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Edição 2085

5 de novembro de 2008
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Brasil
Uma chance para o Rio

O novo prefeito, Eduardo Paes, está diante de um
mar de desafios: ilegalidades, abandono, corrupção,
crimes... Se os vencer, estará consagrado


Ronaldo Soares

Beto Barata/AE
BONS COMPANHEIROS
Sérgio Cabral e Paes na visita a Lula. O novo prefeito conta agora com a ajuda do governo federal para administrar a cidade

Entre todos os eleitos para administrar as capitais brasileiras, Eduardo Paes (PMDB) é o que se vê diante do maior desafio. Ele está expresso em um número. Ao longo da campanha, na qual teve o apoio de treze partidos no segundo turno e bateu o verde Fernando Gabeira por uma margem de apenas 1,6 ponto porcentual dos votos válidos, Paes precisou fazer nada menos que oitenta promessas aos eleitores. Pode parecer exagero, coisa de candidato, mas nenhuma delas é descabida. Há nesse rol desde coisas elementares, como um programa de reflorestamento, até a implantação do bilhete único nos ônibus. Em conjunto, essas promessas parecem o projeto de criação de uma nova cidade. Elas dão uma medida da situação de abandono a que chegou a segunda maior capital brasileira. São também um prenúncio dos problemas que o novo prefeito terá pela frente. Para enfrentá-los, realizou, como primeira tarefa, uma visita ao presidente Lula, acompanhado do governador Sérgio Cabral. O encontro serviu para sinalizar que as três esferas estarão unidas na tentativa de resgatar os serviços públicos que foram relegados a segundo plano. Nos últimos anos, o prefeito Cesar Maia usou a cidade para fazer oposição aos governos – todos os governos. Reside aí a importância simbólica da cena com os três de mãos dadas.

De início, Paes não precisará de muito para que os cariocas percebam sua presença à frente da administração. Qualquer praça que se reforme, qualquer canto que se urbanize chamará atenção no Rio, tamanho o abandono. O desafio do novo prefeito será ir além disso. Nos últimos anos, a cidade se converteu em uma espécie de capital nacional da ilegalidade. Atacar essa situação foi compromisso assumido durante a campanha e reafirmado na semana passada. "Depois de Carlos Lacerda, quem mais tirou favelas nessa cidade fui eu", disse Paes a VEJA, para demonstrar sua disposição de fazer intervenções impopulares, se necessário. Entre seus primeiros atos, anunciou a criação da Secretaria da Ordem Pública. Também indicou técnicos de reconhecida competência para compor seu secretariado.

Se conseguir pôr ordem na casa, estará incluindo o Rio na disputa de 2010. Sob qualquer aspecto que se analise, Sérgio Cabral está no jogo da sucessão de Lula. Ele amargou derrotas do PMDB em áreas importantes do estado, como a região metropolitana, a Baixada Fluminense e Niterói. "Vencer na capital era vital para as pretensões do governador em 2010, fosse para tentar a reeleição, fosse para se credenciar como vice numa chapa presidencial com o PT", diz a cientista política Lucia Hippolito. Pode haver outras composições. Qualquer que seja a equação, um bom desempenho da trinca Lula, Cabral e Paes no Rio será um feito administrativo e tanto a mostrar aos eleitores.

Aos 38 anos, carioca do bairro do Jardim Botânico, Paes acumula dezesseis anos de vida pública. Começou como subprefeito (na primeira gestão de Cesar Maia), foi vereador, secretário municipal e deputado federal duas vezes, antes de se tornar secretário de Esportes e Lazer no atual governo estadual. Uma carreira tão rápida quanto inconstante. Trocou de partido quatro vezes, até chegar ao PMDB a convite do governador Sérgio Cabral. Durante a campanha, demonstrou sólido conhecimento dos problemas da cidade – pelo menos, mais do que seu adversário Fernando Gabeira (PV). Agora é tratar de usá-lo.



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