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Edição 1 729 - 5 de dezembro de 2001
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O homem mais rico
da América Latina

Dono de 11 bilhões de dólares,
Carlos Slim é chamado de
"o dono do México"

Raul Juste Lores, da Cidade do México

Carlos Slim, cuja fortuna pessoal de 11 bilhões de dólares o faz o homem mais rico da América Latina e o 25º do mundo, é chamado de "o dono do México". Não é modo de falar. Ele é dono da maior companhia telefônica, da maior empresa de telefonia celular, do maior provedor de internet, da maior fábrica de cigarros e da maior rede de lojas de conveniência do país. No Brasil não há nada que se compare em termos de concentração de poder econômico nas mãos de um só homem. Aliás, não existe por aqui fortuna que se compare. Para chegar à dinheirama do mexicano, é necessário somar o patrimônio dos quatro brasileiros mais ricos – Antônio Ermírio de Moraes, Aloysio Faria, Joseph Safra e Júlio Bozano. Perguntado sobre a sensação de pertencer ao exclusivíssimo clube dos bilionários, Slim simula modéstia. "Não se trata de uma competição, do tipo quem corre mais rápido. Eu não estou concorrendo a nada", disse o bilionário a VEJA. "O importante é estar satisfeito com o que faço."

Seu segredo é a magistral capacidade de se ater à regra número 1 do comércio: comprar barato e vender com lucro. Ele passou os últimos quarenta anos descobrindo oportunidades de negócios, driblando as crises econômicas mexicanas e ainda se tornou uma celebridade sem freqüentar colunas sociais. Seus inimigos reclamam do jogo de influências palacianas que lhe permitiu comprar a estatal da telefonia, a Telmex, por um preço para lá de simbólico, em 1990. Duas multinacionais americanas até o denunciaram à Organização Mundial do Comércio por prática de monopólio. A venda da Telmex foi a primeira grande privatização do governo Salinas. Slim, associado a empresas da França e dos Estados Unidos, pagou 1,8 bilhão de dólares pela estatal, com direito de exploração exclusiva por seis anos. O surgimento de uma nova classe média na esteira do milagre econômico mexicano fez com que as duas companhias de telefonia de Slim faturassem só no ano passado 22 bilhões de dólares.

O bilionário tem mitológico faro para bons negócios. Ele se tornou acionista da Apple em 1997, pouco antes de o lançamento do iMac fazer o valor das ações da empresa explodir. A habilidade de negociar, Slim herdou do pai, um imigrante libanês que chegou ao México no início do século XX e criou a primeira loja de departamentos. Em 1910, seu pai comprou barato propriedades no centro da Cidade do México que pertenciam a aristocratas empobrecidos pela Revolução Mexicana. O ponto de partida do império de Carlos Slim foi um terreno que ganhou do pai como presente de casamento. Em vez de construir uma mansão para morar, ergueu um prédio de catorze andares. Ficou com dois apartamentos, alugou e vendeu os outros. Com o capital, abriu sua primeira empresa, uma construtora. Em 1982, quando a crise mundial do petróleo levou as finanças do México à lona, Slim começou a comprar por valores irrisórios empresas à beira da falência. Assim virou dono da maior rede de lojas de conveniência e de departamentos do país.

Até poucos anos atrás, ele era praticamente desconhecido da maioria dos mexicanos, por sua relutância em dar entrevistas ou ser fotografado. Mudou de postura nos últimos anos, com a participação ativa em iniciativas sociais (por meio da Fundação Telmex, que colabora com vários programas contra a pobreza) e culturais. Há sete anos inaugurou um museu, dirigido por uma filha, para que sua coleção de arte pudesse ser visitada. O museu tem a maior coleção de esculturas de Rodin fora da França, adquirida com a mulher, Soumaya, que morreu de insuficiência renal em seus braços dentro de um avião, em 1999. Se quer saber qual o próximo bom negócio no México, arrisque a produção de filmes. É o que Slim está fazendo. Ele financiou Amores Brutos, que só no México teve 4 milhões de espectadores, foi indicado para o Oscar, premiado no Festival de Cannes e exibido em quarenta países. Ele quer produzir agora um longa chamado Um Dia em Los Angeles sem Mexicanos. "Seria um filme em que mostraríamos a importância dos mexicanos aos americanos", conta. "Não haveria quem cuidasse dos estacionamentos, dos postos de gasolina, dos restaurantes, nem quem cozinhasse."

Apesar de dirigir mais de cinqüenta empresas, Slim diz que tem tempo de sobra. "Se alguém sabe comandar bem uma empresa ou um time de futebol, é porque tem uma boa equipe e atrai gente capaz", diz. "O que eu faço é treinar e supervisar essa equipe." Aos 61 anos, ele tem seis filhos, todos envolvidos com os negócios da família. Apesar dos negócios de alta tecnologia, ele é um homem à antiga. Não usa computador. Prefere cadernos de anotações, nos quais aponta compromissos e calcula os lucros das empresas. Nas reuniões dos conselhos administrativos, ele adora deixar os executivos pasmos com sua habilidade de fazer de cabeça cálculos complicados. Mania de gente rica.

 

O maior em tudo

Carlos Slim é dono da maior companhia telefônica, da maior empresa de telefonia celular, do maior provedor de internet e da maior fábrica de cigarros do México

Suas empresas empregam 200 000 pessoas e faturaram 30 bilhões de dólares em 2000

Slim comprou por 800 milhões de dólares a rede de lojas de informática CompUSA nos Estados Unidos. Ele também tem parte da loja de departamentos Saks, em Nova York, e participação em empresas de telefonia no Brasil

 

 

Vida nova para a capital

O xodó do homem mais rico da América Latina é a área mais decadente da Cidade do México. Carlos Slim dirige uma campanha de 1 bilhão de dólares para a recuperação do centro histórico da capital. O objetivo é dar vida nova às quase 1 500 construções do século XV ao XX e transformar a área em um centro tecnológico e de entretenimento. Primeiro, Slim conseguiu o apoio de amigos empresários. Depois, usou sua influência para arrancar incentivos dos governos federal e municipal e créditos camaradas de organismos internacionais. O projeto inclui cursos de gastronomia, turismo e restauração para jovens pobres. "Um empresário está acostumado a dirigir equipes e multiplicar recursos, e pode usar essa experiência em atividades sociais", diz Slim. O discurso social não o impede de fazer negócios: comprou imóveis no centro histórico e até instalou um restaurante em um magnífico casarão azulejado construído em 1525.

 

   
 
   
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