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Edição 1 729 - 5 de dezembro de 2001
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Um show de intolerância

Fotos Lula Marques/Folha Imagem

O deputado Paim, do PT, joga um exemplar da Constituição e atinge o colega André Benassi

Entre as várias anomalias de comportamento dos políticos, a esquerda costuma monopolizar a arrogância típica dos que se sentem donos da verdade. Nos últimos tempos, esse tipo de cegueira ideológica parecia estar se dissipando no Brasil. A democracia amadureceu para todos. Os partidos de esquerda, em especial sua estrela quase solitária, o PT, vinham recebendo avaliações positivas dos adversários. Mereceram elogios especialmente a renúncia do partido a métodos revolucionários e seus acenos de apreço à convivência democrática. Em boa hora, já que o candidato do partido à Presidência, Luís Inácio Lula da Silva, lidera as pesquisas com quase um terço das intenções de voto. Na semana passada, instrumentalizados por militantes da CUT, os parlamentares do PT encenaram na Câmara dos Deputados um espetáculo grotesco quando protestavam contra a votação de mudanças nas leis trabalhistas. A votação foi adiada porque o painel eletrônico da Câmara entrou em pane, mas a matéria volta à pauta novamente nesta semana. Espera-se que dessa vez o projeto seja aprovado.

Foram muitas as cenas de retrocesso de intenções e métodos dos oposicionistas. A mais danosa para a imagem de modernidade que o PT vem tentando projetar certamente foi o acesso de fúria do deputado Paulo Paim (PT-RS). Ele rasgou a Constituição. Depois, arremessou um exemplar em um colega que bradava contra o que chamou de "molecagem". Errou e atingiu um terceiro que não participava do confronto. O dano à imagem do PT é reparável. Mas o episódio poderá sempre ser relembrado como símbolo da falta de limites dos que se sentem portadores da verdade. Nesse estado de transe, políticos passam por cima de tudo. Atropelam o decoro e a educação. A história mostra que, em situações-limite, menosprezam as constituições e desrespeitam as instituições. Basta que elas se interponham entre eles e seus objetivos. O projeto em votação faz mudanças modernizantes mas apenas superficiais nas leis trabalhistas. É uma tentativa legítima de desatar um nó que seja da camisa-de-força das leis trabalhistas brasileiras e, assim, aumentar a oferta de empregos no país. Nada nele fere direitos adquiridos dos trabalhadores, o que torna ainda mais estranho o show de intolerância da semana passada. Veja reportagem.

 
 
   
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