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Edição 2085

5 de novembro de 2008
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Brasil
Derrota consagradora

Fernando Gabeira volta ao Congresso maior do que antes e dá
ao Rio de Janeiro seu primeiro nome nacional em muitos anos


Ronaldo Soares

Oscar Cabral
O PERDEDOR QUE ACABOU VITORIOSO
Gabeira não sujou a cidade nem atacou os adversários


O sorriso largo do deputado Fernando Gabeira nos últimos dias tem uma explicação. Sua derrota apertadíssima na eleição para prefeito do Rio de Janeiro foi daquelas raras ocasiões em que o perdedor sai dignificado, cresce em prestígio entre seus eleitores e também no plano nacional. Depois de quarenta anos de vida pública e de ter sido o deputado federal mais votado do Rio nas últimas eleições, Gabeira consagrou-se na derrota. Saiu dos últimos lugares nas prévias para chegar ao segundo turno como favorito e perder por meros 55 225 votos em um colégio eleitoral de 4,5 milhões de eleitores, o segundo maior do país. Gabeira foi candidato do Partido Verde (PV), uma legenda que nunca conseguiu empolgar ou encarnar o poderoso sentimento de preservação ecológica dos brasileiros dos grandes centros urbanos. Micarla de Sousa, eleita pelo PV prefeita de Natal, deve sua votação consagradora muito mais à rejeição das pessoas ao petismo do que às propostas ambientais. Como candidato, Gabeira foi ecológica e politicamente correto, evitando sujar a cidade com propaganda eleitoral e atacar os adversários com golpes baixos.

"Fui intérprete de um desejo que a população tem de ver mudanças profundas na política", disse ele a VEJA. Com isso ele quer dizer que passou a atrair simpatia também fora do eixo "fumou e tragou", aquela aguerrida ala de classe média progressista que se enxerga como intelectualizada e liberal, mas mantém as estruturas mentais inconscientes do atraso de ter uma moral para si própria e outra, diferente, para os demais. Gabeira hoje é um símbolo nacional da luta pela ética na política, a luta que mais interessa aos brasileiros trabalhadores, criativos, honestos e pagadores de impostos de todas as classes sociais. Essa imagem começou a ser projetada há três anos, quando ele, em atitude memorável, mandou Severino Cavalcanti, então presidente da Câmara, calar a boca. Na semana passada, alguns analistas políticos consideravam viável sua candidatura ao Senado ou ao governo estadual nas eleições de 2010. Aécio Neves, governador de Minas Gerais, observa sobre Gabeira: "Ele manda um recado que vai além das fronteiras do Rio. Mostrou que as pessoas estão maduras para compreender propostas que tragam a bandeira da ética à frente".



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