem cuidasse dos estacionamentos,
dos postos de gasolina, dos restaurantes, nem quem cozinhasse."
Apesar de
dirigir mais de cinqüenta empresas, Slim diz que tem tempo de sobra.
"Se alguém sabe comandar bem uma empresa ou um time de futebol,
é porque tem uma boa equipe e atrai gente capaz", diz. "O que eu
faço é treinar e supervisar essa equipe." Aos 61 anos, ele
tem seis filhos, todos envolvidos com os negócios da família.
Apesar dos negócios de alta tecnologia, ele é um homem à
antiga. Não usa computador. Prefere cadernos de anotações,
nos quais aponta compromissos e calcula os lucros das empresas. Nas reuniões
dos conselhos administrativos, ele adora deixar os executivos pasmos com
sua habilidade de fazer de cabeça cálculos complicados.
Mania de gente rica.
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O
maior em tudo
Carlos Slim é dono da maior companhia telefônica, da
maior empresa de telefonia celular, do maior provedor de internet
e da maior fábrica de cigarros do México
Suas empresas empregam 200
000 pessoas e faturaram 30
bilhões de dólares em 2000
Slim
comprou por 800 milhões
de dólares a rede de lojas de informática
CompUSA nos Estados Unidos. Ele também tem parte da loja
de departamentos Saks, em Nova York, e participação
em empresas de telefonia no Brasil
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Vida
nova para a capital
O
xodó do homem mais rico da América Latina é
a área mais decadente da Cidade do México. Carlos
Slim dirige uma campanha de 1 bilhão de dólares para
a recuperação do centro histórico da capital.
O objetivo é dar vida nova às quase 1 500 construções
do século XV ao XX e transformar a área em um centro
tecnológico e de entretenimento. Primeiro, Slim conseguiu
o apoio de amigos empresários. Depois, usou sua influência
para arrancar incentivos dos governos federal e municipal e créditos
camaradas de organismos internacionais. O projeto inclui cursos
de gastronomia, turismo e restauração para jovens
pobres. "Um empresário está acostumado a dirigir equipes
e multiplicar recursos, e pode usar essa experiência em atividades
sociais", diz Slim. O discurso social não o impede de fazer
negócios: comprou imóveis no centro histórico
e até instalou um restaurante em um magnífico casarão
azulejado construído em 1525.
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