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Um
show de intolerância
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Fotos Lula Marques/Folha Imagem

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deputado Paim, do PT, joga um exemplar da Constituição e atinge o
colega André Benassi |
Entre
as várias anomalias de comportamento dos políticos, a esquerda
costuma monopolizar a arrogância típica dos que se sentem
donos da verdade. Nos últimos tempos, esse tipo de cegueira ideológica
parecia estar se dissipando no Brasil. A democracia amadureceu para todos.
Os partidos de esquerda, em especial sua estrela quase solitária,
o PT, vinham recebendo avaliações positivas dos adversários.
Mereceram elogios especialmente a renúncia do partido a métodos
revolucionários e seus acenos de apreço à convivência
democrática. Em boa hora, já que o candidato do partido
à Presidência, Luís Inácio Lula da Silva, lidera
as pesquisas com quase um terço das intenções de
voto. Na semana passada, instrumentalizados por militantes da CUT, os
parlamentares do PT encenaram na Câmara dos Deputados um espetáculo
grotesco quando protestavam contra a votação de mudanças
nas leis trabalhistas. A votação foi adiada porque o painel
eletrônico da Câmara entrou em pane, mas a matéria
volta à pauta novamente nesta semana. Espera-se que dessa vez o
projeto seja aprovado.
Foram muitas as cenas de retrocesso de intenções e métodos
dos oposicionistas. A mais danosa para a imagem de modernidade que o PT
vem tentando projetar certamente foi o acesso de fúria do deputado
Paulo Paim (PT-RS). Ele rasgou a Constituição. Depois, arremessou
um exemplar em um colega que bradava contra o que chamou de "molecagem".
Errou e atingiu um terceiro que não participava do confronto. O
dano à imagem do PT é reparável. Mas o episódio
poderá sempre ser relembrado como símbolo da falta de limites
dos que se sentem portadores da verdade. Nesse estado de transe, políticos
passam por cima de tudo. Atropelam o decoro e a educação.
A história mostra que, em situações-limite, menosprezam
as constituições e desrespeitam as instituições.
Basta que elas se interponham entre eles e seus objetivos. O projeto em
votação faz mudanças modernizantes mas apenas superficiais
nas leis trabalhistas. É uma tentativa legítima de desatar
um nó que seja da camisa-de-força das leis trabalhistas
brasileiras e, assim, aumentar a oferta de empregos no país. Nada
nele fere direitos adquiridos dos trabalhadores, o que torna ainda mais
estranho o show de intolerância da semana passada. Veja
reportagem.
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