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Leitor
Beleza perfeita Adorei a reportagem
sobre beleza ("A perfeição é possível?",
29 de outubro). As pessoas buscam a beleza "perfeita"
nos consultórios dos cirurgiões plásticos
e saem de lá, não raro, mais feias, porque não
levam em consideração a harmonia de seus traços.
Parabéns pela excelente matéria. VEJA nos traz
reportagens caprichadíssimas e bastante esclarecedoras. Muito interessante
o software do engenheiro israelense Tommer Leyvand, da Universidade
de Tel-Aviv. Infelizmente, nem todos têm a sorte de
nascer com a beleza quase perfeita da Sandy e precisam recorrer
à cirurgia plástica para mudar o que não
agrada. A beleza não
é só o alimento para o corpo, mas também
para o espírito. Embora a perfeição seja
o caminho de todo ser humano, precisamos saber seus limites,
dentro da nossa finitude. O que me espanta
é alguém acreditar que exista um padrão
de beleza universal. Insinuar que Gisele Bündchen e Claudia
Raia poderiam ficar mais lindas é uma piada de mau
gosto. "Não
devemos nos promover por nossos atributos físicos nem
ter nossa sensualidade medida em mililitros de silicone. Uma
mulher de verdade não se faz dessa maneira."
Fernanda Young Nunca li uma entrevista
de Fernanda Young que não fosse interessante, deliciosa
mesmo. Pela sua franqueza e também pela maneira delicada
com que costuma reagir à abordagem de questões
polêmicas ou até mesmo a perguntas invasivas.
Pode até ser uma estratégia de marketing pessoal,
o fato é que funciona ela transmite simpatia,
bom humor e uma instigante sinceridade (Entrevista, 29 de
outubro). Amei a entrevista
que VEJA fez com Fernanda Young. O título e a foto
dela me chamaram atenção. Ainda não conhecia
a Fernanda, nunca tinha ouvido falar dela. De cara percebi
que se tratava de alguém que, como eu, fala sem ter
muita noção do que vai acontecer ou, às
vezes, até tendo noção, mas sem ligar
a mínima. Uma pessoa autêntica! Admitir nossas fraquezas
publicamente e lidar de forma sarcástica com o cotidiano
é um ato de coragem, é se libertar das amarras
impostas pelas pessoas que estão a nosso lado e que
o tempo todo nos julgam, esquecendo-se de olhar para o próprio
umbigo. Fernanda Young é invejável!
Eleições 2008 Vimos nestas eleições
a resposta que o eleitor brasileiro deu aos políticos:
um não ao deboche e às baixarias. Não
foi desta vez que o povo foi o eleitor de curral que tanto
esperavam. Aqui, em Belém, demos uma espanada no barbalhismo
corrupto, que se ufana de dizer que tem o apoio incondicional
do amigo Lula. Afinal, perguntamos, onde anda a tão
falada preferência popular de 80% do presidente? Apesar do alto índice
de abstenção, o pleito realizado no Rio de Janeiro
foi uma verdadeira vitória da democracia. Nunca uma
eleição foi tão disputada, nunca as propostas
para a cidade foram tão discutidas pelos candidatos.
Foram oito debates em todos os meios de comunicação,
e a população pôde conhecer bem o que
pretendia cada candidato. A raiva, o obscurantismo,
o mau humor, a mentira, a bazófia, o oportunismo, as
agressões verbais e o preconceito perderam vez definitivamente.
Os que apenas atacaram, como Alckmin e Marta, receberam a
mensagem da população desta maravilhosa São
Paulo, cidade que, apesar de dura, tem muito amor e humor
para dar. Depois da expressiva
e inquestionável vitória de Gilberto Kassab
por 60,72% dos votos válidos, sugiro à senhora
Marta Suplicy que tenha sentimentos mais honrados quando se
expressar sobre o povo brasileiro. Um conselho, Marta: relaxe
e não goze!
O assassinato de Eloá Não vi ninguém
enaltecer os atos de amizade, humanidade, desprendimento e
coragem (mesmo que inconseqüente, talvez pela pouca idade)
que a menina Nayara demonstrou ao voltar ao cativeiro, no
seqüestro de Santo André. Que Nossa Senhora continue
a iluminá-la ("As tintas do inferno", 29
de outubro). Até agora
não consigo entender como os pais de uma criança
como a Eloá permitiram que ela começasse um
relacionamento, aos 12 anos, com um homem de 19. Com certeza,
esses pais omissos têm grande parcela de responsabilidade
nessa tragédia de Santo André.
Lya Luft Felizmente, não
é a primeira nem será a última vez em
que Lya Luft consegue expressar a indignação
de milhares de brasileiros como eu. Querida ex-professora,
obrigada por fazer da sua voz a nossa. Continue, por favor,
falando por nós, questionando os absurdos que nós,
simples mortais, não conseguimos entender ("As
bolsas e as vidas", 29 de outubro). Mal reconheci a
escritora nesse seu texto. Acostumei-me com sua sensibilidade,
sensatez e sabedoria, especialmente quando ela fala de comportamentos,
atitudes ou da psicologia e da vida. Entretanto, sua aventura
pela economia me deixou preocupado, quase desapontado. Estranha
ela que bilhões ou trilhões saiam dos governos
(na verdade, da própria sociedade) para irrigar umas
relativamente poucas instituições financeiras,
enquanto milhões, talvez bilhões, de pessoas
não são socorridas da fome nem da miséria
ou da morte prematura. Esquece a articulista que atrás
das poucas instituições financeiras estão
também milhões ou bilhões de pessoas.
Se todos forem arruinados, a miséria se potencializará
ainda mais. Repetindo Abraham Lincoln: "Não ajudarás
os pobres se arruinares os ricos".
Telemarketing Os esclarecimentos
sobre as mudanças da legislação que regulamentará
os call centers a partir de 1º de dezembro foram excelentes
("Disque 0800. E espere...", 29 de outubro). Esperamos
que as novas regras sejam realmente cumpridas. Afinal, o cliente
merece respeito!
Espionagem A entrevista publicada
por VEJA com o deputado Marcelo Itajiba ("O diretor
da Abin mentiu ao Congresso", 22 de outubro) revela
precipitação do ilustre parlamentar que preside
a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, na medida
em que, independentemente de críticas procedentes a
respeito do uso abusivo e indiscriminado de medidas que invadem
a privacidade e que constituem a razão de ser da referida
CPI, faz juízo de valor precipitado em relação
ao meu cliente Daniel Dantas. O fato é que ele não
foi sequer julgado e, ainda assim, foi tratado pelo parlamentar
como se fosse criminoso, afirmação que se repudia
por revelar açodamento e desrespeito à Constituição,
às leis da República e, sobretudo, à
garantia do devido processo legal.
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